CLOWNS
DOCTORS: THE CHILD TALK...
DOUTORES DA GRAÇA: A CRIANÇA FALA...
Aquino,
R. G. de Enfermeiro.
Graduado pela Fundação Educacional de Fernandópolis. E-mail: rafaeldeaquino@doutoresdagraca.com.br
Bortolucci,
R. Z. Enfermeira.
Graduada pela Fundação Educacional de Fernandópolis. E-mail: rbortolucci@pop.com.br
Marta,
I. E. R.
Enfermeira. Professora Doutora. Fundação Educacional de Fernandópolis.
Orientadora E-mail: iestefani@itelefonica.com.br
Citation:
AQUINO,
R. G. de; BORTOLUCCI, R. Z.; MARTA,
I. E. R. Clowns
doctors: the child talk... Online Brazilian Journal of Nursing (OBJN
– ISSN 1676-4285) v. 3, n. 2, 2004 [Online] Available at: www.uff.br/nepae/objn302aquinoetal.htm
ABSTRACT
This
study appeared for believing in the clown’s art as modifier of the hospital
environment. The clowns can touch people’s hearts in a way that make them feel
and not only seeing and trusting. The purpose was to identify the hospitalized
children’s opinion about the funny doctors’s work. The datawere colected in
the first semester of 2003, with the utilization of a semi-structered script. We
decided for an investigation exploratory descriptive with qualitativy analysis
and, thus we used te Thematic Analysis of the data, one of the techinicsof the
Content Analysis. The interviews’s analysis showed that for children, the
clown has de power to reduce their own pains, let them stronger, autonomous,
much good-tempered and happies, because it supplies the necessity that children
have to play, shaving looks and emotions.
Key
words:
clown, hospitalize child, happiness
RESUMO
Este estudo surgiu por acreditarmos na
arte do clown como modificadora do ambiente hospitalar. O clown pode tocar os
corações das pessoas de maneira a fazê-las sentir e não somente ver e
acreditar. O objetivo foi identificar a opinião de crianças hospitalizadas
sobre o trabalho dos Doutores da Graça. Os dados foram coletados no primeiro
semestre de 2003, com a utilização de um roteiro semi-estruturado. Optamos por
uma pesquisa exploratória descritiva com análise qualitativa e para tanto
utilizamos a Análise Temática dos dados, uma das técnicas da Análise de
Conteúdo. A análise das entrevistas demonstrou que para as crianças o palhaço
tem o poder de diminuir as dores das mesmas, deixando-as mais fortes, autônomas,
mais bem humoradas e alegres, pois supre a necessidade que a criança têm de
brincar, compartilhando olhares e emoções.
Palavras-chave:
palhaço, criança hospitalizada, alegria
Introdução
A
arte é extremamente generosa no que diz respeito ao processo criativo, e sua
diversidade possibilita nas artes cênicas a existência de diferentes técnicas
que servem como ponte de ligação entre o ator e o público, o trabalho do
clown é uma delas.
Wuo
(1999) coloca que o estado de arte pode promover uma modificação na consciência
interior, pode transformar, dar nova forma ou caráter, tornar diferente do que
era, mudar, alterar, modificar, transfigurar, metamorfosear a alma, o corpo dos
seres e a sua fé.
Segundo
Ruiz (1987apud MELLO, 1994) a palavra
clown deriva de clod que se liga ao termo inglês camponês, simplórios e
astutos trabalhadores da terra. Por outro lado palhaço deriva de paglia (palha
em italiano) que era o revestimento dos colchões, os quais se tirava o pano
para a confecção de suas roupas.
Para Mello (2001, p. 246) “o palhaço
é hoje um tipo que tenta fazer graça e divertir seu público por meio de suas
extravagâncias; ao passo que o clown tenta ser sincero e honesto consigo
mesmo”.
Existem
diversas definições acerca do termo clown e todas elas se completam.
Para
Shklovski (1975 apud BURNIER, 1994) o
clown trata tudo seriamente, representa a tragédia da vida cotidiana mostrando
ao homem sua humanidade e sua fraqueza, e assim tornando-se cômico.
Jara
(2000) defende que o clown deve transmitir uma imagem global positiva, de forma
a fazer com que acreditemos em nós mesmos, com nossas virtudes e defeitos próprios
do ser humano.
De
acordo com Possolo (1996) o clown não é um personagem, é um arquétipo que
faz rir, e representa o que a humanidade e o próprio ator têm de ridículo.
O
clown é único para cada ator, que representa seu próprio ridículo, mesmo que
este ridículo seja universal, já o personagem pode ser interpretado pelo ator
de diversas maneiras.
Bolognesi
(2003) diz que a conjugação da personagem-tipo de tradição cômica e a
individualidade de cada ator levam a um subjetivismo que torna o palhaço uma
figura ao mesmo tempo universal e singular.
Jara
(2000) nos lembra que tem sido assim através da história, tanto nas praças públicas
quanto nos palácios da nobreza, no renascimento italiano com a Commedia
dell’art, assim como para os grandes atores do cinema mudo americano.
O clown moderno e circense como conhecemos hoje é, de acordo com
Bolognesi (2003) resultado de uma fusão entre a tradição italiana da Commedia
dell’art e os clowns ingleses.
Mello
(1994) nos traz a existência de dois tipos clássicos de clowns, o Branco e o
Augusto. O primeiro é o protótipo do patrão, o intelectual, que tem o rosto
branco e a vestimenta de lantejoulas como a do Arlequim da Commedia dell’art,
chapéu cônico e sempre pronto para enganar seu parceiro, já o augusto, que
também pode ser chamado de tony, é o bobo, o perdedor, o ingênuo de boa fé,
o emocional, está sempre sobre o domínio do branco, mas supera-o fazendo
triunfar a pureza sobre a malícia.
O
augusto tem roupas exageradas, é a clássica figura que encontramos no circo, e
como relata Bolognesi (2003) isso é um indicador da imbecilidade de quem usa.
No
ambiente hospitalar os clowns atuam em dupla, mas não representam a clássica
dupla branco e augusto, o jogo cênico é desenvolvido por dois augustos e a
relação de força e comando se alterna de acordo com a dinâmica cômica que
é estabelecida em cada intervenção.
Masetti
(2001) afirma que o trabalho do clown no hospital tem que remeter a realidade
que ele se encontra, portanto diferente da atuação no circo, realizada para
uma grande platéia, no ambiente hospitalar, a relação que se desenvolve é
muitas vezes para uma pessoa, em uma condição desfavorável e em um ambiente
amedrontador.
Françani
et al. (1998) relatam que na atuação
do grupo denominado Companhia do Riso, desenvolvido na USP de Ribeirão Preto as
crianças sempre são consultadas sobre a possibilidade de entrada em seus
quartos e que há uma variação de repertório muito grande que possibilita a
interação dos clowns não só com as crianças, mas também com seus
acompanhantes.
No relato de experiência do nosso
grupo de clowns, os Doutores da Graça, Tosta et al. (2000) relatam que as mães
e acompanhantes apontaram importantes modificações percebidas no comportamento
das crianças após as sessões
denominadas “Plantões da Graça”. Revelam que as crianças ficaram mais
alegres, sorridentes, com menos medo da internação. Os membros da equipe de
enfermagem ressaltam também a importância dos “Plantões da Graça” para
as mães. Uma das enfermeiras entrevistadas fez o seguinte relato:
“...
e a gente vê também um envolvimento das mães, elas se envolvem, então isto,
além do efeito psicológico positivo na criança, também repercute na mãe”.
A
médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do Hospital Albert Einsten,
Virgínia Altelmi Gomes, em entrevista a Balieiro (1997, p. 10) declarou que:
"Os
pais também relaxam, e muito... E isso é muito importante para a criança,
pois ela acaba sentindo seus pais mais relaxados e confiantes. Os procedimentos
médicos são muito invasivos para as crianças, além de provocar dor.
Se estão estressados, elas ainda correm o risco de hipertensão,
hemorragias ou outras intercorrências. A
atividade lúdica trazida pelos Doutores da Alegria humaniza o atendimento e
ameniza o ambiente."
Adams (1999, p. 30) refere que foi
atuando como palhaço em hospitais que percebeu que podemos levar humor até
para os leitos de morte e acredita que a melhor alternativa é trazer humor para
os hospitais e para o mundo. Parafraseando Voltaire este autor lembra que “o
propósito do médico é divertir o paciente enquanto a doença segue seu
caminho”.
Os
efeitos benéficos do riso, segundo Jara (2000) são reconhecidos por
profissionais médicos e psicólogos. Dentre estes efeitos são citados a
melhora da circulação sanguínea, o relaxamento muscular, a oxigenação dos
pulmões, eliminação de toxinas e produção de endorfinas, contribuindo também
para o esquecimento das experiências ruins e confiança em um futuro melhor.
De
acordo com Lambert (1999) o riso promove a liberação de endorfinas, que
promovem bem estar geral, melhora a circulação e a pressão arterial e
fortalece as defesas orgânicas. O autor acredita ainda que rir e sorrir são
modos de nos expressarmos de forma agradável e exprimirmos nosso prazer de
viver.
Adams
(1999) relata que as tensões têm efeito na fisiologia, e que elementos como
humor, amor, surpresa, curiosidade, paixão, perdão, alegria, entusiasmo,
estimulam o sistema imunológico contra infecções, fortalecem as células que
combatem o câncer e afetam a forma de como cuidamos de nós mesmos e dos
outros.
Atualmente
existem inúmeros grupos de palhaços atuando em hospitais do mundo todo; Clown
Care Unit - Nova York (EUA); Die Clown Doktoren - Wiesbadery (Alemanhã); Le
rise Medicin - Paris (França); Associacion Payasos - Valência (Espanha);
alguns deles formam a Associación Internacional de Narizes Rojas Sonrisa Magica
como: Doctores Bola Roja - Lima (Peru), Mediclaun - Medellín (Colômbia),
Hopiclown - Genève (Suiça) e Doutores da Graça - Fernandópolis, Votuporanga,
Palmas e Porto Nacional (Brasil), nosso grupo.
Só
no Brasil, de acordo com Masetti (2003) existem cerca de 180 grupos, dentre
eles; Doutores da Alegria - São Paulo (SP); Doutores da folia - Santos (SP);
Hospital Só Riso - São José do Rio Preto SP), Pediatras do Riso - Uberlândia
(MG); Plantão da Alegria - Campinas (SP), e os Doutores da Graça em Fernandópolis
e Votuporanga (SP) e em Palmas e Porto Nacional (TO).
O
grupo Doutores da Graça foi criado por mim em janeiro de 2000 atuando na Santa
Casa de Misericórdia de Fernandópolis-SP; posteriormente, em novembro do mesmo
ano o trabalho se estendeu para os hospitais Santa Catarina e Casa de Saúde,
ambos de Votuporanga-SP.
Atualmente
o grupo Doutores da Graça conta com dezesseis clowns e estendeu sua atuação
para hospitais de Palmas e Porto Nacional-TO. Possue um núcleo de plantões da
graça, que promove a atuação dos palhaços em diferentes lugares, tais como:
hospitais, asilos, creches, orfanatos e outros, um núcleo de educação em saúde,
que realiza números e palestras em escolas e universidades a fim de demonstrar
o trabalho e tratar de temas como a promoção da saúde e prevenção de doenças,
um núcleo de treinamento em teatro clown, que ensina as bases do trabalho do
palhaço no hospital, e um núcleo de pesquisa, que desenvolve estudos sobre o
tema, todos subsidiados pela Fundação Educacional de Fernandópolis como um
projeto de extensão de serviços á comunidade, e dirigidos a graduandos dos
cursos de Psicologia e Enfermagem, assim como atores da cidade.
O
trabalho dos Doutores da Graça é realizado nos hospitais duas vezes por semana
por dois palhaços, geralmente um do sexo feminino e um do sexo masculino. A
visita dura em média uma hora e é feita leito a leito respeitando a
individualidade de cada criança. São utilizados brinquedos para a realização
de diagnósticos específicos como: riso solto, miolo mole, bobotite, parafuso
solto, pum azedo e outros. Também são utilizadas nas visitas, técnicas de
malabarismo, mágica, gagues, que são definidos por Possolo (1996) como, uma
tirada curta, isso quer dizer uma piada ou um gesto que não necessita de um
entendimento anterior para ser engraçado, além de músicas tocadas ao vivo com
violão e clarinete, sempre utilizando a improvisação.
A
motivação para elaboração desse projeto surgiu por acreditarmos na arte do
clown como modificadora do ambiente hospitalar e carreadora de um tipo de arte
ao mesmo tempo Naïf (ingênua), e de importante papel social. O clown pode
tocar os corações das pessoas de maneira a fazê-las sentir e não somente ver
e acreditar, por isso a utilização do humor e do amor pela enfermagem deve
transpor as barreiras do pensamento lógico.
Tendo
em mente que a intervenção do clown pode tornar o ambiente hospitalar mais
agradável, colaborando na promoção de modificação em nível fisiológico,
mental e social para todos os envolvidos, pensamos que torna-se pertinente
estudar esta temática sob várias óticas.
Metodologia
Os
sujeitos deste estudo foram 27 clientes de 4 à 12 anos internados para
tratamento clínico e cirúrgico em um hospital de médio porte do interior de São
Paulo.
Após
a assinatura do termo de consentimento pelos pais e pelos sujeitos, cada um
destes participou de um “plantão da graça”.
As
atividades com as crianças e adolescentes, durante cada "plantão"
foram realizadas nos leitos da unidade. A duração média do plantão foi de 60
minutos.
Imediatamente após a participação
no “plantão”, foi realizada uma entrevista semi-estruturada. A fala dos
sujeitos foi anotada, na íntegra, e posteriormente foi realizada a análise temática
das mesmas.
Objetivo
Neste
trabalho objetivamos identificar a opinião de crianças hospitalizadas sobre o
trabalho dos Doutores da Graça.
Resultados
A
análise das falas permitiu a identificação de três temas:
O palhaço é um bobo
De
acordo com Adams (2002) Bobo pode significar em muitas línguas bom, feliz,
afortunado, gentil, alegre e até sagrado.
Nesta
categoria foram reunidos discursos que dizem respeito à imagem que se tem do
palhaço, e dos doutores palhaços que realizaram as intervenções.
Para
Simonds e Warren (2001) um palhaço deve permanecer em um estado de admiração
e de simplicidade permanente. Os doutores palhaços tem necessidade de poesia e
de humor, se com a ponta de seus narizes vermelhos eles querem manter em equilíbrio
o riso e a tragédia.
Quando
as crianças foram interrogadas sobre o que é o palhaço e o que achavam dos
palhaços que haviam se apresentado, emergiram falas como as que seguem.
Achei
legal, brincalhão, o parafuso da cabeça da minha mãe...(gargalhadas)
Que
eles é maluco
Eh!
Ele é muito bobo
Uma
pessoa engraçada
O
que eu achei? Eu achei que eles é muito bom pra fazer graça e que no futuro
eles pode seguir mais a frente
Ah!
Isso que é duro! Alegria
Achei
bom que brincou comigo
Eu
acho muito legal, eu gosto dele, da risada dele e também gostei daquele sapato
Eu
achei muito legal, eu gostei daquela hora que ela falou que tava com muita fome
e trouxe a banana pra comer, eu gostei dos dois, até de você eu gostei
Um
palhaço! Um palhaço pra mim é um bobo
É
uma diversão
Hum...
Ele é muito engraçado e faz agente rir
É
legal, ele é muito brincalhão, eu gosto dele, minha coisa mais preferida
Ah!
Uma pessoa alegre, que faz a gente ficá alegre também
Ah!
É um amigo das crianças
Eu
gostei também deles, gostei das palhaçadas, eles são muito legais, eles sabem
fazer né, palhaçadas, e tem paciência também de ficar agüentando isso
Observamos
que a criança tem uma visão arquetípica da figura do palhaço, porém as
descrições, de maneira geral, estão ligadas aos sentimentos e emoções,
portanto os palhaços doutores são tidos como modelos de palhaços.
Uma
das crianças não quis receber a visita do palhaço, e quando interrogada disse
que não gostava de palhaço. Investigando mais a fundo soubemos que esta criança
tivera uma experiência anterior ruim com um palhaço, havia levado um susto
muito grande. De qualquer forma, entendemos que o fato de os palhaços
respeitarem a decisão da criança, e saírem do quarto, fortalece a autonomia
da mesma, que lhe é completamente retirada quando se encontra internada.
A galinha magricela
Em
geral, o trabalho do palhaço no hospital é movido pela improvisação, todavia
existem elementos prontos que são levados às visitas, que dão segurança à
atuação.
Organizamos
aqui os discursos que se referem às brincadeiras que mais marcaram as intervenções.
Os
elementos mais citados pelas crianças foram a galinha de borracha e uma máquina
de fotografia que solta água, utilizada pelos palhaços.
Bonita,
gostei da Gertrudes (galinha de borracha)
Palhaçadas,
gostei, achei legal, bonita
Muito
legal, eu gostei mais da cirurgia
Bem
Não
gosto não quero que volta
Bonita,
gostei de tirar fotos
Legal,
gostei da galinha que ele amarrou na cintura e mandou eu puxá
Boa,
gostei a hora que eles tiraram a foto
Legal
a musica do gato
Gostei
daquela coisinha... da galinha
Legal
porque ele tava com uma galinha
Ah!
Bem educativa né, pra enfermagem medi pressão
Ah!
Achei mais legal, eu gostei quando tirou a foto e quando ele tava dando risada e
olhando pra mim
De
acordo com Masetti (2001) no riso o palhaço e o paciente se encontram e
compartilham uma atitude de vida, e isso também ocorre com relação aos
familiares e profissionais. Este ponto de encontro se transforma em local de ação
porque esse processo resulta em uma conduta ativa de aumento da potência de
ambos.
Ajudando a esquecer o dodói
Adams
(2002) coloca que as pessoas precisam do riso assim como de um aminoácido
essencial, e acrescenta que necessitamos de alívio cômico sempre que as dores
da existência nos oprimem.
Selecionamos
aqui as falas que estão ligadas a contribuição da visita dos palhaços. As
crianças relatam que os palhaços trazem alegria.
Sim,
mais alegre
Ajuda!
Deixa as crianças feliz
Ajudou,
eu ri muito
Sim,
eu fico alegre
Ajuda,
fico todo feliz quando eles entram
Ajudou
a me divertir muito
Sim,
faz graça
Ajuda,
trazendo alegria
Sim,
ajudou ficá alegre
Ajuda,
em tudo, fica mais alegre
Espinosa
(2001 apud MASETTI, 2001, p. 15) coloca que:
“A alegria é o efeito de composição
resultante de uma idéia que se encontra com nossa alma e aumenta nosso poder de
ação, nossa potência”.
Também
foi citado pelas crianças que as brincadeiras ajudam a distrair a dor e as
deixam mais fortes, nos seus discursos é possível perceber que aliam a
intervenção do palhaço ao seu processo de cura.
Ajuda,
palhaçadas engraçadas, agente dá risada, interessante, me animou mais
Sim,
ah as pessoas, as crianças que ficam chorando, ajuda né! Eu me distraí por
causa do meu braço
Sim,
a me recuperar
Ajudou,
fez eu sair daqui, pode fazer sarar muitas doenças que as crianças tem e
continuar fazendo muitas palhaçadas né
Ajuda,
ele ajuda fazer ficar mais alegre e forte
Ajuda.
Ah! Cuida da saúde né! Sempre medí pressão, olhá, preveni
Considerações
finais
Com
este estudo pudemos compreender um pouco melhor a visão da criança, foco do
trabalho realizado pelos palhaços doutores, para que se possa inclusive traçar
metas de trabalho por meio destes resultados.
Notamos que a criança troca com o
palhaço experiências que está vivendo ou já viveu, de forma a liberar suas
emoções verdadeiras com a verdade que o palhaço propõe. O trabalho do palhaço
é regido por uma regra fundamental, a da verdade e transparência, o jogo é
espontâneo, improvisado e baseado na troca entre ambos, pois o palhaço aprende
a viver da mesma maneira que a criança.
Foi possível observarmos que para as
crianças o palhaço tem o poder de diminuir as dores das mesmas, isso porque
quando a criança brinca ela se distrai e o tempo parece não existir, também
percebemos pelos discursos que as crianças se sentem mais fortes, por
acreditarem na brincadeira, isso lhes dá mais autonomia, que também pode ser
gerada com a simples negação ao jogo e o respeito da opinião da criança,
pois quando esta encontra-se hospitalizada, lhe é retirado o direito de decidir
por seu próprio corpo.
De
acordo com Masetti (2001) o aspecto lúdico é o pilar do trabalho dos palhaços
suas interações estão relacionadas às propostas e ao jogo que se estabelece
individualmente.
É
fácil perceber pelas expressões das crianças que seu humor melhorou, que estão
mais alegres, que trocam olhares verdadeiros com os palhaços, que brincam como
se o resto do mundo não existisse, porém ouvi-las dizendo isso e confirmando
nossa idéia inicial faz com que acreditemos cada vez mais no trabalho de palhaços
em hospitais, feito de forma pensada, estruturada e, acima de tudo, com muita
verdade, compartilhando olhares e emoções.
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Universidade Estadual de Campinas. Campinas, 1999.
Endereço
para correpondência: Avenida
Geraldo Roquete, 951 – Coester – Fernandópolis – SP, CEP: 15.600-000.
Received June 9th, 2004
Accepted July 5th, 2004
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