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Tania C. Clemente de Souza
taniaccs@esquadro.com.br
Resumo
Desenvolver, no âmbito da Análise do Discurso (escola francesa), perspectivas
voltadas ao estudo da imagem (fílmica, fotográfica, artística, gráfica, publicitária,
etc) em sua materialidade, no caso, o não verbal. Discutir a questão relativa à
materialidade da linguagem (verbal e não-verbal), visando à formulação de um campo
novo de descrição e análise do não-verbal, aquele que não vai pressupor, em primeira
instância, o repasse do não-verbal pelo verbal. Descartando-se, assim, pressupostos
outros como os oriundos da Lingüistica e da Semiologia no estudo da imagem, formula-se o
conceito de policromia, base de análise da imagem.
Abstract
We intend to develop studies in the ambit of Analysis of Discourse (french school)
about the image (movie, photographie, arts, publicity, and so on) on its own materiality,
i.e., the nonverbal, aiming to reach a new descriptive and analytic field in the study of
the nonverbal language: that one that will have not as a point of departure the translate
of the nonverbal signs into verbal ones. So, we abandon others concepts as that ones that
come from the Linguistics ans Semiotics and we formulate the concept of polychromy, the
basis of the image analysis.
Palavras-chave: estudo da imagem/ imagem e
discurso/ policromia/
Introdução
O objetivo principal deste trabalho é desenvolver, no âmbito da Análise do Discurso
(escola francesa), perspectivas voltadas ao estudo da imagem (fílmica, fotográfica,
artística, gráfica, publicitária, etc) em sua materialidade, no caso, o não verbal.
Em termos teóricos, discute-se a questão relativa à materialidade da linguagem
(verbal e não-verbal), visando à formulação de um campo novo de descrição e análise
do não-verbal, aquele que não vai pressupor, em primeira instância, o repasse do
não-verbal pelo verbal.
Essa diretriz coloca a Análise do Discurso em oposição a outras disciplinas do campo
da Lingüística e à própria Semiologia, no que se refere, em particular, ao processo de
significação e à definição de linguagem. Esta, pensada em duas dimensões, abarca o
plano do verbal e do não-verbal, entretanto, nos estudos do não-verbal, tem-se como
recorrente a compreensão do não-verbal perpassado pela linguagem verbal.
A partir de uma análise genérica dos processos significativos de imagens em
diferentes veículos, pretende-se mostrar como nos meios de comunicação (cinema,
televisão, mídia imprensa, dentre outros) a imagem significa (em termos ideológicos)
diferente, tendo ora o status de linguagem, ora o de cenário ou ilustração.
Imagem e Interpretação
No estudo sobre o silêncio, Orlandi (1993) observa que os mecanismos de análise que
apreendem o verbal através do não-verbal revelam um efeito ideológico de apagamento que
se produz entre os diferentes sistemas significantes, dando sustentação, dentre outros,
ao "mito" de que a linguagem só pode ser entendida como transmissão de
informação, ou como sistema para comunicar. O que leva, por um lado, a estabelecer uma
relação biunívoca entre um objeto determinado (verbal ou não-verbal) e o seu sentido
e, por outro, a trabalhar não com a materialidade significativa de cada linguagem em si
mesma mas, sim, com a tradução do não-verbal em verbal, mascarando as diferenças, a
especificidade de cada uma das formas da linguagem. Os estudos sobre as formas do
silêncio vêm a um só tempo contribuir tanto à compreensão da materialidade do
não-verbal, quanto à ampliação do objeto da Análise do Discurso, ao apontar caminhos
para se descrever e entender o não-verbal.
Em termos teóricos, toda essa discussão vem sendo, de certa forma, pontuada nos
trabalhos que se voltam para a Análise do Discurso. Em termos práticos, porém, poucos
são os trabalhos, nesta área teórica, que tomam o não-verbal como objeto empírico de
análise.
Sobre o processo de significação da imagem, as discussões estão, em geral,
restritas a duas vertentes principais: ou se toma a imagem da mesma forma como se toma o
signo lingüístico, discutindo-lhe as questões relativas à arbitrariedade, à
imitação, à referencialidade(2), ou se toma a imagem nos traços específicos que a
caracterizam, tais como extensão e distância, profundidade, verticalidade, estabilidade,
ilimitabilidade, cor, sombra, textura, etc, buscando-se a definição de que modo se dá a
apreensão (ou leitura?) da imagem naquilo que lhe seria específico (cf.: KLEE, 1973 e
DAVIDSON, 1984).
No primeiro caso, já observamos acima que, ao se entender o não-verbal através do
verbal, ocorre um reducionismo na própria conceituação de linguagem (verbal e
não-verbal), por o ser esta pensada com relação ao signo lingüístico. No outro caso,
a relação com o lingüístico cede lugar à relação com os traços da imagem
entendidos a partir de um "olhar técnico" (cf.: AUMONT, 1993, dentre outros).
Em ambos os casos, acaba-se por se propor para o estudo do não-verbal uma descrição
formal da imagem, não entrando em pauta a materialidade significativa da imagem na sua
dimensão discursiva. Ou seja, não se disutem nem os usos que vêm sendo feitos - como na
mídia, por exemplo - da imagem, nem as possibilidades de interpretação da imagem social
e historicamente determinadas.
Ao se pensar a imagem através do verbal, acaba-se por descrever, falar da imagem,
dando lugar a um trabalho de segmentação da imagem. A palavra fala da imagem, a descreve
e traduz, mas jamais revela a sua matéria visual. Por isso mesmo, uma "imagem não
vale mil palavras, ou outro número qualquer". A palavra não pode ser a moeda de
troca das imagens (Davidson, 1984). É a visualidade que permite a existência, a forma
material da imagem e não a sua co-relação com o verbal.
A não co-relação com o verbal, porém, não descarta o fato de que a imagem pode ser
lida. Propriedades como a representatividade, garantida pela referencialidade, sustentam,
por um lado, a possibilidade de leitura da imagem e, por outro, reafirmam o seu status de
linguagem.
Não porque, dadas essas propriedades, a se diga que a imagem também informa,
comunica, e sim porque - em sua especificidade - ela se constitui em texto, em discurso. E
nesse ponto, retomando a distinção (apontada em FREGE) entre expressão (sentido) e
designação (referência), sublinhamos que falar dos modos de significação implica
falar também do trabalho de interpretação da imagem, procurando entender tanto como ela
se constitui em discurso, quanto como ela vem sendo utilizada para sustentar discursos
produzidos com textos verbais.
Enfim, procuramos entender como uma imagem não produz o visível; torna-se visível
através do trabalho de interpretação e ao efeito de sentido que se institui entre a
imagem e o olhar(3). Um olhar que trabalha diferente quando da leitura da imagem(4).
Enquanto a leitura da palavra pede uma direcionalidade (da esquerda para a direita), a da
imagem é multidirecionada, dependendo do olhar de cada "leitor".
O trabalho de interpretação da imagem, como na interpretação do verbal, vai
pressupor também a relação com a cultura, o social, o histórico, com a formação
social dos sujeitos. E vai revelar de que forma a relação imagem/interpretação vem
sendo "administrada" em várias instâncias.
Implícito, silêncio e imagem
A noção de implícito formulada em Ducrot (1972) prevê modos de expressão
implícita, que permitem deixar entender sem ficar a descoberto a responsabilidade de se
ter dito. Ou se expressar de tal forma de modo que a responsabilidade do dizer possa ser
recusada.
Orlandi (1989) observa que a noção de silêncio não pode ser confundida com o
implícito. Ao contrário do implícito (não-dito), que significa por referência ao que
foi dito, o silêncio não precisa ser referido ao dizer para significar. O
silêncio significa, não fala. Nesse sentido, a autora reafirma que a matéria
significante do silêncio é diferente daquela da linguagem verbal. E, ao promover, assim,
o decentramento da linguagem verbal, abre à discussão as diferentes formas do silêncio
no processo de significação. (ORLANDI, 19 e 19)
Com a imagem não é diferente, há imagens que não estão visíveis, porém
sugeridas, implícitas a partir de um jogo de imagens previamente oferecidas. Outras são
apagadas, silenciadas dando lugar a um caminho aberto à significação, à
interpretação.
No cinema, por exemplo, há elementos de imagem que sugerem a construção - pelo
espectador - de outras imagens. Esses elementos, muitas vezes, são sugeridos pelo ângulo
e movimento da câmara (quase sempre associado à sonoridade (música, ruído), ou à
própria interrupção do som), ou pelo jogo de cores, luzes, etc. São elementos
implícitos que funcionam como índices, antecipando o desenrolar do enredo. O trabalho de
compreensão do espectador passa, assim, pela inferência dessas imagens (sugeridas) que
atribuem ao texto não-verbal o caráter de sua heterogeneidade.
Quanto ao apagamento de imagens, este se dá de formas diferenciadas. No cinema, por
exemplo, o silêncio no âmbito da imagem pressupõe a ausência total de qualquer
elemento visual que leve à inferência de qualquer fato. Isso deixa o enredo em termos de
estrutura discursivo-visual em aberto, sem desfecho. Em LIMITE, filme de Mário
Peixoto (1938), a concepção em imagens do filme não nos oferece nenhum dado visual que
leve à afirmativa de que a última personagem tenha morrido em alto mar. A cena final
apresenta a mulher boiando agarrada a um pedaço de madeira, a luz do sol incide em seu
rosto e a partir da fusão dessa claridade com a do sol refletindo em um ponto vazio no
mar, o filme termina. Não se pode dizer que se tem aí a imagem implícita, ou sugerida,
da morte da mulher. O implícito seria mostrar, talvez, o pedaço de madeira boiando
sozinho, ou qualquer outro vestígio.
Queremos deixar claro que ao diferenciar o implícito e o silêncio no trato com as
imagens, estamos apontamos mecanismos discursivos de se construir o texto não-verbal.
Porém, não queremos dizer com isso que no trabalho de interpretação desse texto não
se possa pressupor, como no exemplo acima, que o espectador deduza a morte da personagem.
Entretanto, chamamos a atenção para o fato de, em termos de textura visual, a ausência
(ou silêncio) de imagens deixa em aberto a conclusão a respeito do desfecho da
personagem, abrindo a possibilidade de outras leituras do filme. Fato que seria diferente,
caso algum elemento de imagem ( implícita) sugerisse este desfecho.
Uma outra forma de se silenciar a imagem é aquela que pode ser pensada através de um
trabalho de interpretação, operado na mídia, quando esta se interpõe entre o
espectador e a imagem num processo de produção de significação bastante direcionado. O
que ocorre, então, é um processo de paráfrase(5), através do qual se determina -
através de textos verbais uma disciplinização na interpretação da imagem. A
complexidade de um conjunto de imagens distintas se reduz a um processo de interpretação
uniforme e um sentido (que se quer) literal se impõe. Reduz-se a imagem a um dado
complementar, a acessório (ou cenário), destituindo-lhe o caráter de texto, de
linguagem, uma vez que a imagem, ao ser traduzida através da sua verbalização, se apaga
como elemento que pode se tornar visível. É o verbal que se superpõe ao não-verbal.
Para ilustrar esse processo de parafraseamento de imagens, muitos são os exemplos
presentes na televisão brasileira. Nos telejornais, por exemplo, quando se mostram
imagens cedidas e editadas por outra emissora, ou quando as imagens produzidas pela
própria emissora são por demais "visíveis", entra em cena o comentarista, em
geral tido como especialista em política, em economia, esporte, etc que conduz a
interpretação, oferecendo a leitura dos fatos segundo o ponto de vista da emissora, que
se coloca no papel de juiz ao atribuir às imagens mostradas juízos de valor e, ao mesmo
tempo, fazendo uma (re)leitura de tudo que fora exibido. As imagens são apagadas por um
processo de verbalização, de paráfrase, porque reproduzem um determinado enfoque.
Uma das razões que possibilita à TV esse trabalho de interpretação pode residir no
fato de que, diferente do cinema, a televisão é um veículo que pode, boa parte do
tempo, ser ouvida, sem prejuízo à apreensão do que nela se transmite. Isso porque,
quase sempre, ouve-se uma voz relatando tudo aquilo que está sendo mostrado. Nesse caso,
há de ser repensado o status do telespectador enquanto "testemunha do
mundo"(Fecé, 1997). O espectador de TV é privado de sua autonomia no trabalho de
interpretação, quando a voz de um locutor realiza o trabalho de leitura e
interpretação(6).
Em programas de teor humorístico se dá o mesmo processo de interpretação de
imagens. Quando entra em cena um ator, caracterizado como deficiente físico, mendigo,
pessoa gorda, feia, homossexual, etc escuta-se uma gravação de risadas conduzindo a
predisposição favorável do espectador àqueles quadros. Ou, como no caso de programas
que envolve a exposição de pessoas na rua, e até mesmo no auditório, em cenas
ridículas, grotescas - quando se "topa tudo por dinheiro"; as atitudes
mostradas nessas cenas são definidas como engraçadas, corajosas, audaciosas, pela voz em
off do apresentador que impõe, de forma autoritária, um sentido às mesmas. Por essa
perspectiva, as imagens não significam por si, enquanto imagens que são. A visibilidade
do conteúdo negativo que as mesmas veiculam acaba ofuscada pela forma como são
verbalizadas.
Na mídia impressa, não é diferente. A composição entre a chamada da notícia, a
foto, cuidadosamente escolhida a partir de um determinado ângulo e a legenda que
acompanha a foto produzem um tipo de texto que, quase sempre, está em dissensão com a
redação da notícia propriamente dita. Trata-se de considerar aqui um texto visível a
partir do efeito de diagramação que funciona como chamariz, estando o mesmo quase sempre
fora de sincronia com a redação da notícia que o acompanha.
À guisa de ilustração, pode-se lembrar aqui as famosas fotos do ex-presidente Jânio
Quadros, sempre de pernas tortas, roupas amarrotadas, cabelos desalinhados que em nada
pareciam combinar com as suas declarações de como governaria o Brasil.
Um exemplo mais recente pode ser encontrado num jornal que anunciava que o Presidente
da República reunido com o seu Ministério - fato mostrado na foto - decidira sobre o
aumento de salário do funcionalismo federal (legenda da foto). A decisão era manter por
mais um ano (ou mais tempo se necessário for) os salários congelados, considerando-se a
atual estabilidade da economia, fato redigido no corpo da notícia. Ou seja, a
visibilidade do fato apontava para uma leitura positiva sobre a correção dos salários,
leitura imediatamente descartada ao se ler o texto verbal. Aqui também, podemos falar de
um trabalho de uma condução dos sentidos, não com relação ao fato-notícia
propriamente dito, e sim com relação a um trabalho de especulação que visa à venda do
jornal. De qualquer forma, o que também está em jogo aí é um processo de silenciamento
da imagem do ponto de vista ideológico. Processo que vem revelar que a mídia, muitas
vezes, trabalha com a redução do não-verbal ao verbal, dando lugar a um efeito de
transparência, de objetividade da informação.
Polifonia e policromia(7)
O conceito de polifonia (DUCROT, 1980) pressupõe que todo texto traz em sua
constituição uma pluralidade de vozes que podem ser atribuídas ou a diferentes
locutores, caso dos discursos relatados, ou a diferentes enunciadores, quando se atesta
que o locutor pode se inscrever no texto a partir de diferentes perspectivas ideológicas.
Dentro dessa perspectiva, é que se define o dito e o não-dito (a voz implícita).
Essas vozes imprimem ao texto o caráter de heterogeneidade, definido por Authier (19)
como heterogeneidade(s) enunciativa(s). A Análise do Discurso tem como meta pontuar essas
heterogeneidades.
Como já dissemos acima, o texto de imagens também tem na sua constituição marcas de
heterogeneidade, como o implícito, o silêncio, a ironia. Marcas, porém, que não podem
ser pensadas como vozes, porque analisar o não-verbal pelas categorias de análise do
verbal implicaria na redução de um ao outro. Nesse caso, por associação ao conceito de
polifonia, formulamos o conceito de policromia (Souza, 1995) buscando analisar a imagem
com mais pertinência.
O conceito de policromia recobre o jogo de imagens e cores, no caso, elementos
constitutivos da linguagem não-verbal, permitindo, assim, caminhar na análise do
discurso do não-verbal. O jogo de formas, cores, imagens, luz, sombra, etc nos remete, à
semelhança das vozes no texto, a diferentes perspectivas instauradas pelo eu na e
pela imagem, o que favorece não só a percepção dos movimentos no plano do
sinestésico, bem como a apreensão de diferentes sentidos no plano
discursivo-ideológico, quando se tem a possibilidade de se interpretar uma imagem
através de outra.
Por isso, a policromia revela também a imagem em sua natureza heterogênea, ou melhor,
como conjunto de heterogeneidades que, ao possuírem uma co-relação entre si, emprestam
à imagem a sua identidade. Essa co-relação se faz através de operadores discursivos
não-verbais: a cor, o detalhe, o ângulo da câmara, um elemento da paisagem, luz e
sombra, etc, os quais não só trabalham a textualidade da imagem, como instauram a
produção de outros textos, todos não-verbais.
Ao se interpretar a imagem pelo olhar - e não através da palavra - apreende-se a sua
matéria significante em diferentes contextos. O resultado dessa interpretação é a
produção de outras imagens (outros textos), produzidas pelo espectador a partir do
caráter de incompletude inerente, eu diria, à linguagem verbal e não-verbal. O caráter
de incompletude da imagem aponta, dentre outras coisas, a sua recursividade. Quando se
recorta pelo olhar um dos elementos constitutivos de uma imagem produz-se outra imagem,
outro texto, sucessivamente e de forma plenamente infinita.
A interpretação do texto não-verbal se efetiva, então, por esse efeito de sentidos
que se institui entre o olhar, a imagem e a possibilidade do recorte, a partir das
formações sociais em que se inscreve tanto o sujeito-autor do texto não-verbal, quanto
o sujeito-espectador.
O conjunto de elementos visuais possíveis de recorte - entendidos como operadores
discursivos - favorece uma rede de associações de imagens, o que dá lugar à tessitura
do texto não-verbal. A apreensão dessas relações, por sua vez, revela o discurso que
se instaura pelas imagens, independente da sua relação com qualquer palavra.
O discurso, no caso, deixa antever o trabalho de um sincretismo de imagens (rede de
associações) de caráter ideológico. Trata-se, então, como já referimos
anteriormente, da possibilidade de falar de implícitos no âmbito da imagem. As imagens
implícitas funcionam como pistas, favorecendo a compreensão das associações de ordem
ideológica (o discurso), ou favorecendo a compreensão da narratividade de uma
publicidade, filme, etc, sem se ater exclusivamente ao verbal, mas buscando uma
articulação num plano discursivo não-verbal e revelando a tessitura da imagem em sua
heterogeneidade.
Conclusão
O estudo da imagem, como discurso produzido pelo não-verbal, abre perspectivas
comumente não abordadas nas análises mais recorrentes. Abre-se a possibilidade de
entender os elementos visuais como operadores de discurso, condição primeira para se
desvincular o tratamento da imagem através da sua co-relação com o verbal e de se
descartarem os métodos que "alinham o verbal pelo não-verbal. Este trabalho é, por
enquanto, apenas um ponto de partida.
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2. VILCHES, 1991 localiza de forma pertinente os trabalhos que pautam a
análise da imagem pelos estudos lingüísticos.
3. Mais adiante discutiremos como a relação entre a imagem e o olhar
pode ser mediada pela fala (do outro) num trabalho de paráfrase da imagem.
4. Leitura aqui está sendo utilizada no sentido de decodificação, e
não no sentido de interpretação.
5. O conceito de paráfrase pressupõe o reconhecimento do sentido dado
pelo autor, num trabalho de reprodução.
6. Em trabaho em andamento discutimos de que forma a TV acaba por
instituir a Memória da populaçãp - tanto pelo como Arquivo, quanto pela forma de
interdicurso.
7. O radical -cromo- está sendo utilizado aqui com o sentido aproximado
de cromolitografia, arte de estampar em relevo figuras coloridas. Recobre, portanto, o
jogo de imagens, cor, luz e sombra, etc presentes às imagens.
Tânia C. Clemente de Souza é doutora em Linguística e professora do Mestrado em
Comunicação, Imagem e Informação da UFF.
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