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CANCLINI,
Néstor García. Cultura y Comunicación: entre lo global y lo
local. La Plata: Ediciones de Periodismo y Comunicación, 1997.
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Renata
Maldonado da Silva Lyra.
rmslyra@uol.com.br
O livro Cultura e
Comunicação de Nestor García Canclini consiste em importante contribuição
na linha dos chamados estudos culturais. A obra teve o mérito de
discuti-los a partir da realidade latino-americana. Criticou o chamado
eurocentrismo daqueles que querem compreender a cultura local a partir dos
padrões europeus, considerando-a por isso atrasada e não-civilizada.
O autor
conceituou cultura como um processo em constante transformação,
diferenciando-se da tradicional visão patrimonialista, adotando uma
postura de mobilidade e ação. Defendeu
o polêmico conceito de relativismo cultural. Segundo ele, todas as
culturas possuem formas próprias de organização e características que
lhes são intrínsecas, embora possam nos parecer estranhas, devem ser
respeitadas. Neste segundo sentido, sua postura naturaliza a cultura
humana.
Canclini
considerou o consumo como uma das principais características da cultura
contemporânea. Chamou a atenção, seguindo os passos de Jean
Baudrillard, para a existência do valor dos signos e valor dos símbolos.
Afirmou que, além dos tradicionais valores de uso e de troca, já
analisados por Marx, os objetos também possuem valores relacionados com a
sua significação.
Na
mesma obra, o autor criticou o fenômeno da globalização, considerado
por muitos autores como um processo inevitável. Afirmou, ainda, que os
aspectos culturais globais não perdem sua relação com o local. Devido
à complexidade do mundo em que vivemos, segundo ele, viver-se-ia hoje a
multiculturalidade ou a chamada “hibridização” cultural.
As
vinculações existentes entre comunicação e política foram tratadas na
mesma obra. Para Canclini, uma das principais questões atuais é a de
como promover interações culturais democráticas de longo prazo,
considerando as últimas décadas da história latino-americana. Ele, no
entanto, não abordou a história política dos países desta região nos
últimos trinta anos, desconsiderando sua importância para os problemas
que estudou.
O
autor chamou atenção para os papéis desempenhados pelas indústrias
culturais e pelas cidades. Percebe-se que ele priorizou a cultura criada
por estas últimas, desconsiderando a importância dos aspectos culturais
do campo, por exemplo. Abordou, também, a importância do estudo da
identidade, que é organizada pelos vários grupos sociais. Pensa-se, ao
contrário do autor, que este conceito é uma construção, definido de
acordo com os interesses vigentes.
Discorda-se
do autor, quando afirmou que o imperialismo acabou no mundo contemporâneo.
Considera-se que os problemas latino-americanos não se devem
exclusivamente a ele, mas que ainda se encontra presente em algumas
manifestações culturais da atualidade.
A
obra deste antropólogo consiste em contribuição importante para se
elaborar estudos transdisciplinares na área da comunicação. O autor
tratou da importância do chamado “público”, apesar de não ter
aprofundado a questão. Afirmou a importância deste no chamado processo
comunicacional, enquanto sujeitos históricos atuantes neste contexto.
Renata Maldonado da Silva
Lyra é mestre em Comunicação Social pelo Mestrado em Comunicação,
Imagem e Informação, no Instituto de Arte e Comunicação Social, da
Universidade Federal Fluminense – IACS/UFF.
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