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Ciberlegenda Número 2, 1999 |
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Mídia digital: dos princípios da liberdade à democracia ilusória |
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Patrícia
Diniz Santos pdiniz@digi.com.br
* patricia_diniz@uol.com.br
Resumo Abstract Palavras-chave Introdução Muito vem sendo falado sobre os avanços
tecnológicos e a grande revolução que vem sendo processada na
sociedade em razão de tais avanços. Vivemos em uma chamada Sociedade
de Informação. Mas afinal, quais os conceitos envolvidos nessa nova
sociedade e as reais conseqüências para os envolvidos nos processos
comunicacionais? A questão permanece mais polêmica ainda quando
tratamos da aparente aura democrática que envolve a web. A enxurrada de
opiniões, idéias e outras formas de participação asseguram ao meio
uma comunicação de fato democrática? Devemos
começar revelando alguns conceitos sobre novas tecnologias em comunicação,
que se mostram essenciais para o entendimento do tema. As mudanças não se processam apenas no campo da internet,
apesar de ser este o grande objeto de debate. A grande característica
da nova mídia é a interatividade, fornecendo ligação entre o
consumidor da informação e o emissor, seja através do jornal on line,
da televisão a cabo, da videoconferência, ou do próprio computador e
suas ligações hipertextuais ou conectado à internet, dentre outros
meios que poderíamos citar. Esta
seria a terceira grande transformação na mídia por intermédio da
tecnologia. A primeira ocorreu com
o surgimento das impressoras a vapor e do papel jornal barato. Depois
disso, veio a transmissão por ondas eletromagnéticas (rádio em 1920 e
televisão em 1939). Agora presenciamos um no patamar nas tecnologias de
armazenagem, produção e difusão de informação. Os
números da chamada revolução são assustadores. No mundo, existe 1,26
bilhões de televisores (dos quais mais de 200 milhões funcionam a
cabo), aproximadamente 60 milhões ligados a uma rede digital. A World
Wide Web (WWW) levou apenas nove anos (criada em 1990) para alcançar um
incrível número de usuários: estipula-se cerca de 150 milhões de
pessoas ligadas na internet. Há projeções de que a Internet em 2001
alcance um número de usuários entre 600 milhões e 1 bilhão (1). Sociedade
de Informação
A Sociedade da Informação, ou do
conhecimento, caracteriza-se
pela valorização do saber como forma de acesso ao poder. O pretenso
salto democrático da Terceira Onda (2) veio com o desenvolvimento
tecnológico da sociedade pós industrial e com as novas oportunidades
de renovação social e política. Nessa sociedade, as fontes de poder e
riqueza dependem da capacidade de geração de conhecimento e
processamento de informações. A expansão da tecnologia levou a um
processo amplo de globalização, transnacionalização, novas relações
de trabalho, mudanças no lazer e consumo. Três grandes blocos econômicos estão à frente na elaboração
dessa nova ordem mundial: os
Estados Unidos, a Europa unificada e o Leste Asiático.
Enquanto estes blocos dominam a nova rede tecnológica e de
comunicações, os países periféricos enfrentam uma nova fase de
colonialismo. O abismo causado pelo desenvolvimento tecnológico agrava a
situação social desses países periféricos; na grande maioria não há
autonomia tecnológica, já que os investimentos em pesquisa são baixos
ou inexistentes, sem falar da onda de privatizações no ramo das
telecomunicações – uma das áreas de extrema importância na
soberania de um país. Manuel Castells (3) destaca que todas as
sociedades estão conectadas globalmente em redes de informação, mas há
sociedades majoritariamente conectadas e outras em que somente um pólo
dinâmico pertence a essas redes globais informacionais. E essa seria a
diferença entre desenvolvimento e irrelevância. Se o futuro de cada país está intimamente ligado às conexões
tecnológicas, o Brasil realmente preferiu manter o “status
colonial”. O fosso que nos separa dos mais favorecidos está sendo
aprofundado pela política de cortes na área de ciência e tecnologia,
essencialmente na universidade pública brasileira. A política atual
baseia-se na diminuição de recursos para financiamento da pesquisa e
da pós-graduação, redução das bolsas e em um projeto de
“autonomia” que mascara uma pretensão de desobrigar o Estado do
financiamento das universidades. Em todo mundo, existem aproximadamente 800 milhões de
desempregados. Os países períféricos enfrentam de maneira
desproporcional o processo de automação e apresentam dados ainda
piores. No Brasil, cerca de
60 milhões de pessoas não estão preparadas para lidar com a era da
automação. Além da falta de capacitação para os avanços mais
recentes, mais de 50% dos
brasileiros podem ser considerados analfabetos e a população
economicamente ativa tem um dos mais baixos índices de escolaridade
entre os países em desenvolvimento (em média, freqüenta o curso básico
durante 3,2 anos, enquanto nos países desenvolvidos a média é de dez
anos) (4). O
jornalista Gilberto Dimenstein fala sobre uma nova espécie de
analfabeto: “Quem não souber manejar as redes de computadores e ler o
mundo digital está em desvantagem”(5). É a realidade do analfabeto
digital fadado à discriminação, marginalizado no mundo produtivo e
excluído da Netrópolis (6) – um
espaço desterritorializado que une pessoas em todo o mundo. Esta será
mais uma barreira num país socialmente injusto como o Brasil e mostra a
pior face do desenvolvimento tecnológico. Uma
mudança de atitude como a introduzida pelo computador no mundo
produtivo só havia sido experimentada anteriormente com a revolução
industrial – transformações baseadas no aperfeiçoamento da organização
de produção pela racionalização dos métodos (o trabalho artesanal
foi substituído pela utilização de máquinas). Enquanto a revolução
industrial introduziu o trabalho assalariado, a terceira onda significa
o seu fim. As
forças produtivas passam a ser a ciência e a tecnologia; a economia pós-moderna
diferencia-se da fordista (produção em escala) na medida em que
descarta a padronização e a especialização. Nesta nova realidade,
mercado de trabalho enfrenta o chamado "desemprego
estrutural”(ou "tecnológico"), crescente na mesma proporção
dos avanços. O perfil do trabalhador do futuro estará diretamente
ligado à sua capacidade de aprendizagem. A
importância da web
A internet foi concebida inicialmente como uma rede de comunicação
dos norte-americanos, na época da guerra fria, e acabou utilizada por
universidades e centros de pesquisa com finalidades acadêmicas. Até o
início da década de 80 era predominantemente norte-americana até o
grande boom da World Wide Web. A
possibilidade de publicação de documentos unindo texto, imagens, som e
vídeos foi um dos artifícios que mais contribuiu para o crescimento da
Internet. Além disso, o hipertexto como interface atrativa e de fácil
manuseio, estabelecendo infindáveis links, inaugurou uma leitura não
linear; ou seja, o texto não obedece a ordem início/meio/fim. A partir
daí, a navegação tornou mais fácil o intercâmbio entre culturas e a
difusão de informação.
No Brasil, em menos de um ano a internet dobrou de tamanho em número
de usuários. A Internet faz parte do universo de 7% dos 15.115
entrevistados pelo IBOPE para a 3ª edição da pesquisa Internet Brasil
projetando cerca de 2,5 milhões de internautas no Brasil (7). São
informações de todas as espécies disseminadas através de sites ou
levadas à discussão em grandes assembléias na forma dos grupos de
discussão (8).
A rede também facilita a
transmissão de informação
para um número ilimitado de pessoas, através de broadcasting
na rede – o webcasting - a custos considerados baixos. Essa capacidade
está sendo explorada principalmente pelos veículos de comunicação e,
agora, começa a ser usada para fins publicitários. É a web a serviço
da economia seja na forma de comércio eletrônico, na guerra entre os
fabricantes de softwares, principalmente na indústria de anti-vírus. Como a televisão foi alvo de inúmeras críticas e estudos
por sua informação ágil e pelo poder de manipulação, a internet
agora passa a ser o objeto de sedução e centro da análise. Muitos
consideram a web um instrumento democrático, já que torna acessível
uma infinidade de informações sem nenhum tipo de censura. Seria a
passagem de uma comunicação massiva da mídia convencional para uma
comunicação democrática. A rede tem por definição a
inexistência de censuras. O sociólogo Pierre Lévy, um dos grandes defensores do
potencial do ciberespaço fala sobre possibilidade de uma nova forma de
democracia através da apropriação das novas tecnologias. O “novo
espaço do saber” seria a chave para profundas mudanças sociais, econômicas
e políticas personificadas em um modelo de sociedade sem vínculos
territoriais, relações institucionais ou laços de poder. Internet
e democracia Nada garante que o potencial
democratizante do ciberespaço leve a uma realidade bem sucedida. Para
começar, é preciso superar a dificuldade de acesso à tecnologia –
um aparato tecnológico que inclui computadores em constante mudança e
provedores de acesso com preços proibitivos para uma grande parcela da
população. Apenas 2% da população mundial está conectada à
internet. O próximo passo será identificar
o modo com o meio será usado; Além da predominância de home pages
institucionais com distribuição da “informação permitida”,
existe a acusação de que as relações através da rede levam à
homogeneização das culturas e do pensamento de forma submissa e
consumista (9). A rede materializa não só o inglês como idioma
universal, mas também padroniza os conteúdos e as formas de transmissão
e recepção de informações. A
rede também cria suas próprias hierarquias e leis. A chamada
“netiqueta” é uma prova de que as relações são guiadas por uma
espécie de código de ética. Mesmo dentro das “regras”, as idéias
podem esbarrar em outros tipos de restrições. Além de exigir o domínio
de códigos, símbolos e língua, é preciso superar outras barreiras na
sociabilidade. Ao contrário do que se imagina, as relações ainda se
encontram vinculadas a barreiras geográficas e culturais.
Dados comprovam que a interação internacional, isto é, o
contato com usuários de outros países (seja pela troca ou pela
consulta a informações), circula em torno de 43%, sendo que esta
atividade é cada vez maior em países ditos periféricos. Fica claro
que os usuário dos países ricos tendem a se comunicar menos com
informações estrangeiras do que aqueles dos países pobres. Os
internautas dos países periféricos visitam constantemente informações
produzidas nos países ricos, de maneira até desproporcional (10). Privacidade
X Controle
A tecnologia permite a capacidade de divulgar informações na
mesma velocidade em que pode espionar as próprias fontes. A afirmação
nos leva a uma pergunta inevitável: a internet está a serviço de
quem? Será um longo caminho percorrido nas inúmeras teorias
conspiracionistas, que inclui a Microsoft como líder absoluta na
corrida pelo poder. Afinal, as
empresas que disputam o mercado da tecnologia informática e das
telecomunicações sabem que o domínio da informação significa a
conquista do poder.
O fato é que o Estado pode sim conseguir informações sobre os
cidadãos. Não só os Estados, mas qualquer grupo econômico que tenha
em mãos a tecnologia adequada. É certo que todos os comandos
realizados na rede estão disponíveis para monitoramento; é possível
juntar informações sobre o meio usado, a freqüência de uso, o
destino da mensagem, o assunto e até mesmo o conteúdo de qualquer
mensagem. É preocupante que informações
transmitidas pela rede possam vir a ser controladas por uma espécie de
Big Brother, como na obra “1984” de George Orwell. O risco do
controle de informações torna-se ainda mais iminente com a internet e
já é fato que grande parte dos sites consegue dados de seus visitantes
através de “cookies”. Pesquisa divulgada na revista Veja (dias 21 a
27/03/99) afirma que pelo menos 92% dos sites norte-americanos obtêm
informações de seus visitantes, seja através de formulários ou de
cookies. Recentemente foi divulgado (11) que a National Security
Agency (NSA) dos EUA, com a colaboração de agências similares da
Austrália, Canadá, Inglaterra e Nova Zelândia, tem em mãos um
sistema de espionagem global: o Echelon. A finalidade seria propor (ou
aprovar) algoritmos para uso do governo norte-americano e quebrar os
sistemas criptográficos de outras nações, tendo acesso ao conteúdo
das suas comunicações. O
Echelon pode capturar e analisar qualquer chamada telefônica,
e-mail ou transmissão de fax e telex em qualquer parte do planeta, não
importando o meio de transmissão utilizado (satélite, microondas,
celular ou até fibra óptica). As mensagens podem ser minuciosamente
examinadas à procura de palavras-chave. Qualquer mensagem que contenha
uma dessas palavras é automaticamente gravada e transcrita para
posterior exame. Para
que o Echelon possa desempenhar sua missão é preciso que as mensagens
interceptadas não sejam criptografadas ou o sejam com chaves da ordem
de 40 bits, já que estas podem ser decifradas em tempo real pelos
supercomputadores da NSA. Por isso o tema criptografia anda na pauta de
discussão de vários países e alguns deles até proíbem a importação
de ferramentas para criptografias. Nos EUA as únicas permitidas são
chaves menores, de seis caracteres para cada letra – que podem ser
facilmente interceptadas. No
Brasil, uma lei (12) permite que a polícia intercepte ligações telemáticas
ou telefônicas com ordem judicial. As reações aqui ainda são tímidas,
mas no mundo inteiro campanhas mostram preocupação de como estas
informações serão usadas no futuro e em benefício de quem. A
privacidade na rede está em jogo e com isso a própria segurança. A
tecnologia permite determinar nome, endereço eletrônico, localização
e as próprias preferências dos usuários. O big brother está vivo,
vigiando milhares de pessoas neste momento. Sobre
os limites
A
questão da liberdade de expressão na rede esbarra na discussão sobre
a necessidade de censura na internet. Muitos países ainda proíbem o
acesso ou controlam através de filtros de conteúdo. Na Arábia
Saudita, todos os sites são controlados pelo governo – que bloqueia o
acesso a conteúdos considerados ofensivos ao islamismo. O Vietnã
estabeleceu, através de decreto, o controle de conteúdo e a censura na
Internet. O controle chega a níveis extremos. Na China, dois hackers
que invadiram um banco foram mortos, e pessoas que escreviam e-mails a
favor da democracia presas (Fonte: Folha de S. Paulo, 30/06/99). Com tantas agressões à livre
expressão, foi criada uma forma de protesto: a maior campanha que em
favor da liberdade intelectual nos meios de difusão online. É a
Campanha do Laço Azul (como símbolo dos direitos civis básicos no
ciberespaço) que começou nos Estados Unidos e já se espalhou por todo
o mundo. Organizações de defesa dos direitos civis e da liberdade de
expressão on-line repudiam qualquer forma de censura. Mas
a rede precisa de fato de alguns limites administrativos ou seria um
ambiente auto-regulador? Muitos acreditam cada um decide em que
comunidade virtual deve interagir, de acordo com as regras de cada uma,
ou que os pais devem exercer o controle sobre os seus filhos.
Alguns sites já dão garantias a seus visitantes, certificados
de segurança ou indicações de instituições renomadas. Mesmo assim,
ainda existem muitos espaços para promessas enganosas, fraudes e páginas
de conteúdo racista ou pornográfico. Muitos desses conteúdos ferem
leis e questões éticas. Já está sendo exercido uma espécie de
controle por provedores de acesso e, na maioria das vezes, o que é
crime no mundo real passa a ser crime na rede de acordo com o espaço
geográfico.
A censura na internet também pode estar sendo processada de
forma mais sutil. Como aconteceu com a televisão, progressivamente, o
capitalismo se encarrega de excluir ou marginalizar os espaços que
contrariem as normas comerciais. Através de portais, banners, ou
sistemas de busca que direcionam as preferências. Essa é uma previsão
que não pode ser descartada. Oligopolização
dos meios
Os meios de comunicação de massa
são mais uma arma usada pelo globalitarismo (13) para manter as aparências
de democracia. No Brasil, a ligação está quase explícita. O
professor da UFBA Sérgio Mattos revela em seu livro “O Controle dos
Meios” os incentivos que
o Estado fornece aos meios de comunicação como forma de pressão e
controle. A ajuda oficial pode ser a concessão de rádios ou tvs, isenção
de impostos e empréstimos obtidos junto aos bancos oficiais. “Em 1992, a título de exemplo,
a Rede Globo de Televisão foi contemplada com um empréstimo da Caixa
Econômica Federal, a juros de 12% ao ano, numa época em que as taxas
de juros oscilavam de 25% a 30% ao mês”. Para o professor Sérgio
Mattos, os interesses e benefícios dirigidos à Globo são por causa do
índice de audiência (cobre 99,84% dos 5.043 municípios brasileiros e
chega a 74% de audiência no horário nobre). A hegemonia da rede Globo alcança
a área de TV paga - através do sistema NET detém 70% dos 2,5 milhões
estimados de assinantes no país; os outros 30% são assinantes da TVA
da Editora Abril e pequenos operadores – e agora também é um dos
grupos acionários de uma das operadoras de telecomunicações. A globalização tem como uma das
principais conseqüências mais evidentes a concentração da
propriedade, são as mega-empresas mundiais que dominam a área de
comunicação. Essa política internacional tem a presença não só das
novas mega-empresas, mas também dos organismos internacionais - nos
quais os Estados nacionais atuam formulando políticas públicas
nacionais e internacionais do setor. No Brasil o favorecimento a essa
política vem desde o início do Governo de Fernando Henrique Cardoso: a
Lei do Cabo (Lei 8.977/1995) permite a participação estrangeira em até
49% do capital das concessionárias; a quebra do monopólio estatal das
telecomunicações (EC 08/1996); a Lei Mínima (Lei 9.295/1996) permitiu
a entrada de capital estrangeiro nas áreas de telefonia celular e das
telecomunicações via satélite, no limite de 49%, até julho de 1999;
e a Lei Geral de Telecomunicações (Lei 9.472/97) que autoriza o Poder
Executivo a estabelecer quaisquer limites à participação estrangeira
no capital de prestadora de serviços de telecomunicações; sem falar
na privatização do sistema Telebrás(14). Com os meios de comunicação
subservientes e uma política baseada na dependência de países os
quais são nossos competidores, qualquer tentativa de mudança torna-se
nula. Nós temos o “potencial democrático” através da internet,
mas continuamos amarrados na “periferia colonial”. O controle
neoliberal talvez possa ser derrubado pela sociedade se chegarmos, um
dia, a um estágio onde cada um reivindique, em primeiro lugar, o
direito à informação. Conclusão
As
novas tecnologias levarão a mudanças no próximo milênio onde uma única
máquina será capaz de integrar computadores, aparelhos de tv,
videocassetes, compact discs. Os benefícios dessas mudanças são
facilmente enumerados, mas as reais conseqüências não podem ser
medidas. De fato, podemos chegar a um estágio de democracia cultural,
mas a pretensa revolução informática parece mais um elemento da
industria cultural (15), com uma nova roupagem.
Torna-se cada vez mais difícil crer no suposto discurso
modernizante de que a mudança técnica vai mudar toda a estrutura
social. A comunicação através das novas tecnologias continua
massificante no conteúdo disponibilizado e na quantidade. As barreiras
se tornam os critérios usados na retenção da informação ou na
confusão que os excessos causam. Assim com a televisão caracterizou-se
pela velocidade das imagens e textos, a internet caminha para a
sobrecarga de informações. E o pior, poucos se dão conta disso e não
sabem distinguir o aprendizado real de uma satisfação ilusória.
O acesso à informação significa, antes de tudo, o rompimento
do controle dos conglomerados de comunicação e o fim das benesses
oferecidas pelos Estados a esses grupos. Seria o fim do monopólio da
informação unidirecional do centro (grupos dominantes) para a
periferia (explorados). A
existência de sociedades democráticas não estará assegurada a partir
do nascimento de nenhum meio, mas sim com o surgimento de conquistas
coletivas e na distribuição igualitária dos conteúdos informacionais.
A educação ainda é a mola mestra do desenvolvimento. Ao assegurá-la
garantiremos muito mais que uma consciência crítica, nos tornaremos
capazes de exigir o direito à informação qualificada - quer dizer, o
domínio dos códigos formais (oral ou escrito) e técnicas narrativas
nos torna capaz de exercer de fato a cidadania digital. Notas
Bibliográficas
(1) Fontes: A Internet e as novas desigualdades (www.esec-canecas.rcts.pt/mario/internet-desigualdades.html
; O Futuro da Internet.
Revista Internet.br (http://www.internetbr.com.br/secoes/colunistas/parabolica/parabolica37/intro.asp
; A saga da Internet. Folha de São
Paulo. 19/02/98. (2) Tofler,
A. A Terceira Onda. Rio de
Janeiro: Record. 1980 (3) A
revolução de um mundo ligado. Entrevista dada à Folha de São
Paulo. 23/03/99. (4) Dados da Revista Tecnologia Hoje. Especial. Globalização
exige novo (5)
Dimenstein, Gilberto. Projeto Aprendiz. Coluna América. 18 a 24/01/98. http://www.uol.com.br/aprendiz/colunas/gilberto/america
(6) Moreno, Júlio. Da
cidade de pedra à cidade virtual. Jornal da Tarde. SP. (7) Pesquisa Cadê/Ibope-99. Projeção baseada na estimativa de
36.674.128 de habitantes da população residente urbana nas 9 regiões
metropolitanas pesquisadas, de acordo com o Critério Brasil. (8) Comunidades
virtuais, fóruns eletrônicos ou newsgroups. (9) SOARES, Delfim. Revolução
cibernética na comunicação e ilusão democrática. Ciberlegenda,
Número 1, 1998. (10) Cardoso, Cláudio.
Notas sobre a Geografia do
Ciberespaço. Em Pré Textos http://www.facom.ufba.br/pretextos . (11)
Franco, João
Henrique. Criptografia: mantendo o
Big Brother vivo. Web World. 19/01/99. (12) Lei Nº a Lei No. 9.296 de 24 de
julho de 1996. André Lemos faz uma breve crítica da lei no artigo De
olho no seu e-mail, em A Tarde, 25/09/96. (13) SOARES, Delfim. Globalitarismo e dependência tecnológica. Considerações sobre a
transnacionalidade de uma crise. Ciberlegenda, Número 2, 1999. (14) Lima,
Venício de A. Globalização das
comunicações: o novo e o velho no sistema brasileiro? Em Pré
Textos http://www.facom.ufba.br/pretextos
. (15) Conceito trabalhado pelos teóricos
da Escola de Frankfurt que aponta a vulgarização da cultura e o
discurso manipulador das mídias na massa. Bibliografia
A
Internet e as novas desigualdades www.esec-canecas.rcts.pt/mario/internet-desigualdades.html
A
saga da Internet. Caderno Especial.
Folha de São Paulo. 19/02/98 Agre,
Phil. Building an
Internet culture, Telematics and
Informatics. http://dlis.gseis.ucla.edu/people/pagre/
Cardoso,
Cláudio. Notas sobre a Geografia
do Ciberespaço. Em Pré Textos http://www.facom.ufba.br/pretextos
Dimenstein,
Gilberto. Projeto Aprendiz. Coluna
América. 18 a 24/01/98. http://www.uol.com.br/aprendiz/colunas/gilberto/america
DIZARD Jr., Wilson. A nova Mídia. A Comunicação de Massa na Era da Informação. Rio
de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998 Ercília,
Maria & Toledo, José
Roberto. A revolução de um mundo
ligado. Caderno Mais. Folha de São Paulo. 23/03/99. FADUL, Anamaria (org.). Novas
Tecnologias de Comunicação. São Paulo: Summus Editorial, 1986. Franco,
João Henrique. Criptografia:
mantendo o Big Brother vivo. Web World. 19/01/99. Globalização exige
novo perfil profissional. Revista Tecnologia
Hoje. Especial. http://www.techoje.com.br
LAPPIN, Todd. A liberdade de
informação também tem seu preço. Caderno Especial. Folha de S.
Paulo, 19/02/98. Lutfi, Adriana. Internet ainda sofre com as
proibições. Folha de S. Paulo. 30/06/99 Lemos, André. As estruturas antropológicas do cyberespaço http://www.facom.ufba.br/pesq/cyber/lemos/estrcy1.html
_____________ De olho no seu
e-mail. A Tarde, 25/09/96. LÉVY, Pierre. Um sistema auto-regulador. Caderno Mais. Folha de S. Paulo.
12/04/98 ___________ Tecnologias
intelectuais e modos de conhecer: nós somos o texto http://www.hotnet.net/~candido/nossomos.htm
Lima,
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comunicações: o novo e o velho no sistema brasileiro? Em Pré
Textos http://www.facom.ufba.br/pretextos
Moreno,
Júlio. Da cidade de pedra à
cidade virtual. Jornal da Tarde. SP. Pinheiro,
Marcos Vinicius. O Futuro da
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Reinaldo
Filho, Demócrito. As comunidades
virtuais: o desaparecimento dos limites geográficos na organização
político-social e os riscos de surgimento de novas formas de dominação.
http://www.infojus.com.br/area1/democritofilho7.htm
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de S. Paulo, 19/02/98. SOARES, Delfim.
Globalitarismo e dependência tecnológica. Considerações sobre a
transnacionalidade de uma crise. Ciberlegenda, Número 2, 1999. ______________ Revolução
cibernética na comunicação e ilusão democrática. Ciberlegenda,
Número 1, 1998. Tofler, A. A
Terceira Onda. Rio de Janeiro: Record. 1980 Tótora, Roberta.
Cidadania Digital. http://www.cac.ufpe.br/cultvirt/sinais/totora2/totora2.htm
Vianna,
Hermano. As Tribos da Internet.
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