Prédios novos mais seguros
Freqüentes quedas de fachadas de edifícios recém-inaugurados levam equipe
da UFF a desenvolver pesquisa de material para construtoras

Estudantes e professores criaram
10 painés para testar revestimentos
A cidade não
pára de crescer, prédios modernos surgem, mas é comum ver novas fachadas que
caem e põem vidas em risco. Um grupo de alunos e professores de Engenharia
Civil e Arquitetura da UFF percebeu o risco que essas novas construções, mal
executadas, representam para a sociedade e desde 2001 desenvolve um projeto de
avaliação do desempenho do revestimento de fachadas.
O trabalho
consiste na pesquisa dos principais materiais utilizados pelas construtoras e na
montagem de 10 painéis erguidos com tijolos de cerâmica para colocar em prática
o que foi estudado. Eles estão começando a ser construídos, terão dois
metros de comprimento por por dois de largura e ficam no campus da UFF na Praia
Vermelha, expostos à ação do sol, vento e maresia. “Serão 10 revestimentos
diferentes para estudar melhor seu desempenho ao longo de 10 anos”, explica a
professora de Recuperação e Reforço de Estruturas Regina Helena Ferreira de
Souza.
Mas não será
necessário esperar todo esse tempo para as descobertas serem aplicadas. Rodrigo
Belém, estudante de Engenharia Civil, está no projeto desde agosto e conta que
os painéis estão sendo construídos com o financiamento de construtoras.
“Elas estão financiando os painéis e imediatamente vão utilizar o resultado
dos estudos em suas construções”.
Material
usado em fachadas do Rio não é resistente
A primeira
parede está sendo revestida com argamassa de cimento e areia. “Esse
revestimento é o mais usado no Rio e é menos resistente que cal”, garante a
aluna de Arquitetura Daniela Verçosa. A segunda recebe argamassa com cal. “É
muito usado em São Paulo e nos outros estados”, diz Regina.
As outras
paredes terão argamassa industrializada, argamassa com monocapa, revestimento
de cerâmica, revestimento de pastilha e revestimento em pedras decorativas.
“Com base nas argamassas, serão estudados diferentes tipos de tintas e
texturas. As construtoras não fazem pesquisas, por isso queremos testar todos
os materiais. Ninguém mais vai comprar um apartamento e logo depois descobrir
que a fachada está prestes a cair”, brinca a professora.
Regina cuida
do projeto como uma mãe e recruta estudantes de Arquitetura e Engenharia. “Os
arquitetos projetam, e os engenheiros executam. Preciso dos dois para me
auxiliar”, diz.
Trabalhos de alunos ajudaram a conseguir financiamento
Ivan Ramalho,
professor de Materiais de Construção, e a professora Regina Helena são os
coordenadores do projeto. Eles fizeram a solicitação de auxílio à pesquisa
em agências de fomento com a ajuda de trabalhos acadêmicos desenvolvidos por
alunos. O projeto obteve financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do
Rio de Janeiro (Faperj) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do
Governo federal.
“Finep e
Faperj financiam 70% do montante solicitado. Os outros 30% têm que vir de
empresas”, conta o professor Ivan Ramalho. O projeto já conseguiu a adesão
de três construtoras: Pinto de Almeida, JM Construtora e RG Cortes. Ainda
segundo o professor, essas empresas são consultadas sobre qual material
utilizado em suas construções. Assim, o estudo pode ser feito em escala real.
Além da UFF,
outras universidades estão envolvidas no trabalho. “Estamos atuando junto com
a UFRJ e Uerj para expandir as pesquisas e construir outros modelos de painéis
nessas universidades”, explica Regina.

O GLOBO, Niterói, 07 de março de 2004
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