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LABORATÓRIO DE PSICOPATOLOGIA FUNDAMENTAL,
PSICANÁLISE E PSICOSSOMÁTICA
Composição da mesa do evento inaugural:
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Ilustríssimo Vice-Reitor
Prof. Dr. Antônio José dos Santos Peçanha
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Diretor do ICHF Prof. Dr.
Francisco de Assis Palharini
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Diretor do CEG Prof. Dr.
Humberto Fernandes Machado
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Representando a Propp Prof.
Dr. Sérgio José Xavier de Mendonça
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Pro-Reitor de Planejamento
- Prof. Dr. Hiram Fernandes
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Chefe do Departamento de
Ciência Política Prof. Dr. Cláudio de Farias Augusto
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Departamento de Psicologia
Profa. Dra. Margarida de Andrade Serra
-
Diretor da Associação
Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental – Prof. Dr. Manoel
Tosta Berlinck
-
Representante da Direção do
LABPFPP Prof. Dr. Paulo R Mattos
Prof. Dr. Paulo R Mattos
Neste momento
inaugural cabe registrar, de forma sucinta, alguns aspectos de capital
importância para melhor se entender o que aqui marcamos com este evento
consagrado pela participação de todos os colegas, autoridades acadêmicas aqui
presentes e, de especial modo, com a honrosa visita do Prof. Dr. Manoel Berlinck,
Presidente da Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental
e do nosso colega Prof. Dr. Mario Pereira, diretor do Lab. de Psicopatologia
Fundamental da Unicamp.
Servimo-nos deste encontro para revisitar um percurso coberto por um grupo de
trabalho e para apontarmos os novos rumos da trajetória que agora se almeja.
O Laboratório de Psicopatologia Fundamental, Psicanálise e Psicossomática desta
Universidade nasce do espaço consolidado de um projeto de extensão permanente,
expressão do vínculo contínuo, desde longa data, entre o Departamento de
Psicologia e o Hospital Universitário Antonio Pedro, a completar 20 anos em
2006. Trabalho sempre sustentado de modo a fomentar desdobramentos e conexões
produtivas na esfera do ensino de graduação e pós-graduação, pesquisa e
extensão. O programa extensionista aqui referido se pautou desde a sua origem,
ao longo do ano de 1986, pelo esforço de construção de uma prática
multidisciplinar direcionada para a escuta do sofrimento psíquico que atravessa
o sujeito quando o corpo abre algum tipo de falência, criando uma exigência de
intervenção estranha a experiência cotidiana, exigindo cuidados especializados.
A dor humana mostra sempre o caráter circulante e intrincado que envolve as
relações complexas existentes entre o corpo e o psiquismo. Esse foi o ponto de
partida que nos fez seguir em direção ao Hospital Geral. Longe de qualquer
medicalização do saber psi, mais distante ainda da psicologização da medicina,
se procurou desenvolver e implementar uma escuta ampliada do pathos humano em
território médico e, a partir dela, investir em uma melhor forma de tratá-lo
conjuntamente.
Quase 20 anos transcorridos, período no qual o projeto permanente de extensão
“Serviço de Psicologia da Área Cirúrgica – GSI/HUAP” alimentou atividades
clínicas e concorreu de maneira direta para a criação de disciplinas
obrigatórias e optativas e estágios curriculares do curso de graduação em
Psicologia voltados para a clínica na situação específica do contexto
hospitalar. Fez-se também presente contribuindo para a criação, em parceria, o
primeiro curso de Pós-Graduação Lato Sensu do Departamento de Psicologia,
sustentando a vertente “Atendimento Psicológico em Instituição Hospitalar”,
desdobrada posteriormente no curso “Fundamentos Transdisciplinares da Clínica
Psicológica em Hospital Geral”, temporariamente suspenso, mas que será retomado
em breve como atividade acadêmica de pós-graduação vinculada ao LPFPP.
Cabe realçar, como marca da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e
extensão, tida como meta constante no nosso horizonte de trabalho, que o projeto
“Serviço de Psicologia da Área Cirúrgica” ensejou também espaço para elaboração
de inúmeros trabalhos monográficos de final de curso e para o desenvolvimento de
pesquisas clínicas publicadas e/ou apresentadas em diversos congressos. Neste
percurso há que se destacar o prêmio de Iniciação Científica Vasconcelos Torres,
do ano 1997, e o prêmio Josué de Castro no ano de 2003 como melhor trabalho de
extensão na esfera da área de saúde, concorrendo com trabalhos vinculados a
medicina e demais disciplinas afins. Quanto a produção acadêmica há que se
destacar a elaboração de 50 monografias de graduação e de pós-graduação, cerca
de 30 trabalhos apresentados pelos nossos alunos em congressos e,
aproximadamente, 20 artigos publicados em revistas com corpo editorial. Foram
promovidas 10 Jornadas Internas, onde todos os integrantes do SPAC foram
convocados a apresentar trabalho escrito de natureza crítica sobre suas práticas
clínicas. Ao longo de sua existência passaram pelo Serviço em torno de 400
alunos com predominância de estudantes do curso de graduação e com 20% deste
total dedicados a estudos pós-graduados, em nível de especialização,
responsáveis pelo atendimento supervisionado de 14.100 pacientes. Pelos
resultados alcançados o SPAC sistematicamente foi agraciado com diversas bolsas
de Iniciação Cientifica e de Extensão, além de contar com o concurso de
monitores vinculados as disciplinas ministradas pelos coordenadores do projeto.
Nos anos iniciais de seu estabelecimento o programa contou também com a valiosa
contribuição do Prof. Dr. Fernando Feitoza. Longa trilha percorrida, hoje
culminando na criação do Laboratório de Psicopatologia Fundamental, Psicanálise
e Psicossomática do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia vinculado
plenamente ao Hospital Universitário Antonio Pedro e comprometido com sua
realidade e seus problemas.
Neste momento não poderia faltar a presença em sua mesa inaugural pessoas que
apoiaram de maneira consistente nosso trabalho desde a sua origem, não nos
deixando esquecer em tempo algum que, a luz de um compromisso ético assumido,
sempre procuramos honrar a aposta que se dispuseram a fazer em nossa perspectiva
de trabalho.
Lembramos também que o LabPFPP da UFF faz retornar de maneira imediata a
universidade e a sociedade investimento governamental em programa de capacitação
docente, infelizmente, hoje interrompido por estreiteza do olhar burocrata, o
que causa certamente a todos uma lástima profunda, mas não capaz de trazer o
arrefecimento do ânimo que se faz presente em cada integrante do Serviço de
Psicologia da Área Cirúrgica, agora também participantes do Laboratório. Desta,
hoje, extinta possibilidade de capacitação docente emerge nosso profícuo
encontro com o Prof. Berlinck e a idéia da criação do Laboratório – UFF vem a
brotar de nossas inúmeras e agradáveis conversas, perfazendo agora 11
Laboratórios no Brasil, aglutinando pesquisadores com interesse em promover a
investigação clínica, especialmente no âmbito da Psicopatologia Fundamental e da
Psicanálise. Na UFF, acrescentamos o campo da Psicossomática, destacando ênfase
ligada a nossa própria história e percurso em território médico. Também aqui se
pretende dar visibilidade pública à marca do destino reservado ao LabPFPP da
UFF. Construir parcerias, segundo a lógica já presente neste evento costurado em
íntima conexão com o Lapso, o Laboratório Cidade e Poder e o Laboratório de
Psicopatologia Fundamental da PUC-SP. Além disto, desta maneira, se reconhece em
sua origem e em suas produções futuras as insígnias do Departamento de
Psicologia, especialmente do setor de clínica ao qual nos orgulhamos em
pertencer, do Departamento de Ciência Política, do Hospital Universitário
Antônio Pedro, como espaço privilegiado, mas não exclusivo, de nossa pesquisa
clínica e de promoção de ato que contemple o pathos humano, e da Associação
Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental como interface primeira
de nossa conexão com outros pólos de ensino e pesquisa clínica.
Para finalizar, agradecemos a todos os presentes a oportunidade de
compartilharmos este momento e certamente teremos na conferência do Prof. Dr.
Manoel T. Berlinck, com mesa presidida pelo Prof. Dr. José Henrique Valentim
logo a seguir, aspectos relevantes para aprimorarmos nossas pesquisas clínicas,
da mesma forma como a mesa co-patrocinada pelo Lapso sublinhou produtivamente a
importância de se pensar as conexões mais sutis entre Psiquiatria e Psicanálise.
Lembramos também que amanhã o Prof. Dr. Berlinck trabalhará o tema
“Obsessividade e Neurose Obsessiva: A Civilização e seu Mal-Estar” em atividade
patrocinada conjuntamente com o Laboratório Cidade e Poder do Departamento de
História, tendo o Prof. Dr. Gisálio Cerqueira Filho, também membro da direção do
LabPFPP, como presidente da mesa.
Agradecemos a presença de todos e o apoio institucional que nos foi concedido a
este evento e a própria criação do Laboratório de Psicopatologia Fundamental,
Psicanálise e Psicossomática da Universidade Federal Fluminense. Esperamos que
nossos esforços denotem a energia circulante na Universidade Pública responsável
pela sua perenidade a despeito das políticas circunstanciais nem sempre
dispostas a reconhecer o seu papel na construção de um Brasil mais igualitário,
autônomo e fraterno.
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