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O Casarão

Conjunto arquitetônico composto por duas edificações de épocas distintas. Falar da história desses prédios é rememorar o bairro de São Domingos do século XIX, caracterizado por belas chácaras e recantos sombreados. É dessa época o velho solar, que teria sido construído entre 1840 e 1845, sendo propriedade e residência do antigo Cônsul da Grécia, Othon Leonardos. A área achava-se primitivamente coberta de árvores frutíferas. Mais tarde, o prédio foi adquirido para a instalação da seção masculina do Gymnasio Bittencourt Silva, nos níveis primário e secundário, inaugurado em 30 de maio de 1926. O sobrado, de construção mais recente, era residência do diretor, o Professor Francisco Bittencourt Silva.

Durante a década de 50, o colégio alcançou seu apogeu, fechando suas portas em 1968, por motivo da avançada idade de seu fundador. Já em 1969, os prédios foram desapropriados e, neste mesmo ano, se instalou o Instituto de Matemática da Universidade Federal Fluminense. Em 1970, o prédio passou a abrigar os cursos de Ciências Humanas e Filosofia; e, finalmente, em 1979, passou a abrigar o Instituto de Arte e Comunicação - IACS.

O antigo solar, com implantação em centro de terreno, foi construído entre 1840 e 1845, como sede de chácara. Trata-se de um casarão de dois andares, com tipologia urbana e implantada à maneira rural. O espaço interior foi bastante alterado. A fachada principal apresenta, no térreo, uma grande porta de folha dupla, em arco pleno, e grandes janelas com cercaduras em cantaria, denunciando o uso dos serviços de cocheira e estrebaria. O pavimento superior continha a função residencial: dois salões de frente, biblioteca, quatro grandes quartos, cozinha espaçosa e outras dependências menores; uma seqüência de portas-janelas em arco pleno, que se abrem para um balcão sacado, com guarda-corpo de ferro forjado. As paredes externas têm 90cm de espessura no pavimento térreo, e 60cm no segundo pavimento. As paredes internas eram, originalmente, de pau-a-pique, posteriormente substituídas. O forro dos cômodos é em pinho-de-riga.

Mais à frente, próximo à rua, está o segundo prédio tombado. Trata-se de uma edificação de dois pavimentos, construída na segunda década do século XX. O edifício possui varanda com uma esbelta coluna em ferro fundido, levemente decorado, que sustenta o piso da varanda do pavimento superior. Grades nas varandas e nas sacadas, em ferro fundido, completam o desenho da fachada.

Tendo em vista o valor cultural das edificações, a Prefeitura de Niterói tombou os prédios através da Lei nº 1.337, de 3 de novembro de 1994.

Retirado do livro "Niterói Patrimônio Cultural", editado pela SMC/Niterói Livros em 2000.


O IACS e a trajetória da criação dos
Cursos de Cinema no Brasil

Uma das resoluções aprovadas pelo 1º Congresso Brasileiro de Cinema (1952) – reafirmada no 2º Congresso (1953) – propunha a criação de uma Escola Nacional de Cinema, vinculada à então Universidade do Brasil (atual UFRJ), possivelmente inspirada em escolas de Cinema européias, como o IDHEC, da França, e o Centro Sperimentale di Cinematografia, da Itália. Esta resolução mostra uma certa insatisfação pela formação empírica (de aprender fazendo) que os profissionais de Cinema tinham e, ao mesmo tempo, uma preocupação manifesta por uma formação mais sólida.

No entanto, só a partir dos anos 60 é que as primeiras escolas universitárias de Cinema começaram a aparecer. Duro é saber de verdade qual a primeira.

 

Poderia ter sido a Escola Nacional de Cinema, proposta pelos Congressos Brasileiros de Cinema e cujo projeto começou a ser elaborado em 1956, a partir da criação da Comissão Federal de Cinema pelo presidente Juscelino Kubitschek, que continuou com o GEICINE, criado pelo presidente Jânio Quadros em 1961. ambos trabalharam em conjunto com a Associação Brasileira de Cronistas Cinematográficos, que a partir de 1960, na I Convenção da Crítica Cinematográfica, começou a elaborar o projeto de organização da Escola. Mas ela nunca saiu do papel, e no papel foi extinta
depois do golpe de 1964.

 

Assim, a Escola de Cinema da Universidade Católica de Minas Gerais (atual PUC-MG), surgida em 1962 em Belo Horizonte, disputa a primazia com o curso da Universidade de Brasília (UnB), que começa em 1965. Infelizmente, o primeiro fecha no início dos anos 70, enquanto que o segundo continua funcionando até hoje, apesar dos tropeços e algumas interrupções. A primeira (e grave) foi justamente em 1965: 15 professores são demitidos (...), outros 210 pedem demissão em solidariedade. A ditadura militar, em fase de consolidação, não podia comportar uma experiência como aquela, em plena capital da República. Setembro/outubro de 1965, um sonho termina: alunos e mestres retornam a seus estados.[i]

 

Sob alguns aspectos, foi um péssimo negócio para a ditadura militar: dois daqueles ex-professores de Cinema da UnB criariam (ou ajudariam a criar) dois novos cursos de cinema no país. Um foi Paulo Emílio Salles Gomes, que ajudaria a formar o curso de Cinema da Escola de Comunicações Culturais (mais tarde, Escola de Comunicações e Artes – ECA) da USP.

O outro foi Nelson Pereira dos Santos.



fonte: www.abi.org.br


A experiência do magistério da UnB havia sido rica para Nelson – mas prematuramente abortada. Em 1968, ele propõe ao reitor da Universidade Federal Fluminense, Manoel Barreto Netto, criar um Curso de Comunicação semelhante àquele de Brasília. (...) Em maio de 1968, Nelson é designado responsável pelo setor de arte cinematográfica da UFF e, junto com outros professores, recebe a tarefa de estudar as diretrizes para o funcionamento do Instituto de Arte e Comunicação. (...)[ii]

 

 

Além das diretrizes para o futuro IACS, Nelson também realiza, com os alunos, o primeiro filme da UFF:

 

(...) "Daí ele [Nelson] apareceu e disse que tinha a grande solução: íamos fazer um filme sobre a universidade, sobre a reforma universitária e as suas influências na UFF.(...)" (...) para impedir eventuais obstáculos à execução do projeto na própria UFF, Nelson tomou as suas providências: "Logo no primeiro dia foi filmar o reitor. Botou a câmera na sala dele, ficou o compromisso armado. Não tinha jeito. E quando a gente precisava de alguma coisa, dizia logo: ei, reitor, lá embaixo não estão deixando a gente entrar com a câmera..." [iii]

 

O resto é história – aliás, uma história de 37 anos de criatividade e formação de grandes profissionais para o audiovisual brasileiro, como Tizuka Yamazaki, Paulo Halm etc.

Retirado do site do Departamento de Cinema - IACS - UFF (O CURSO DE CINEMA DA UFF)
http://www.uff.br/iacs/SITECINEMA/gcvhistoria.htm#_ednref1

 

 

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