Seminários 2006
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12/12/2006
"O que a Lógica Matemática tem a dizer a Zenão?
A formalização de paradoxos da filosofia - Parte II",
por Renan Claudino (monitor de Lógica Matemática).
Resumo:
O filósofo grego Zenão tornou-se famoso por seus paradoxos
ligados à natureza do movimento. Nesse seminário apresentamos
uma formulação dos argumentos atribuídos a Zenão em uma linguagem
lógica de primeira-ordem. Para torná-los deduções legítimas,
será necessário acrescentar algumas premissas (falsas, é claro,
dada as conclusões não verdadeiras). Isso definirá um espaço limitado
de proposições que podem ser tacitamente (ou inconscientemente)
assumidas pelos leitores, quando esses se encantam com a verossimilhança
dos paradoxos. Nosso propósito será discernir quais suposições mais
provavelmente dão a aparência de validade aos raciocínios contra-sensuais.
Para descobrí-las com objetividade, a estratétia será a comparação com
argumentações semelhantes, porém válidas, uma vez que a validade de
uma argumentação pode tornar mais claras suas premissas.
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28/11/2006
"Sistemas de Tipos com Dicionários - Parte IV: Uma Aplicação",
por Eduardo Ochs.
Resumo:
Um artigo de
Anders Kock de 1977, chamado "A Simple Axiomatics for
Differentiation", descreve como fazer cálculo diferencial num
ambiente em que um certo objeto, A (um anel), faz papel de "R
com infinitesimais nilpotentes". Se definimos D := {x in A |
x2 = 0} e consideramos um certo mapa α : A×A →
AD, basta impor um axioma - "α é inversível" -
para que possamos definir, para cada f : A → A, a sua derivada,
f' : A → A; e esta noção de derivada se comporta como esperado:
(f+g)' = f'+g', (fg)' = f'g + fg',
e a regra da cadeia vale.
No artigo original todos as definições e diagramas são feitos usando
a notação categórica tradicional, que é precisa mas bastante opaca.
Vamos ver como usar a notação de sistemas de tipos com dicionários
para produzir versões auxiliares para cada diagrama em que os nomes
das funções indicam como elas levam cada "ponto" do domínio num
"ponto" do contradomínio - por exemplo, a função α acima
passa a ser chamada de (y, yx) → (dx → y +
yx dx), e a inversa dela passa a ser chamada de (dx
→ f(x + dx)) → (f(x), f'(x)).
(Ver resumo da Parte III - 14/11/2006)
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21/11/2006
"O Teorema Fundamental da Aritmética: História e Aplicações",
por Bruno Kappel.
Resumo:
O Teorema Fundamental da Aritmética (TFA) afirma que todo número
natural maior do que 1 pode ser decomposto de maneira única como um
produto de números primos.
Sua importância no desenvolvimento da aritmética formal é
salientada por vários autores e o estudo do TFA faz parte
da formação básica de todo estudante de matemástica.
Apesar disso, muitos alunos não compreendem completamente a natureza
deste resultado e nem a sua prova.
Em nosso trabalho, classificamos as provas do TFA, existentes na
literatura, em quatro grupos, de acordo com o uso, ou não, da noção de
Máximo Divisor Comum e do uso, ou não, do Princípio de
Indução Matemática como um método de prova.
Apresentamos uma prova de cada tipo, bem como um esboço da história do TFA.
Finalmente, discutimos algumas aplicações do TFA.
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14/11/2006
"Sistemas de Tipos com Dicionários - Parte III",
por Eduardo Ochs.
Resumo:
Nesta terceira parte vamos reexaminar - desta vez com bem mais
detalhes - a tradução entre árvores de derivação nos sistemas de tipos
com dicionários ("TSDs") e derivações em "pure type systems" ("PTSs");
esta tradução é bem parecida com a tradução entre Dedução Natural e
Cálculo de Seqüentes. Uma derivação num TSD é como uma derivação em um
PTS em que: (0) o nome de cada variável indica o seu "nível" (os PTSs
e TSDs que nos interessam são estratificados); (1) as variáveis do
contexto - omitidas em TSDs, explícitas em PTSs - são obtidas por
inspeção da árvore acima de cada nó; (2) os contextos são "mínimos",
num certo sentido preciso; (3) aplicações das regra "weakening" e
"exchange" são sempre implícitas; (4) as declarações de tipo, omitidas
em derivações em TSDs, aparecem quando aplicamos o algoritmo que
constrói o dicionário.
Vamos ver também como representar lógica de 1ª ordem em TSDs e PTSs, e
vamos definir formalmente os sistemas de tipos em que estamos mais
interessados - eles correspondem aos sistemas $\lambda \rightarrow$,
$\lambda 2$ e $\lambda P$ do $\lambda$-cubo
[Geuvers93],
mas os nossos sistemas incluem somas dependentes ("$\Sigma$"s).
(Ver resumo da Parte II - 24/10/2006)
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31/10/2006
"On games and the polynomial-space completeness of
intuitionistic propositional logic - Part III",
por Marcelo Correa, IM-UFF.
Resumo:
Besides recalling and closing points and questions that were under
discussion in the last talk, now comments will be actually made on how to
adapt the considered approach to prove the PSPACE completeness of the purely
implicational fragment of intuitionistic Logic. The challenges that must be
faced to do the same for the classical case will be pointed out.
(Ver resumo da Parte II - 10/10/2006)
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24/10/2006
"Sistemas de Tipos com Dicionários - Parte II",
por Eduardo Ochs.
Resumo:
Uma derivação em um sistema de tipos se parece com uma árvore em
cálculo de seqüentes, mas num seqüente as hipóteses e conclusões são
proposições, e num "judgment" em teoria de tipos ao invés de
proposições temos declarações da forma a:A,
onde A é um tipo e a é uma
variável ou um termo daquele tipo.
Derivações em sistemas de tipos ficam grandes demais - elas contêm
muitas informações redundantes que são necessárias para a formalização
mas que obscurecem a visão intuitiva do que está acontecendo. No
entanto, se permitimos certos "nomes longos" para variáveis e termos -
e se desistimos de manter a distinção sintática entre variáveis e
termos - então as declarações de tipo se tornam redundantes e podem
ser apagadas - o tipo associado a um nome longo é, a grosso modo, o
nome longo "reescrito em maiúsculas" - e em certos casos os contextos
(as hipóteses à esquerda dos "|-"s) também podem ser apagados. A
árvore com nomes longos (e talvez com os contextos suprimidos também)
é muito menor que a original mas é equivalente a ela - um algoritmo
simples, que percorre a árvore com nomes longos a partir das folhas e
monta um dicionário no processo, reconstrói a árvore original a partir
da árvore menor.
Na primeira parte (3/out/2006) vimos a semântica intuitiva para
judgments e derivações, tanto na linguagem padrão quanto na linguagem
com nomes longos, e vimos como a tradução entre as duas linguagens
funciona. Nesta segunda parte vamos formalizar "Pure Type Systems"
(como em Geuvers, "Logics and Type Systems" (1993)), usando o sistema
com nomes longos para entender as regras de PTSs, e vamos começar a
ver como usar o sistema com nomes longos para destrinchar artigos que
usam uma linguagem algébrica demais ou categórica demais - o nosso
primeiro exemplo será o artigo "A simple axiomatics for differentiation"
(Anders Kock, 1977).
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17/10/2006
"Definibilidade nos cálculos relacionais com domínio estruturado",
por Petrucio Viana, IM-UFF.
Resumo:
Apresentamos vários operadores com os quais o Cálculo Relacional de
DeMorgan-Peirce-Schröeder-Tarski pode ser estendido, para tratar as noções de
concorrência e paralelismo.
E mostramos alguns resultados sobre a interdefinibilidade destes operadores.
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10/10/2006
"On games and the polynomial-space completeness of
intuitionistic propositional logic - Part II",
por Marcelo Correa, IM-UFF.
Resumo:
In the first talk, it was presented an alternative proof of Ladner and
Statman's result that intuitionistic propositional logic is
PSPACE-complete, combining
proof and game-theoretical approaches and, so, gaining the main
benefits obtained in each of them: the very informative aspect of a
proof-theoretical framework and the stimulating and intuitive appeal
of certain graph and semantical games. Now some adjustments on this
proof are pointed out. Comments will also be made on how to adapt such
approach for dealing with the purely implicational fragment of
intuitionistic Logic and on the challenges that must be faced to do the
same for the classical case.
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03/10/2006
"Sistemas de Tipos com Dicionários",
por Eduardo Ochs.
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26/09/2006
"Algebrização da Lógica Proposicional - Parte IX",
por Petrucio Viana, IM-UFF.
Resumo:
Nesse seminário, vamos revisar os conceitos e resultados sobre
a Álgebra Booleana que são relevantes para a lógica algébrica.
Em particular, enfocaremos a Álgebra de Lindembaum e o
Teorema da Representação, de Stone.
(Ver resumo da Parte I - 08/06/2006)
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12/09/2006
"Semânticas para Lógica Modal"
por Renata de Freitas, IM-UFF.
Resumo:
Durante muito tempo,
desde o trabalho de I. Lewis, em 1918,
a Lógica Modal foi estudada apenas
através de um aparato dedutivo.
Somente em 1963, S. Kripke propôs uma semântica para a Lógica Modal,
atualmente conhecida como semântica de Kripke, ou
semântica de mundos possíveis.
Em 1970, D. Scott e R. Montague propuseram, independentemente, uma
outra abordagem semântica para a Lógica Modal,
a chamada semântica de vizinhanças.
Nesse seminário, vamos apresentar a linguagem da Lógica Modal (básica)
e estas duas formulações semânticas: de mundos possíveis e de
vizinhanças. Vamos, também, identificar a relação entre elas,
mostrando que a semântica de vizinhanças pode ser vista como uma
generalização da semântica de mundos possíveis.
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24/08/2006
"O que a Lógica Matemática tem a dizer para Zenão?
A formalização de paradoxos da filosofia."
por Renan Claudino (monitor de Lógica Matemática).
Resumo:
O filósofo grego Zenão tornou-se famoso por seus paradoxos ligados à
natureza do movimento. Nesse seminário, reescrevemos os argumentos
atribuídos a Zenão em uma linguagem lógica de primeira-ordem. Para
torná-los deduções legítimas, será necessário acrescentar algumas
premissas (falsas, é claro, dada as conclusões não verdadeiras). Isso
definirá um espaço limitado de proposições que podem ser tacitamente
(ou inconscientemente) assumidas pelos leitores, quando esses se
encantam com a verossimilhaça dos paradoxos. Nosso propósito será
discernir quais suposições mais provavelmente dão a aparêcia de
validade aos raciocínios contra-sensuais.
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17/08/2006
"Algebrização da Lógica Proposicional - Parte VIII",
por Petrúcio Viana, IM-UFF.
Resumo:
Nesse seminário, vamos investigar procedimentos de decisão parcial para
o problema da conseqüência restrito a sublinguagens de LP.
(Ver resumo da Parte I - 08/06/2006)
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03/08/2006
"Algebrização da Lógica Proposicional - Parte VII",
por Petrúcio Viana, IM-UFF.
Resumo:
Nesse seminário, vamos estabelecer uma relação funtorial entre
a lógica proposicional (LP) com semântica booleana e LP com
semântica de Kripke, obtendo como corolário um sistema
dedutivo para LP através de Diagramas (Gerais) de Venn.
(Ver resumo da Parte I - 08/06/2006)
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27/07/2006
"Algebrização da Lógica Proposicional - Parte VI",
por Petrúcio Viana, IM-UFF.
Resumo:
Nesse seminário, continuamos uma análise da Lógica Proposicional
(LP) de modo a salientar as propriedades básicas de LP que são
essenciais para o processo de algebrização.
Em particular, vamos mostrar que o fato da relação de conseqüência
tautológica ser compacta nos permite definir teorias proposicionais
indecidíveis.
(Ver resumo da Parte I - 08/06/2006)
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20/07/2006
"On games and the polynomial-space completeness of
intuitionistic propositional logic",
por Marcelo Correa, IM-UFF.
Resumo:
Ladner (1977) presented purely semantical proofs (based on
Kripke-Frames) of the polynomial-space completeness
of the modal logics S4 and T. As Gödel's translation establishes a
strong relationship between S4 and Intuitionistic Propositional Logic
(IPL), it implies the polynomial-space completeness of IntTaut, the
validity decision problem for IPL. Statman(1979) also proved the latter
result by adopting a proof-theoretical approach.
On the other hand, problems of existing a winning strategy
concerning a large class of two-person games of perfect information
are representatives of PSPACE-complete problems for theoretical
computer scientists.
We shall present an alternative and simpler proof of this Ladner and
Statman's result by means of a reduction from the problem of
existing a winning strategy in the game GEOGRAPHY to IntTaut, mixing
the game and the proof-theoretical approaches.
We also point out how it could be adapted to deal with the
implicational fragment of IPL following rewritting techniques
developed by Svejdar (2003).
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13/07/2006
"Algebrização da Lógica Proposicional - Parte V",
por Petrúcio Viana, IM-UFF.
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06/07/2006
"Algebrização da Lógica Proposicional - Parte III",
por Petrúcio Viana, IM-UFF.
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29/06/2006
"Algebrização da Lógica Proposicional - Parte III",
por Petrúcio Viana, IM-UFF.
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14/06/2006
"Algebrização da Lógica Proposicional - Parte II",
por Petrúcio Viana, IM-UFF.
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08/06/2006
"Algebrização da Lógica Proposicional - Parte I",
por Petrúcio Viana, IM-UFF.
Resumo:
Algebrizar uma lógica L consiste em associar a L
uma classe de álgebras AlgL de modo que se estabeleça uma
correspondência entre as propriedades de L e as propriedades
de AlgL. Deste modo, um canal se estabelece para a transferência
de resultados de AlgL a L. Podemos verificar se L
possui ou não certas propriedades examinando o que acontece em AlgL.
Nesta série de seminários, exemplificamos o aspecto positivo do
procedimento acima, através de seu exemplo mais representativo:
a algebrização da lógica proposicional.