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Entrevistas |
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ATUALIZADO EM 15/11/2007
Nesta seção, pretendemos colocar entrevistas com profissionais de Mídia ou áreas afins, como História, Sociologia, Antropologia, Psicologia e Filosofia, entre outras, realizadas por alunos e outros profissionais, nas mais diversas disciplinas e como atividade do próprio GRECOS, sempre sobre temas pertinentes ao grupo de estudos e relacionados aos participantes do mesmo.
Entrevista com Octávio Ianni Jean Pierre Santiago Cientista Social, o brilhante sociólogo brasileiro Octávio Ianni, recentemente falecido, concedeu esta entrevista via e-mail, no segundo semestre de 1999. Universo em Revista Como o senhor enxerga o contexto social do mundo, hoje? Octávio Ianni Devo, por antecipação, me desculpar se disser, como provavelmente direi, alguma impertinência. Faz parte do diálogo intelectual um exercício mais ou menos contínuo da impertinência, isto é, do espírito crítico que às vezes levanta questões que só podem ser incômodas ou que exigem reflexão. Começo pela seguinte preliminar: ainda que não seja visível para muitos de nós, e para muitos em vários campos e setores, e em vários países, não há dúvida de que estamos vivendo um momento de ruptura histórica. Ruptura histórica é uma expressão que sintetiza transformações muito aceleradas e profundas que estão ocorrendo nas últimas décadas do século XX. É evidente que essa ruptura não começou nem vai terminar num dia marcado. Ela está em marcha, for germinada no curso de décadas anteriores, e há ressonâncias até de séculos, mas não há dúvida de que houve uma virada no mundo no último momento do século XX. UR O século XX terminou com grandes mudanças na sociedade como um todo. Como o senhor caracteriza este século? OI Na verdade, o século XX terminou antes, porque a ruptura histórica que vinha ocorrendo, e que já era evidente, exigiu grandes rearranjos na organização da vida da sociedade, das atividades, das instituições, dos aparelhos estatais, das organizações transnacionais. Portanto, é uma ruptura notável. Claro que, se fizermos uma incursão breve no passado, vamos encontrar momentos de ruptura excepcionais semelhantes, às vezes até maiores, outras vezes menores, mas já notáveis. O que foram o Renascimento e o Mercantilismo? Foram momentos de ruptura da maior importância na história mundial, envolvendo os descobrimentos, relações várias com diferentes continentes e culturas. As rupturas históricas, portanto, são drásticas e já são evidentes. São momentos excepcionais de desafios que se criam, de inquietações, aflições, desespero, suicídios, etc., mas também de horizontes que se abrem. Acho que somos privilegiados por vivermos um momento de ruptura histórica. É glorioso o fato de vivermos numa época tão problemática, tão crítica, porque não há dúvida de que o período anterior estava muito aborrecido. UR Como assim "aborrecido"? OI A Guerra Fria era algo que tinha, vamos dizer, congelado o mundo e que dava a ilusão de que as coisas estavam definidas. Mas, na verdade, as coisas eram problemáticas e ilusórias. Muito do que germinou na Segunda Guerra Mundial explodiu com isso que parece ser mais do que evidente uma ruptura de âmbito mundial. E essa ruptura tem a ver, é claro, com a débâcle do bloco soviético, com o término de um mundo bipolarizado, com o fim das tensões e conflitos entre capitalismo e comunismo. E tem a ver com o fato de que de repente se evidencia que a realidade conhecida, o universo sociocultural e econômico conhecido, não está funcionando de acordo com nossos conceitos, idéias e interpretações. Nesse sentido é que eu acho que vivemos um período excepcionalmente problemático, um terremoto que não terminou e que abalou quadros sociais e mentais de referência. Isto é, as categorias que usávamos para pensar o mundo no Direito, nas Ciências Sociais, na Economia, na Sociologia e na Política ficaram profundamente abaladas. Isso, num primeiro momento, é aflitivo, mas simultaneamente glorioso, porque o mundo estava muito "parado". UR Quem sai ganhando neste fim de século? Quero dizer, que ponto o senhor ressaltaria como o que mais se sobrepôs a outros? OI O capitalismo, sem dúvida. O que realmente está acontecendo? É evidente que o mundo entrou num novo ciclo de desenvolvimento do capitalismo. É evidente que o capitalismo, mais do que antes, se globalizou. É evidente que o capitalismo se transformou, mais do que antes, num modo de produção global. Mais do que antes não só porque abriu novos espaços, mas porque o desenvolvimento das corporações transnacionais acabou com as fronteiras. E as fronteiras não são simplesmente geográficas, mas ideológicas, culturais, civilizatórias. As corporações transnacionais arrasaram com isso. O mapa do mundo de ontem não funciona mais e agora está sendo construído um outro mapa do mundo. Isso tem a ver com o desenvolvimento dos fatores de produção, dos mercados, das transnacionais, que de certo modo estão orquestrando esse processo, e a aliança ou a atuação simultânea de algumas nações mais poderosas. E, é claro, assessoradas ou combinadas com as organizações multilaterais, com FMI, Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio, instituições que formalmente são o produto da aliança entre Estados, mas que de fato funcionam segundo a lógica do capitalismo mundial. UR O grande tema desta década é a globalização. O senhor já proferiu inúmeras palestras e concedeu muitas entrevistas também sobre estas questão. Como o senhor acha que a sociedade se dá conta de que ela está vivendo num mundo globalizado? OI A globalização está presente na realidade e no pensamento, desafiando grande número de pessoas em todo o mundo. A despeito das vivências e opiniões de uns e outros, a maioria reconhece que esse problema está presente na forma pela qual se desenha o novo mapa do mundo, na realidade e no imaginário. A descoberta de que a Terra se tornou mundo, de que o globo não é mais apenas uma figura astronômica, e sim o território no qual todos encontram-se relacionados e atrelados, diferenciados e antagônicos. Ocorre que o globo não é mais exclusivamente um conglomerado de nações, sociedades nacionais, estados-nações, em suas relações de interdependência, dependência, colonialismo, imperialismo, bilateralismo, multilateralismo. Ao mesmo tempo, o centro do mundo não é mais voltado só para o indivíduo, tomado singular e coletivamente como povo, classe, grupo, minoria, maioria, opinião pública. Ainda que a nação e o indivíduo continuem a ser muito reais, já não são "hegemônicos". Foram, por assim dizer, subsumidos, real ou formalmente, pela sociedade global, pelas configurações e movimentos de globalização. UR O senhor percebe, além dos fatos, alguma metáfora? OI Várias. Nesse clima, a reflexão e a imaginação são caminham de par em par como multiplicam metáforas, imagens, figuras, parábolas e alegorias, destinadas a dar conta do que está acontecendo, das realidades não codificadas, das surpresas imaginadas. As metáforas parecem florescer quando os modos de ser, agir, pensar e fabular mais ou menos sedimentados sentem-se abalados. É claro que falar em metáforas pode envolver não somente imagens e figuras, signos e símbolos, mas também parábolas e alegorias. São múltiplas as possibilidades abertas ao imaginário científico, filosófico e artístico, quando se descortinam os horizontes da globalização do mundo, envolvendo coisas, gentes e idéias, interrogações e respostas, explicações e intuições, interpretações e previsões, nostalgias e utopias. UR O senhor admite o termo "Aldeia Global"? OI É mais uma metáfora. Outros dizem "fábrica global", "cidade global", "nova babel", entre outras. São emblemáticas, formuladas precisamente no clima mental aberto pela globalização. Dizem respeito às distintas possibilidades de prosseguimento de conquistas e dilemas da modernidade. Contemplam as controvérsias sobre modernidade e pós-modernidade. "Aldeia global" sugere que, afinal, formou-se a comunidade mundial, concretizada com as realizações e possibilidades de comunicação, informação e fabulação abertas pela eletrônica. Sugere que estão em curso a harmonização e homogeneização progressivas. UR Quando falamos em "Aldeia Global", certamente estamos falando de integração de sociedades. Conseqüentemente, não haveria uma fragmentação? OI É claro que esse ciclo de mundialização, de planetarização, de transnacionalização ou globalização é simultaneamente um ciclo de integração e de fragmentação. O que fazer? É assim mesmo, é contraditório, uma coisa não nega a outra. Tudo o que é humano é contraditório todo o tempo, não nos iludamos. Vivemos sempre empenhados em fazer de conta que as coisas estão integradas, harmonizadas, equilibradas, mas isso é ilusório. Em tudo o que é humano só se produzem e reproduzem integrações e contradições o tempo todo. Portanto, a globalização é um processo de integração que se realiza em vários níveis na nova divisão transnacional do trabalho, na abertura e integração de mercados, associação de empresas, formação de conglomerados, alianças, etc, -, mas ao mesmo tempo um processo de fragmentação isto é, desenvolvem-se tensões, antagonismos em vários níveis, tanto no econômico, social e político como nos nacionalismos, que ainda recrudescem no mundo, como tribalismos, como fundamentalismos, juntamente com racismos, com etnicismos. E o florescimento desses problemas que afligem a todos nós é um "produto natural da globalização". Isto é, coisas que estavam apaziguadas, aparentemente resolvidas, ressurgem como um sarampo que não foi bem curado. Vide a Iugoslávia. O que é a Iugoslávia? Um terristório do século 17, 18 ou 19, não é do século 20. O que é a história da Tchecoslováquia se dividindo? É algo que era tribal, regional, muito idiossincrático, que ressurge. Idem na Rússia: essas efervescências que lá ocorrem e que são reminiscências de problemas pretéritos que não foram suficientemente resolvidos pela revolução burguesa. Por revolução burguesa digo aquela que forma a nação. Só que em muitos casos a revolução burguesa não integrou a nação, não equacionou problemas étnicos, religiosos, lingüísticos. E quando há uma crise cria-se um impasse, há um tremor de terra, digamos, um terremoto, e essas tradições, esses elementos arqueológicos que estão, assim por dizer, difusos na sociedade ressurgem como se fossem grandes novidades. UR Diante de tantas questões de mudança que percebemos no mundo, como se projetam as nações para o futuro? OI A questão talvez seria essa: Por que a nação é um dos problemas da globalização? Porque até ontem o desenvolvimento da história, das economias, a política e inclusive da cultura estava polarizado por esse emblema: nação, sociedade nacional, Estado-nação. Isso era tão forte, isso estava tão impregnado na história, nas tradições, nas ideologias, nas ciências sociais e no direito que nós todos acreditávamos que a nação era um fato natural, era algo indiscutível. O pensamento de Rousseau, de Locke, de Hobbes e de muitos outros autores, inclusive no século 20, estava polarizado pelo "paradigma da sociedade nacional" ou Estado-nação. Com a globalização, com a aceleração dos processos que atravessam a as fronteiras de maneira inexorável e freqüentemente invisível par ao comum dos mortais, esse paradigma deixou de ter vigência ou está tendo uma vigência menor. Vejam bem, um parêntese: a nação é uma ficção política criadas pelas classes dominantes na história das diferentes sociedades. Quem cria a Inglaterra não é o povo inglês. Fala-se, por economia de linguagem, que o povo inglês criou a Inglaterra, que o povo português criou Portugal, já no fim da Idade Média, mas isso são eufemismos ou modos sintéticos de dizer porque, na verdade, quem cria a nação são os setores dominantes que constituem o poder nacional, que organizam o poder econômico, político e cultural, e, portanto, definem a nação. Isso é evidente. Quem criou a Itália em 1860, 1870? Não foi o povo. Ao contrário, o povo foi excluído. Garibaldi e Mazzini foram escorraçados, foram colocados de fora. Quem comandou a integração da Itália foi o rei e Cavour. Não há porque ter dúvidas de que a nação é uma criação dos setores dominantes da sociedade. Portanto, a nação sempre tem sido um problema. Acho curioso que no momento da globalização nos preocupemos, afinal, com onde fica a nação. Ficamos com a sensação de que a nação está sofrendo certos embates, que ela está sendo desafiadas. É verdade e não só é verdade como desafio, essa ruptura, esse momento crítico nos mostra que de fato a nação está vivendo um problema grave, difícil. E pensando como é que se forma a nação, descobrimos que ela sempre foi problemática. Wilson Borges Jornalista formado pela Universo Fritz Utzeri nasceu na Alemanha em 1945. Em 1953, mudou-se para o Brasil. Cursando medicina, durante os anos de chumbo da ditadura começou na imprensa universitária, fazendo panfletagem, e descobriu que o que gostava de fazer era jornal. Em 1968, após ser aprovado no curso para seleção de estagiários, começou a trabalhar para o Jornal do Brasil, onde foi repórter especial, editor e correspondente internacional em Nova York e Paris. Reportagens como "Quem matou Rubens Paiva" e a cobertura do atentado do Riocentro renderam importantes prêmios: Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos e Esso de Jornalismo. Trabalhou ainda na TV Globo, onde recebeu outro prêmio Vladimir Herzog pelo Globo Repórter sobre os 15 anos do caso Riocentro. Após a TV Globo, abandonou , durante cinco anos, o jornalismo e foi trabalhar na Alcatel como Diretor de Comunicação. Trabalhou na Fundação Roberto Marinho como Superintendente de Comunicação, indo, posteriormente, para O Globo, onde atuou como editor de opinião. Atualmente é Diretor de Redação do Jornal do Brasil. Entrevista feita em setembro de 2000. Universo em Revista: Quais as principais diferenças entre a mídia eletrônica e a mídia impressa? Fritz Utzeri: São várias as diferenças. A mídia eletrônica possui instantaneidade, pois conta com imagens. No entanto, é etérea, tudo se desfaz no ar. As pessoas ficam sabendo das coisas, formam opinião na mídia impressa. Ela fornece tempo ao leitor para ler e reter as informações. A mídia impressa não tem como concorrer com a mídia eletrônica no setor da instantaneidade, então tem que ir além da mera constatação dos fatos. Tem que analisá-los, antecipá-los. E hoje, além da televisão, há a internet. Embora o jornal impresso e a televisão continuem, é na internet que está o futuro do jornalismo. Apesar de ainda ser uma incógnita para alguns setores que não se familiarizaram com este advento. UR: Qual das duas mídias oferece mais oportunidades de trabalho para um jornalista? FU: As oportunidades são, basicamente, as mesmas. Depende muito do profissional de comunicação. O que existe hoje, em termos de mercado de trabalho, é que a comunicação é a principal commodities do século XXI e a informação extrapola o universo de jornal ou televisão. Tem várias coisas, começando pela internet, que abriu um mercado enorme, por carregar os sites de conteúdo, coisa que não aconteceria há uns cinco anos. Então o momento é bom para o profissional de comunicação, porque há muitas outras coisas no ar . Outras que não existem hoje, podem certamente, dentro de uns dez anos, estar atraindo muitos profissionais. UR: Notam-se algumas mudanças na linha editorial do JB. Elas fazem parte de um processo similar ao que gerou a reforma das décadas de 50/60? FU: Não. Acho que as diferenças na linha editorial não são muito grandes. O que muda um pouco é a linha de noticiário do JB no dia-a-dia, mais aberto, mais incisivo. Os leitores às vezes reclamam da disparidade entre isso e a linha editorial do jornal. Eu tenho que responder, freqüentemente, que isso é democracia, até mesmo porque o jornal é do Dr. Manoel Francisco do Nascimento Britto, que obviamente é um conservador. Mas nós temos é que constatar os fatos: se o MST (Movimento dos Sem-Terra) agiu certo, temos que relatar que assim o fez; da mesma forma que assim faremos se agir errado. Não temos que ser, sistematicamente, contra o movimento. O jornal tem que buscar a verdade, tem que fornecer aos leitores elementos para que eles possam formar uma consciência da realidade. Enfim, a linha editorial não mudou. O que mudou, certamente, foi a forma de se conceber a notícia.. Houve uma volta ao noticiário mais preciso, mais ousado, pois os jornalistas nos últimos anos se acostumaram ao declaratório (fulano disse, governo afirma, ...), comprando versões prontas, coisa que viola um dos princípios básicos do jornalismo a desconfiança. O jornal tem que ser sempre desconfiado. Após a apuração poderemos até confirmar uma versão, como poderemos constatar que essa versão não é correta. UR: No Domingo, na parte destinada à "Conversa com o leitor", você já editorializou contra a linha de pensamento do jornal. Já houve alguma reclamação por parte da direção da empresa? E os leitores, como reagem a isso? FU: Realmente algumas vezes editorializo contra a linha de pensamento do jornal, essa é a maravilha da democracia e é um dos benefícios que o JB oferece. Os leitores reagem bem. Eles começam a discutir e às vezes discutem entre eles, por intermédio de e-mail, respondendo uns aos outros, contestando. O que é ótimo, pois o grande objetivo daquele espaço é provocar o leitor. Primeiro integrá-lo com o jornal, e nós temos hoje várias janelas abertas nessa direção. Em segundo lugar, provocar o leitor. Eu mesmo muitas vezes não concordo com o que estou dizendo ali, mas coloco para desencadear discussões, depois nós consertamos. O importante é conseguir trazer o leitor. E o leitor do JB reage sempre de forma passional, porque é um resistente. É um pessoal que, em meio às "crises" do jornal, continua lendo-o Isso, porque tem grande paixão pelo veículo. O JB desperta essa paixão. A idéia é conquistar novos leitores, atingirmos, quem sabe, um número próximo a 150 mil leitores, para consolidarmos o JB. UR: Você falou da conquista de novos leitores. Nesse aspecto, qual a importância da entrada de capital estrangeiro para os meios de comunicação? FU: Depende da mídia. Algumas talvez não tenham interesse. Para outros, como o JB por exemplo, seria muito bom. É lógico que a participação é limitada, 30% do capital da empresa. É importante a entrada de capital estrangeiro, mas de forma limitada, um percentual minoritário, não da maneira que entra no Brasil, de uma forma geral. A entrada desses recursos promoveria uma modernização, profissionalizaria gestões. Mas não podemos esquecer que é necessário que rompamos outras barreiras, como a permissão para que pessoas jurídicas possam ser proprietárias de jornal. Hoje, só a pessoa física pode ser dona de jornal. UR: A globalização é um processo positivo ou negativo à população? FU: A globalização, em si, não é positiva nem negativa, é um lugar-comum que nós usamos. A globalização, na verdade, é um processo que existe desde o descobrimento. No século XVI, as viagens transportando legumes, animais, de um continente para outro, mudaram a história do homem. Você pense na comida italiana sem tomate, ficaria esquisita. O tomate usado na Itália é levado da América Central (México) para lá. E hoje o tomate representa 50% da culinária italiana. Não se imagina aqueles pratos sem o tomate. Isso é globalização. Ou seja, pelo menos desde o século XVI já existe. O que existe de ruim, é que a globalização estratifica ainda mais a sociedade. As empresas multinacionais, por exemplo, utilizam nossa mão-de-obra barata, pagam salários muito baixos, não investem em tecnologia. Pelo contrário, levam a nossa. UR: O processo tem sido bem disseminado? FU: Mais ou menos. Se o povo tivesse informação a respeito do que seria o processo, ficaria mais irritado ainda. Basta ver as privatizações no Brasil. O processo está sendo mal feito, mal-orientado, direcionado a uns poucos que não têm uma experiência maior que a do brasileiro, ou até pior que a dos brasileiros (espanhóis, portugueses, ...). Mas, enfim, é ao que estamos assistindo. UR: Que sugestões você daria aos estudantes de jornalismo? FU: Desista enquanto é tempo [risos]. O que eu diria é: não pensem só em jornal ou televisão como as únicas possibilidades de mercado de trabalho. Quando comecei a trabalhar nesse mercado, havia o jornal, a televisão e o rádio como opção. Hoje, existem maiores possibilidades. São alternativas que surgem com as novas tecnologias, sobretudo com a internet. Cada vez mais, a comunicação é o primeiro setor de atividades dentro da nova sociedade de serviços. Haja vista que os grandes negócios (fusões ou aquisições) ocorrem na área da comunicação. Então, acho que pela primeira vez o mercado está mais aberto, do que por exemplo há dez anos, e a predominância é abrir cada vez mais. Em parte vai demandar das escolas de comunicação. Elas vão ter que responder não só pelo perfil atual, mas tentar antecipar o que o mercado vai exigir e preparar o profissional de comunicação para o futuro. Hoje já observamos que alguns profissionais saem das universidades despreparados para encarar o mundo real. Imaginem daqui a alguns anos, estes profissionais tendo que encarar o mundo real e o virtual. Mesmo com tudo isso, não haveria um momento melhor para se atuar na área de comunicação do que o de hoje. Sem dúvidas, são grandes as possibilidades.
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