Débito cardíaco x retorno venoso

Se o sistema é fechado, o débito cardíaco , a quantidade de sangue ejetado pelo coração, deve ser igual ao retorno venoso , que é a quantidade de sangue que chega ao coração por minuto. Só somos capazes de mater o débito cardíaco se, proporcionalmente, tivermos retorno venoso. O grande mecanismo que permite o retorno venoso é a compressão intermitente das veias dos membros inferiores. O sangue das veias não volta porque existem as válvulas; é uma organização extremamente inteligente que favorece a perfusão muscular e o retorno venoso.

O outro mecanismo que favorece o retorno venoso é o próprio processo de respiração, de ventilação. Durante a inspiração, pela contração da musculatura inspiratória, faz-se um “vácuo” dentro da cavidade torácica; simultaneamente, o retorno venoso é favorecido. Então, durante o exercício , como há o aumento não só do volume corrente, que é a profundidade da inspiração, quanto da freqüência respiratória, acontece um favorecimento da “bomba” respiratória, o que acaba favorecendo ao retorno venoso.

Teoricamente, caso tivéssemos uma dificuldade no retorno venoso, deveríamos ter também uma dificuldade de perfusão do sangue, podendo produzir isquemia. Porém, o que acontece, é que, normalmente, com a compressão da musculatura esquelética, você é capaz de vencer a resistência das veias e produzir o retorno venoso. Mas, pode-se produzir, com essa dificuldade, um cansaço, com dores nas pernas, que é diferente de uma situação onde se produziu uma trombose (uma coagulação intravascular intravenosa), que bloqueia o local, produzindo assim, inflamação e isquemia, seguidas de gangrena, que é a necrose do tecido.

Em 1967, mediu-se uma estimulação simpática no músculo em atividade, que, mesmo assim, se vasodilata; o porquê ainda não foi descoberto. Apesar da ligação da noradrenalina, provavelmente os mecanismos intracelulares que aumentam durante o exercício inibem a responsividade daquela musculatura lisa ao neurotransmissor , que é a simpatólise funcional, queda do efeito simpático durante o exercício, de forma que o mecanismo metabólico vence, produzindo vasodilatação nesses músculos, mas vasoconstrição no resto do organismo. A conseqüência é a redistribuição do débito cardíaco, uma perfusão preferencial da musculatura em atividade.

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