Edema

O edema é uma manifestação fisiopatológica clínica. Assim como o processo de inflamação e analogamente à anemia, é uma manifestação de alguma alteração no organismo, não sendo sinônimo de doença.

O edema refere-se à presença de líquido em excesso nos tecidos corporais. Suas causas podem ser variadas: alteração da pressão hidrostática do capilar, da pressão coloidosmótica do capilar, da pressão coloidosmótica do interstício, pressão hidrostática do interstício e da permeabilidade do vaso. Se existe alguma condição que altere essa correlação de forças e o fator que é a permeabilidade, pode ocorrer o edema.

Se um sujeito faz um trauma local, há a ruptura de células que coordenam a liberação de mediadores inflamatórios, e uma grande vasodilatação do esfíncter pré-capilar, no processo inflamatório. A pressão hidrostática do capilar aumenta muito, ocorrendo o extravasamento, o edema. A causa do edema, neste caso, foi o aumento da pressão hidrostática do capilar, e o aumento da permeabilidade do vaso pelos mediadores inflamatórios.

Caso o indivíduo possua uma disfunção no ventrículo, com baixa força de contração, sua capacidade de impulsionar o sangue será dificultada. Haverá um represamento desse sangue e, retrogradamente, a pressão hidrostática vai aumentando, inclusive a pressão hidrostática venular, o que acaba fazendo com que a pressão hidrostática capilar também aumente, por uma dificuldade de drenagem venosa, por uma pressão retrógrada aumentada. Pode, então, ocorrer edema no fígado, provocando hepatomegalia, ou mesmo, transudar e cair no abdome, causando ascite.

Quando o sujeito possui insuficiência renal, como uma glomerulopatia, a permeabilidade do glomérulo aumenta muito, devido a um processo inflamatório, diabetes, ou qualquer outro fator que dificulte o processo de filtração glomerular. Então, neste caso, há a possibilidade de passagem de proteínas para a urina, causando proteinúria . Se há eliminação de proteína na urina, significa que está sendo diminuída a quantidade de proteína circulante, desenvolvendo uma hipoproteinemia . Dessa forma, haverá diminuição da pressão coloidosmótica do capilar, permitindo extravasamento de líquido do vaso, e causando edema. É um edema mais generalizado, com repercussões no rosto, nos olhos, com hipoproteinemia constante, diferente do paciente com insuficiência cardíaca, que melhora na posição em decúbito, pela maior facilidade de retorno venoso.

Um indivíduo que faz uso de corticóide sistêmico, injetável ou oral, muito prolongadamente, pode sofrer com vários efeitos. Além do efeito imunossupressor, há o efeito mineralocorticóide, semelhante à aldosterona, tendendo a aumento da retenção líquida, causando edema.

Outra causa de edema importante, e também de hipoproteinemia, é por desnutrição protéica, como ocorre em uma doença chamada Kwashiorkor , na qual a criança desnutrida fica edemaciada.

Pode-se ter hipoproteinemia mesmo comendo-se proteína em quantidade adequada, como no caso de insuficiência hepática; não ocorre síntese porque o fígado está prejudicado.

A hipoproteinemia é, portanto, um mecanismo importante de edema, podendo ter as seguintes causas: excesso de perda, falta de substrato ou ineficiência do fígado.

Um outro tipo de edema importante é o chamado edema duro, que pode ser diferenciado do edema mole. A principal característica do edema mole é a depressão (cacifo) da região comprimida, que volta à posição original em, aproximadamente, 30 segundos a 1 minuto; sua constituição do interstício é líquida. Já o edema duro não apresenta esse cacifo, uma vez que seu interstício não está preenchido apenas de líquido, mas também de restos celulares e proteínas.

Um dos processos que podem levar ao acúmulo da quantidade de proteínas do interstício, sem que essas possam ser fisiologicamente removidas, é uma lesão dos vasos linfáticos, responsáveis pela remoção das proteínas do interstício. Um exemplo ocorre na manifestação da filariose (elefantíase), onde as larvas acabam por afetar esses vasos linfáticos, impedindo o desempenho adequado da sua função.