Tríplice viral  - caxumba, sarampo e rubéola

Manifestações Locais:          

           É pouco comum a queixa de ardência de curta duração no local da injeção. São ainda mais incomum eritema, hiperestesia e enduração, assim como linfadenopatia regional.

           Nos indivíduos com hipersensibilidade a qualquer componente das vacinas pode haver resposta imune do tipo tardio sob a forma de nódulo ou pápula acompanhada de rubor.

 Notificação e investigação:

            Notificar e investigar os casos com abscessos ou outras reações locais muito intensas (edema e /ou vermelhidão extensos, limitação de movimentos acentuada e duradoura); notificar também o aumento exagerado de determinada(s) reação (ões) locais, associada (s) eventualmente a erros de técnica ou a lote vacinal (“surtos”).

 Conduta:

a) Tratamento sintomático.

b) Não há contra-indicação para doses subseqüentes.

 

Manifestações Sistêmicas:

Manifestações Gerais

           Alguns vacinados (0,5 a 4%) têm 5 a 12 dias depois da vacinação, apenas discreta elevação da temperatura, cefaléia ocasional, irritabilidade, conjuntivite ou manifestações catarrais.

           Em 5 a 15% ocorre febre de 39,5ºC ou mais, que surge entre o 5º e o 12º dia e dura, em geral, 1 a 2 dias, às vezes até 5 dias. Pode estar associada a qualquer um dos componentes da vacina. As crianças predispostas podem, nessa oportunidade, apresentar convulsões de evolução benigna.

           Exantema de extensão variável, associado ao componente do sarampo ou da rubéola, aparece em cerca de 5% dos vacinados, 7 a 10 dias após a imunização, durando 1 a 2 dias.          

           Linfadenopatias se instalam em menos de 1% dos vacinados, do sétimo ao vigésimo primeiro dia. Normalmente associadas ao componente da rubéola.

 

Notificação e investigação

           Estas devem ser notificadas e investigadas se detectadas acima do percentual esperado (“surto”).

Conduta:

a) Observação e tratamento sintomático.

b) Não há contra-indicação para doses subseqüentes.

c) No caso de convulsões, pode eventualmente ser necessária investigação clínica e laboratorial.

 

Manifestações relativas ao sistema nervoso-meningite, encefalite, encefalopatia e pan-encefalite esclerosante subaguda:

           A meningite instala-se duas a três semanas depois da vacinação e sua freqüência é variável de acordo com a linhagem do vírus vacinal da caxumba. É muito rara com a Jeryl Lynn (ocorre em1:800.000 a 1:1.000.000 de vacinados), sendo, no entanto, relativamente mais freqüente com a  Urabe (ocorrendo em 1:1.000 a 1:90.000 vacinados). Sua evolução é, em geral, benigna.

           A encefalite e a encefalopatia surgem de 15 dias a um mês depois da vacinação e parecem atingir apenas 1: 1.000.000 a 1: 2.500.000 dos vacinados, risco não maior do que se observa na populaçãogeral. As seqüelas, se ocorrem, são excepcionais e estão associadas aos componentes do sarampo e da caxumba.

           Em relação aos casos de panencefalite esclerosante subaguda (PEESA) pós-vacinal, não há dados epidemiológicos documentados que realmente comprovem o risco vacinal. Entretanto há casos de PEESA em crianças sem história de doença natural e que receberam a vacina. Alguns destes casos podem ter resultado de um sarampo não diagnosticado mas também podem ser devidos à vacinação.

 

Reações de hipersensibilidade

           Reações de hipersensibilidade raramente ocorrem. A maioria dessas reações são menores e consistem em urticária no local da aplicação. Reações de anafilaxia são extremamente raras. Mais de 70 milhões de doses foram distribuídas nos EUA desde 1990 e foram notificados apenas 33 casos de reação anafilática. A anafilaxia é imediata (reação de hipersensibilidade do tipo I de Gell & Coombs), ocorrendo habitualmente na primeira hora após a exposição ao alérgeno, apresentando-se com uma ou mais das seguintes manifestações: urticária, sibilos, laringoespasmo , edema dos lábios, hipotensão e choque.

Notificação e investigação:

           Notificar e investigar todos os casos.

Conduta:

a) Tratamento sintomático:  a grande maioria dos casos não necessitou de tratamento medicamentoso, apresentando boa evolução.

b) Pessoas com história de reação anafilática após a ingestão do ovo ou após uso de neomicinae kanamicina (somente a vacina que utiliza a cepa Biken - Cam - 70 FIOCRUZ, contém aeritromicina e kanamicina, as outras vacinas contra o sarampo contêm a neomicina) não devem ser vacinadas.

           As pessoas com história de reação alérgica ao ovo poderão receber as vacinas com a cepa Edmonston-Zagreb que são atenuadas em tecido de células diplóides humanas.

           Os indivíduos com outros tipos de reações alérgicas, que não anafiláticas, podem ser vacinados normalmente.

Reações articulares:

           São provocadas pela vacina contra a rubéola, consistindo em artralgias ou artrites. Em criança são transitórias e pouco freqüentes (0,3%), mas nas mulheres adultas a incidência de artralgia ou artrite chega, com a linhagem RA 27/3, a 15%, ocorrendo artropatia recorrente em 5% dos casos.

Notificação e investigação:

           Notificar e investigar todos os casos de artrite.

Conduta:

a) Tratamento sintomático.

b) Nos casos graves encaminhar para avaliação especializada para afastar outros diagnósticos diferenciais.

c) Há contra-indicação a doses subseqüentes.

Parotidite:

           É particularmente comum quando se usa a linhagem Urabe na vacina contra a caxumba. Surge 10 a 14 dias depois da vacinação e sua evolução é benigna e de curta duração.

Notificação e investigação:

           Notificar e investigar todos os casos.

Conduta:

a) Tratamento sintomático.

b) Não há contra-indicação a doses subseqüentes.

Outros eventos:

           Citam-se ainda, na literatura, orquite e pancreatite, atribuídas à linhagem vacinal contra a caxumba, sendo bastante raras e sem gravidade.

Notificação e investigação Desnecessária.

Conduta:

a) Tratamento sintomático.

b) Não há contra-indicação para doses subseqüentes.