Se não tiver a moradia eu vou morar na reitoria!
Estudantes vão a luta por moradia e condições básicas para estudarTítulo da Matéria

O DCE UFF há muito vem travando a luta por assistência estudantil, compreendendo que somente com políticas que garantam a permanência efetiva de estudantes na universidade poderemos avançar para uma universidade mais pública, mais democrática e mais popular. O conhecimento que produzimos somente pode colocar-se a serviço da transformação quando a universidade puder garantir o ingresso e a permanência dos setores historicamente oprimidos e explorados.

A Luta por moradia estudantil vêm de longa data na UFF, há mais de 2 anos um dos ápices desta luta foi a garantia de uma deliberação no Conselho Universitário garantindo a construção da moradia estudantil. Entretanto, a aprovação da moradia no conselho universitário não garantiu a efetiva construção da moradia universitária, esta deliberação entretanto, vem sendo desrespeitada pelas ultimas administrações que não moveram uma palha para o atendimento dessa demanda.

Com muito custo e sabendo dos limites que possuía esta posição o DCE UFF construiu no PDI, plano de desenvolvimento institucional, uma resolução que garantia 350 mil reais para a construção da moradia, pela primeira vez a UFF destinou algum recurso para a construção da moradia. Este recurso estava disponibilizado, mas como de costume isto não representou a efetivação da moradia na UFF.

A Nova reitoria assumiu prometendo mundos e fundos para os estudantes e mantendo acordos espúrios com aqueles que hoje mantem a universidade elitista conservadora e cada vez mais autoritária. Como era de se esperar de uma administração tão comprometida como esta, nossas bandeiras vem sendo cada vez mais rechaçadas e temos sofrido os mais diversos ataques.

A situação a que somos expostos é caótica, sem ar condicionado na “sauna” da BCG (Biblioteca central do gragoatá), com bandejão de má qualidade, sem moradia, sem diárias de campo para os cursos que precisam viajar para sua formação, sem professores como no caso da escola de serviço social, laboratórios caindo aos pedaços ou sem escada de incêndio como na química, a reitoria impondo a construção de uma cafeteria de luxo no Instituto de ciências humanas e filosofia (ICHF),tudo isto nos impeliu a não ver alternativa senão lutar. Toda esta atmosfera fez com que cada vez mais estudantes se mobilizassem.

Há mais de um ano estudantes estão acampados na UFF e nenhuma resposta real foi dada, este dado foi essencial para que o conjunto do movimento estudantil se organizasse para apresentar suas pautas a atual reitoria. No dia 25 de abril partimos em passeata para o conselho universitário da UFF, espaço que deveria ser o fórum máximo de deliberação da universidade, mas que não o tem sido pelos sucessivos esvaziamentos de quorum mínimo promovidos no mesmo. Nossa intenção era sair da reitoria com alguma resposta imediata a questão da assistência estudantil e as demais demandas do movimento estudantil.

Chegando na reitoria nossa passeata enfrentou a hostilidade de nosso “magnífico reitor” Roberto Salles que cercado por seguranças propunha a retirada dos estudantes da sala dos conselhos, o autoritarismo não parou por aí, assistimos ao espetáculo tragicômico que foi o esvaziamento do numero mínimo de conselheiros para se deliberar sobre nossas questões.

Os estudantes presentes não arredaram o pé depois deste golpe e se encaminharam para o gabinete do reitor exigindo um compromisso público da reitoria com nossas pautas. Solicitamos uma audiência com o reitor, onde exigimos a assinatura de um termo de compromisso que unificava as diversas motivações do ato, a reitoria não queria assinar de forma alguma esse documento de comprometimento. Após muita pressão conseguimos da reitoria a assinatura de um documento genérico onde se fala em “empenho” para tirar nossas pautas do papel, eles se negaram a assumir compromisso de execução e relativizaram o documento no seu esforço e intenção. Nós afirmamos enquanto DCE que “De boas intenções o inferno está cheio”.

Outro ganho importante de nosso ato foi a constituição de uma comissão paritária que se debruçará sobre a constituição de um projeto de reforma do prédio subutilizado da UFF na Praça do Rink, o DCE indicará um terço desta comissão e estará na pressão pela transformação da nossa luta em realidade. Contudo sabemos que apenas a luta e a mobilização podem garantir nossos direitos.

Vários estudantes estão desde o dia 23 de abril, acampados na reitoria e só sairão de lá quando a moradia for conquistada. É preciso que o número de estudantes envolvidos nisto aumente, pois somente com iniciativas como esta, conquistaremos a moradia. Venha você também construir conosco se movimente, se mobilize, reaja!