Proposta Educacional

Olá,
 
        Gostaria de me apresentar e contar um pouco da minha história e do que penso sobre educação de crianças.
 
        Fui muito desejada e muitos lutaram para que eu existisse por mais de 10 anos. Mais de uma vez pensaram que eu já estava chegando e me compraram muitos brinquedos. Finalmente, em outubro de 1997, com 40% de minha estrutura física pronta, começaram a chegar aqueles que passariam, a partir de então, a me constituir: crianças, pais, funcionários, equipes de professores, estagiários e bolsistas de diferentes departamentos e institutos da UFF.  
        
        O processo de busca constante em que todos se envolveram levou também à necessidade de alguns momentos para articular o trabalho das diferentes equipes, visando a construção da interdisciplinaridade e da visualização da articulação presente a cada momento, como fotos que poderiam ser guardadas do processo. Minha história está sendo, assim, construída desta forma pendular. Se não tenho certezas, tampouco sou o lugar da pura indefinição. É no movimento do fazer e refazer de todos os meus atores que me configuro. Da mesma forma como fui desejada, quero que todas as crianças aqui também se sintam assim. Para isso as crianças me freqüentam são inseridas em pequenos grupos e com a presença de suas famílias.
        
        Acredito que a vida deve sempre que possível ser prazerosa, e que os humanos nasceram para ser felizes (assim como as creches). Por isso, e por saber que criança adora brincar, penso a brincadeira como um fio condutor das atividades infantis. Brincando, as crianças conhecem o mundo em que vivem e aprendem coisas importantes para a vida. Não tenho uma criança desejada, esperada, mas muitas crianças, cada uma com seu modo peculiar de ser e de agir sobre o mundo, que me trazem desafios permanentes, rompendo com minhas certezas, impulsionando-me para saber mais sobre crianças e educação.
        
        Muitas pessoas desejam saber como é a rotina das crianças que me freqüentam, já que os responsáveis pela minha proposta educativa vêm buscando uma forma nova de trabalho que prepare melhor as crianças para esse mundo louco aí de fora. Vou satisfazer essa curiosidade contando um pouco de nosso dia-a-dia e das atividades que realizo com as crianças. Aliás, nem sei se assim posso chamá-las porque, na verdade, o que acontece são conjuntos de brincadeiras livres, semi-dirigidas e dirigidas. Algumas delas são combinadas na rodinha e são planejadas cuidadosamente para que as crianças possam ampliar seu conhecimento sobre o mundo que as cerca. Já outras, surgem no decorrer do dia, e as professoras estão sempre atentas para observarem se as crianças ainda estão interessadas no tema abordado ou se já mostram indícios que é possível partir para outras descobertas.  As professoras também abordam outros assuntos que possam enriquecer o universo cultural da crianças, mas sempre percebo o cuidado de introduzi-los a partir de uma experiência da criança, para que não se torne um modelo de trabalho “escolarizador” na educação infantil. 
        
        Procuro que as crianças que aqui estão se formando pesquisem, ouçam, colaborem com os colegas, interpretem e saibam buscar a compreensão dos diversos problemas que a cercam. Em outras palavras, desejo que as crianças tenham uma relação apaixonada com a construção do conhecimento, como se ele fosse se ramificando em infinitas redes que precisamos desbravar.
 
          Bem, esta sou eu, hoje.
Venha me transformar...

Um grande abraço,
Unidade de Educação Infantil
 
15 de abril de 2000
 
 

 

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