Painéis Institucionais

 

 

A Comissão Organizadora do II CBBM convida os congressistas registrados no evento a apresentar painéis institucionais. Esta modalidade especial de apresentação de trabalhos destina-se exclusivamente à divulgação de atividades institucionais de ensino, pesquisa, extensão e serviços realizados por entidades ligadas à Biologia Marinha. Os painéis institucionais constituem-se num elemento importante para a difusão de informações de interesse para a comunidade brasileira de Biologia Marinha. São particularmente interessantes para a apresentação sob a forma de painéis institucionais as atividades de:

a museus e coleções biológicas;

a cursos de pós-graduação com atividades em Biologia Marinha;

a projetos de extensão universitária e de educação ambiental;

a ONGs sem fins lucrativos.

 

Somente congressistas cujas inscrições já estejam confirmadas pela Comissão Organizadora do II CBBM poderão apresentar painéis institucionais. Não há restrições para co-autores não inscritos no evento.
 

Os resumos relativos a painéis institucionais deverão ser enviados para a Comissão Organizadora em forma expandida, com até 3 páginas (em fonte Arial, tamanho 11, espaçamento simples) enviados como arquivo(s) em anexo a uma mensagem eletrônica para o endereço cbbm2009@gmail.com. Até duas tabelas pequenas, até duas figuras simples e até cinco referências poderão ser incluídas no resumo expandido. Os resumos relativos a painéis institucionais poderão ser enviados até o dia 25/03/2009.
 

O nome do autor que apresentará o painel institucional deverá ser grafado em CAIXA ALTA. Sugere-se o uso do exemplo abaixo para orientar a preparação de resumos expandidos de painéis institucionais.

 

EXEMPLO 

 

 Atividades da Coleção de Microalgas “Elizabeth Aidar”, Universidade Federal Fluminense

Lourenço, S.O.1; Barbarino, E.1; Borges, V.1; Corrêa, D.1; Costa, A.C.1; Costa, T.M.R.1; Coutinho, L.C.1,2; CUNHA, L.S.1; Machado, B.B.1,3 & Marques, V.A.1,3  

 

1. Universidade Federal Fluminense, Departamento de Biologia Marinha, Caixa Postal 100.644, CEP 24.001-970, Niterói, RJ. 2. Universidade Santa Ursula, Rio de Janeiro, RJ.  3. Faculdades Integradas Maria Thereza, Niterói, RJ. E-mail: cmea@vm.uff.br  

 

 

Coleções de microalgas em cultivo fazem parte de realidade de muitos países, prestando um serviço importante junto à comunidade científica e à sociedade. As coleções de microalgas funcionam como um depositório seguro de cepas úteis para pesquisas, atividades didáticas e aplicações com fins comerciais, além de representar um elemento crucial para a avaliação da biodiversidade algácea. Há algumas coleções de microalgas de grande porte pelo mundo, com milhares de cepas em seus acervos. Exemplos desses centros são o Council for Scientific and Industrial Research Organization (Hobart, Austrália), Provasoli-Guillard National Center for Culture of Marine Phytoplankton (West Boothbay Harbor, EUA), Sammlung von Algenkulturen Göttingen Universität (Göttingen, Alemanha), Universidade de Coimbra (Coimbra, Portugal),  e Culture Collection of Algae and Protozoa (Oban, Reino Unido), dentre outros. As instituições citadas funcionam como unidades que centralizam a distribuição nacional de cepas aos usuários, para quaisquer tipos de usos e aplicações dos cultivos. São centros mantidos com recursos governamentais, mas que têm na venda das cepas uma fonte para cobrir parcialmente os gastos associados à manutenção das coleções. As grandes coleções de cultivo de microalgas contam com pessoal permanente com dedicação exclusiva. Por exemplo, a principal coleção de microalgas do Reino Unido conta com nove doutores em seus quadros, sendo um deles o curador da coleção; os demais pesquisadores dedicam-se a outros aspectos do trabalho, como o isolamento e a identificação de cepas, estudos de ciclo de vida, fisiologia e ecologia das microalgas. Esses profissionais não possuem encargos didáticos, dedicam-se integralmente às atividades de pesquisa (UKNCC, 2001). Além desses, há também um corpo técnico formado por profissionais com nível universitário e nível médio dando apoio às atividades de rotina.

No Brasil não existem coleções de cultivo de grande porte, mas há cerca de 40 laboratórios nos quais microalgas são mantidas constituindo coleções médias e pequenas (Lourenço & Vieira, 2004). Uma delas é a Coleção de Microalgas “Elizabeth Aidar”, Universidade Federal Fluminense (CMEA-UFF), fundada no Departamento de Biologia Marinha em 12/04/1999. O nome da Coleção é uma homenagem à Profa. Dra. Elizabeth Aidar, ex-docente da Universidade de São Paulo, uma das pesquisadoras pioneiras em estudos de fisiologia e cultivo de microalgas no Brasil, falecida em 11/09/2000. Inicialmente diversas cepas da CMEA-UFF foram obtidas junto a outras instituições (USP, UFSCar, UFRJ, UFSC, IEAPM e FIPERJ). Atualmente novas cepas de microalgas estão sendo isoladas de ambientes costeiros brasileiros. Além disso, cepas oriundas de outras instituições do Brasil e do exterior continuam sendo incorporadas à Coleção. O acervo da CMEA-UFF conta atualmente com 226 espécies (254 cepas), das quais 42 espécies (45 cepas) são de espécies de água doce (Tabela 1).

 

Tabela 1. Grandes grupos de microalgas disponíveis no acervo da CMEA-UFF.
Grupo
Número de espécies
% do total de espécies
Número de cepas
% do total de cepas
Cianobactérias
33
14,6
39
15,4
Clorófitas
48
21,2
51
20,1
Criptófitas
7
3,1
7
2,8
Diatomáceas
98
43,4
109
42,9
Dinoflagelados
26
11,5
32
12,6
Euglenófitas
1
0,4
1
0,4
Primnesiófitas
9
4,0
11
4,3
Rafidofíceas
4
1,8
4
1,6
Totais
226
100
254
100
 

A CMEA-UFF é uma das três maiores coleções de microalgas em cultivo do Brasil (Lourenço & Vieira, 2004). Apesar de ainda ser um laboratório pouco conhecido no País, desde 1999 mais de 500 alíquotas de cultivos já foram cedidas a pesquisadores, professores, universidades e empresas privadas, com uma média de 95 cultivos ao ano desde 2003. É exigido um termo de responsabilidade em que o solicitante declara formalmente que uso fará dos cultivos e que terá inteira responsabilidade por sua manutenção na instituição. A maior parte das microalgas distribuídas destina-se a usos em pesquisa em universidades e institutos especializados, seguido por universidades (para atividades didáticas), empresas de maricultura, laboratórios de análises ecotoxicológicas e escolas (usos didáticos), conforme apresentado na Figura 1.
 

 



          Figura 1. Distribuição de cultivos de microalgas por diferentes entidades brasileiras no 
período de 2003-2005.

 

A existência de poucas cepas de microalgas nos laboratórios brasileiros pode ser compreendida principalmente pelas dificuldades para criar a infra-estrutura necessária e para manter em funcionamento os cultivos. Os constrangimentos não se resumem apenas aos grandes investimentos financeiros que devem ser feitos para garantir o funcionamento dos laboratórios, mas também incluem uma gama de fatores complexos, como a carência de pessoal técnico e a existência de instalações físicas inadequadas nas universidades, por exemplo. Apesar deste quadro, entende-se que as atividades de coleções de microalgas são muito importantes e têm um papel fundamental no desenvolvimento de diversos estudos envolvendo microalgas ou mesmo protistas e animais que se alimentam de microalgas. Assim, as coleções de microalgas têm uma relevância estratégica para o desenvolvimento de estudos experimentais envolvendo organismos aquáticos, além de possíveis aplicações econômicas e educativas.

A equipe da CMEA espera um aumento da demanda por cepas decorrente da divulgação de suas atividades. Apesar das grandes dificuldades enfrentadas no dia-a-dia, inerentes aos estudos de fisiologia e cultivo de microalgas no Brasil (Lourenço et al., 2005), a equipe da CMEA-UFF está se empenhando para ampliar o acervo e o atendimento ao público. Espera-se alçar a Coleção a uma condição de unidade nacional de referência para microalgas marinhas, com um acervo de médio porte (600 - 800 cepas), num prazo de oito anos. A divulgação da Coleção na Internet será iniciada ao final de 2006.

 

Referências citadas

Lourenço, S.O.; Chaloub, R.M.; Guimarães, M.; Necchi Júnior, O. & Plastino, E.M. 2005. Estudos sobre fisiologia de algas no Brasil: progressos e limitações. Série Livros Museu Nacional, 10:79-106.

Lourenço, S.O. & Vieira, A.A.H. 2004. Culture collections of microalgae and cyanobacteria in Brazil: progress and constraints. Nova Hedwigia, 79(1/2): 159-174.

UKNCC 2001. Catalogue of the UK National Culture Collection (UKNCC). List of algae and protozoa.  UKNCC, Egham, Surrey , UK .