Retângulo de cantos arredondados:

O Curso

CARACTERIZAÇÃO DO CURSO - MODELO PEDAGÓGICO

As discussões que se efetuaram no Instituto de Biologia em 1996, quando teve início o processo de construção coletiva do projeto de criação da graduação em Ciências Biológicas, envolveram principalmente um único pensamento que objetivava evitar a fragmentação dos conteúdos ministrados por disciplinas isoladas, constatada por Santomé, em seu livro clássico intitulado Globalização e Interdisciplinaridade .

Assim nessa época foram definidas as opções política (por uma sociedade democrática e solidária), metodológica (com a construção do currículo integrado que fosse atravessado por um projeto pedagógico), e estrutural (participação de outros Institutos como Biomédico, Educação, Química, Matemática, e Física) do curso, mantendo como cunho principal a integração dos conteúdos e a interdisciplinaridade.

Cônscios de que a escolha do projeto pedagógico deveria estar inserida no contexto da sociedade, um projeto com um núcleo comum básico foi elaborado no sentido de levar a formação de um indivíduo autônomo, capaz de fazer escolhas e de responsabilizar-se pelas escolhas assumidas, apto a definir o seu caminho profissional através das competências adquiridas no curso de graduação. Este profissional também será capaz de elaborar, participar e gerir projetos coletivos, estabelecendo critérios e elegendo princípios éticos de conduta, sendo fundamental para construção de uma sociedade democrática e solidária com a qual terá compromisso.

 

RACIONAL DA PROPOSTA PEDAGÓGICA

    Desde o início dos anos 80 vem-se procurando alternativas dentro do pensamento biológico, que favoreçam idéias abrangentes face à fragmentação do conhecimento. Da mesma forma há uma preocupação crescente na área de educação e divulgação da ciência com relação ao ensino de Biologia, pensado, na maioria das vezes, como livresco e desintegrado de um contexto regional e social. Assim, a proposta pedagógica do curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal Fluminenese está baseada em dois pilares principais: a interdisciplinaridade e o saber-fazer.

A ênfase dada ao saber-fazer advém da necessidade de uma modificação e adequação da Universidade para o novo paradigma educacional, de um ensino ainda centrado na informação para um integralmente comprometido com a formação. Isto porque, num mundo em rápida e constante mudança, a informação se torna rapidamente ultrapassada e obsoleta, o que torna os alunos despreparados para o mercado de trabalho, antes mesmo de deixarem a Universidade.

De forma sumária, portanto, o objetivo mais global a alcançar tem sido dar a cada estudante a oportunidade de pesquisar e realizar na prática, dando ênfase ao saber-fazer.  Assim tem se tornado imperativo então trabalhar com o aluno, não no sentido de torná-lo um depositário de informações, mas um indivíduo capaz de buscar e processar o conhecimento de maneira autônoma (Freire, 1982, 1984). Assim, propiciamos aos nossos alunos situações-problema, cujas soluções exigem uma visão globalizante da Biologia, assim como o trabalho cooperativo com compreensão das diferentes áreas do conhecimento.

Esta ênfase dada ao saber-fazer não despreza, certamente, as fontes e os canais de informação, cada vez mais disponíveis com a informatização crescente da sociedade. Os nossos professores são então capazes de utilizar novas tecnologias de ensino como instrumentos capazes de auxiliar na superação das limitações dos alunos. Assim o papel do professor de reprodutor de conhecimento e detentor único do saber foi transformado em Coordenador de atividades, responsável por criar motivações para que os alunos possam fazer suas próprias descobertas.

O modelo do curso criado no ano de 2000 é constituído de duas dimensões: eixos verticais que representam cortes temporais (semestres) nos quais as disciplinas objetivam a aquisição de habilidades específicas e um eixo horizontal, que representa as diferentes matérias (Botânica, Zoologia, etc.) em sua unidade estrutural (Figura 1).

 

 

 

Figura 1: Esquema de representação do Projeto Pedagógico do curso de

Ciências Biológicas da UFF.

 

Uma terceira dimensão, a resultante destes vetores, representa a síntese dada pela obtenção dos conceitos de interdisciplinaridade e percepção histórica, ocorrendo no último semestre do Núcleo Comum Básico. No caso específico do ensino de biologia estes conceitos encontram-se manifestos nas disciplinas de Ecologia e Evolução. Na Ecologia, definida pelas interações entre os organismos vivos entre si e destes com o meio ambiente, evoca necessariamente a complexidade de relações que exige a manipulação de conhecimentos de diversos campos do saber. Do mesmo modo é no estudo da evolução que a biologia ganha uma nova dimensão, o tempo, com sua ação criativa e transformadora e mais instigante do que tudo, trazendo para o campo das ciências da vida a noção de contingência, com seu conteúdo de novidade e indeterminismo (Figura 1).

Ao fim deste processo espera-se que o aluno se constitua em indivíduo autônomo, capaz de saber o que quer saber, buscar informações, manter uma postura critica comparando diferentes visões e reservando para si o direito de conclusão. Sendo assim, um aluno apto a exercitar a escolha responsável de sua futura formação profissional seja em Licenciatura ou Bacharelado.

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Curso de Graduação em Ciências Biológicas