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1º Simpósio UFF de Política Social. Tema: “Direitos Sociais Frente aos Desafios da Conjuntura em Tempos de COVID-19”PLATAFORMA ONLINE   O Programa de Estudos Pós-graduados em Política Social (PPGPS), da Universidade Federal Fluminense, convida a todos a participarem do 1° Simpósio UFF de Política Social. “Direitos Sociais Frente aos Desafios da Conjuntura em Tempos de COVID-19″. O evento será realizado em formato eletrônico, de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde, na página do Facebook do PPGPS (@politicasocialuff), visando atingir os seguintes objetivos: contribuir para a formação, capacitação técnica e intercâmbios acadêmicos, durante a pandemia, de modo a valorizar o conhecimento como instrumento primordial ao planejamento e execução em Política Social, bem como, ao enfrentamento das exigências e impactos diretos no trabalho profissional e na vida do trabalhador. Além disso, procura dinamizar o debate sobre a mobilização da sociedade civil e do Estado, para o atendimento, controle democrático e fortalecimento das políticas sociais. O Simpósio está aberto para inscrição de observadores, pesquisadores e técnicos, com ou sem comunicação científica.   PROGRAMAÇÃO DIA 19.10.2020 – SEGUNDA-FEIRA – 14h Representante de Pós-Graduação da ABEPSS MESA DE ABERTURA: Representante da Pós-Graduação da ABEPSS; Representante do CRESS/CFESS; Direção da Escola de Serviço Social; Coordenação do PPGPS. DIA 19.10.2020 – SEGUNDA-FEIRA DAS 14h:30min às 16h MESA 1- Proteção Social em Tempos de Covid-19: experiências na América Latina Convidadas: Prof.ª Dra. Mônica Senna – UFF/PPGPS; Dra. Valentina Baldo – IMS UERJ – Argentina; Dra. Aline Souto Maior – Instituto Nacional de Cardiologia – México; Ms. Luis Francisco Abreu Alvarez – Colômbia. COMUNICAÇÕES CIENTÍFICAS DAS 16h30min às 19h DIA 20.10.2020 – TERÇA-FEIRA DAS 14h às 15h30min MESA 2. Questão de Gênero, Raça e Classe: questões expostas pelo isolamento. Convidada: Prof.ª Dra. Magali Almeida UFBA/PPGSS Mediação: Prof.ª Dra. Nívia Barros – UFF/PPGPS Coordenação: Prof.ª Dra. Rita de Cássia Freitas – UFF/ PPGPS COMUNICAÇÕES CIENTÍFICAS DAS 16h às 19h DIA 21.10.2020 – QUARTA-FEIRA DAS 14h às 15h30min MESA 3. Trabalho e Desafios da Resistência no contexto da crise pós-pandemia. Convidados: Prof. Dr. Mauro Luis Iasi – UFRJ; José Valdir Misnerovicz – Lideranças do MST; Coordenação: Prof.ª Dra. Luci Faria Pinheiro – UFF/PPGPS; Doutoranda Luciana Bittencourt – UFF COMUNICAÇÕES CIENTÍFICAS DAS 16h às 18h MESA DE ENCERRAMENTO DAS 18h30min às 20h. Sistemas de Políticas de Seguridade Social no Brasil. Saúde, Assistência social, Previdência social e Segurança alimentar. Convidadas: Prof.ª Dra. Lenaura Lobato – UFF/PPGPS; Prof.ª Dra. Monica Senna – UFF/PPGPS; Prof.ª Dra. Luciene Burlandy – UFF/PPGPS; Prof.ª Dra. Hildete Pereira de Melo – UFF/PPGPS INSCRIÇÕES As inscrições deverão ocorrer por meio de formulário eletrônico no site do programa de Pós Graduação em Política Social (http://politicasocial.uff.br), respeitando as seguintes orientações: Inscrições de Trabalhos: 28.07.20 a 27.08.20; Resultado da avaliação dos trabalhos: 20.09.20; Inscrições Gratuitas; Inscrições de trabalhos e critérios de seleção: serão selecionados alguns trabalhos para apresentação, de acordo com o número de trabalhos recebidos e a importância dos temas. Todos os trabalho aprovados serão publicados nos Anais. Os critérios de publicação nos Anais eletrônicos, obedecerão às normas estabelecidas, de acordo com o tema e o formato no padrão; Não serão aceitos trabalhos após as 24:00h do dia 27.08.20 E-mail contato: simposiouffpoliticasocial@gmail.com NORMAS PARA INSCRIÇÕES DE COMUNICAÇÕES CIENTÍFICAS: Resumo expandido de 3 a 7 páginas; Formato PDF; Título em letra de forma com o máximo de 12 palavras, em tamanho 12, negrito e centralizado; Após um enter, nome completo do autor alinhado a direita e abaixo; instituição de formação e/ou do exercício profissional; Máximo de 03 autores por resumo; Os títulos das seções deverão ser alinhados à esquerda, precedidos por algarismos arábicos (1, 2, 3…), em tamanho 11 e negrito; O texto do resumo deverá ser em tamanho 11, em fonte Arial; Margens da página: 3 cm (superior e esquerda) e 2 cm (inferior e direita). Citações que ultrapassem 3 linhas deverão ser destacadas no texto, com recuo de 4 cm, espaçamento 1,0, justificado, fonte arial 10. Entre parênteses: (AUTOR, ano e pagina); Rodapés em tamanho 10 e justificado; Referências: de acordo com as normas da ABNT NBR 6023 de 2018. PUBLICAÇÕES: Os anais serão publicados em formato eletrônico, com ISBN; EIXOS TEMÁTICOS DOS RESUMOS EXPANDIDOS: 1. Seguridade Social e Estratégias de Enfrentamento da Covid-19 Coordenadores: Prof. Dr. Valter Martins UFF/PPGPS; Bárbara Celeste Rolim; Camila Farias Pançardes Ementa: Interessa reunir trabalhos de pesquisa e experiências que contribuam para discutir as diferentes áreas da Seguridade Social, a ampliação da pobreza, do desemprego, os programas de transferência de renda e a atuação profissional no enfrentamento da pandemia. 2: Trabalho e Políticas Públicas no contexto da Pandemia Coordenadores: Prof. Dr. Carlos Moraes – UFF/PPGPS; Rosangela Gonzaga. Ementa: Procura-se reunir trabalhos e experiências com resultados parciais ou conclusivos, que contribuam para o conhecimento e o debate sobre os processos de trabalho no conjunto das políticas sociais, a exemplo do impacto das reformas do Estado no atendimento emergencial em saúde e no SUAS. Elementos de análise das políticas sociais a partir da ampliação do desemprego, assim como, os impactos da precarização do trabalho nos espaços e profissões que atuam em atividades emergenciais e essenciais. Como compreender a crise do Estado e a democracia a partir da crise sanitária, que gera paradoxos como ampliação das demandas de políticas públicas de valorização da saúde do trabalhador, de combate à divisão sexual e racial do trabalho e maiores investimentos do Estado em formação profissional. 3: Desafios da Resistência dos Trabalhadores ao contexto da crise pós-pandemia. Coordenadores: Profª. Dª. Luci Faria Pinheiro – UFF/PPGPS; Luciana Bittencourt; Railson Barbosa. Ementa: O GT está aberto a trabalhos sobre experiências e pesquisas, com resultados parciais ou conclusivos, que contribuam para o conhecimento e o debate sobre a mobilização da população frente ao Estado por políticas públicas eficientes em resposta aos direitos sociais e humanos, à segurança pública, a mobilidade urbana. Qual é o alcance da resistência nas favelas em relação aos direitos de negros, mulheres e trabalhadores informais; segurança pública e o respeito aos direitos humanos de negros, mulheres, idosos, LGBTIq+, movimento estudantil e outros. A resistência camponesa e comunidades tradicionais em seus territórios.   Link para inscrição: http://www.campos.uff.br/index.php/simposio-uff-de-politica-social/
Rodas de Conversa: 21 Dias de Ativismo Contra o RacismoO objetivo da atividade é apresentar aos públicos interno e externo as produções que estão sendo desenvolvidas no âmbito dos Grupos de Estudo e do Movimento Estudantil da ESS/UFF Niterói que tem se dedicado à temática étnico-racial e sua centralidade nas políticas públicas e sociais a partir das esferas do ensino, pesquisa e extensão. Haverá duas rodas de conversa na Escola de Serviço Social: uma sobre “Antirracismo e Pensamento Crítico”, às 14 horas e outra sobre “Raiz não se Mata, se Protege: Reflexões sobre Racismo Religioso no Rio de Janeiro”, às 19h. Os dois eventos ocorrerão no auditório da Escola de Serviço Social, no dia 19 de março de 2020.
Educação e Direitos Humanos no Brasil em DebateO evento tem por objetivo trazer o debate sobre a educação pública no Brasil, que vem há algum tempo sendo sucateada e ameaçada por projetos privatistas, num processo de contrarreforma neoliberal implementada pelo Estado brasileiro e que, mais recentemente, de forma contundente, vem propondo a subordinação da educação ao mercado. A Educação, como direito humano fundamental inscrito na Constituição Federal, será debatida por profissionais que em sua luta cotidiana, no seu universo de atuação, resistem e buscam estratégias - teóricas, políticas e coletivas - no enfrentamento destes tempos de retrocessos.
III Novembro Negro da Escola de Serviço Social - UFFNa celebração do Dia da Consciência Negra, o III Novembro Negro da Escola de Serviço Social da UFF - Niterói almeja oportunizar o debate sobre a questão étnico-racial no Brasil com estudantes, profissionais, docentes, militantes e o público em geral. Através do reconhecimento dos históricos genocídio e racismo estrutural na formação social nacional, o evento pretende socializar pesquisas, projetos e iniciativas artisticas em curso que vêm (in)formando politicamente sobre as resistências da população negra para além dos modismos do mercado e valorizando o legado da sua cultura para o país. Em tempos de graves violações dos direitos humanos, onde as negras e negros são os mais atingidos em múltiplos sentidos, é papel ainda maior da universidade promover a reflexão desta realidade e disseminar a voz daquelas e daqueles que assumem a luta antirracista. Informações sobre as datas e horários em anexo ou pelo email de contato. Haverá emissão de certificado.
Imigração Venezuelana: a experiência do serviço social (Ministério da Cidadania) na Operação Acolhida - fronteira Brasil - Venezuela. Pacaraima - RoraimaDesde 2015 a Venezuela vem passando por grave crise política e econômica e segundo o ACNUR, em junho de 2019 segundo dados de governos 4.001.917 de nacionais da Venezuela constam como solicitantes de reconhecimento da condição de refugiado, refugiados e residentes em seus sistemas. O Brasil é o quinto país de entrada de venezuelanos e hoje tem aproximadamente 62 mil pedidos de solicitação de refúgio além de mais de 30 mil portadores de visto temporário e um programa de interiorização no país desenvolvido pelo governo e parcerias. O acentuado fluxo de venezuelanos aprofunda problemas relacionados à ínfima estrutura e atenção de políticas públicas à população local o que dificulta a integração e gera a xenofobia. A cidade fronteiriça de Pacaraima e outros municípios em Roraima bem como Boa Vista historicamente apresentam uma renda per capita abaixo da média nacional. Acirradas lutas políticas entre governo do estado e capital e disputas judiciais entre latifundiários e indígenas, uma vez que 70% das terras do estado são indígenas, integram parte da complexa situação que impacta a população refugiada venezuelana indígena e não indígena. A Roda de Conversa objetiva debater esses aspectos a partir da experiência na fronteira em que o diálogo entre a ajuda humanitária e as políticas sociais é atravessado por limites e possibilidades.   A Roda de Conversa será realizada no dia 10 de setembro, das 10h às 17h na sala 414 da Escola de Serviço Social, localizada na Rua Alexandre Moura, 8 - Bloco E - Campus do Gragoatá - São Domingos - Niterói - RJ.
Abertura do semestre - Programa de Pós-Graduação em Serviço Social e Desenvolvimento Regional.O Programa de Pós-Graduação em Serviço Social e Desenvolvimento Regional realizará no dia 20 de agosto, de 15h às 21:30h, evento de abertura do semestre. Teremos mesas com a apresentação da produção de nossos egressos, sendo um momento muito rico para a troca entre egressos, discentes atuais do PPGSSDR e também os de Graduação. À noite, será realizada conferência com o prof. Mathias Luce. Será um prazer enorme contar com a sua presença em nosso evento. Para isso, basta preencher o formulário e selecionar as opções que desejar. Formulário: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSesLn5dauUYAK5zJEsRNNYaXUNjaMJGFW6Dc7H0aWmnNDPCIw/viewform
Acolhimento a refugiados é destaque em projeto da UFFO último relatório “Tendências Globais” do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) apresentado pela ONU registra que 65,6 milhões de pessoas saíram de seus territórios de origem por perseguições e guerras, sendo mais de 300 mil só no último ano. O documento enfatiza também que uma em cada 113 pessoas em todo o mundo foi forçada a se deslocar - número superior à população do Reino Unido. O Acnur aponta ainda que metade dos refugiados são crianças e que 75 mil delas solicitam refúgio. Na maioria das vezes, elas viajavam sozinhas ou separadas de seus pais. Segundo dados do Comitê Nacional para Refugiados (Conare), o Brasil possui atualmente 8.863 refugiados de 79 nacionalidades diferentes. Além destes, outras 25,2 mil pessoas aguardam julgamento do status de refugiado. Na comparação com dados de 2010, o aumento de refugiados reconhecidos é de 127%. Dentre esses, a nacionalidade com mais representantes é a Síria (2.298), seguida por angolanos (1.420), colombianos (1.100) e congoleses (968). Consciente dessa cruel realidade, no último dia 20 de junho, a Escola de Serviço Social (ESS UFF) celebrou o Dia Mundial do Refugiado. Segundo a coordenadora do Laboratório de Políticas Públicas, Migrações e Refúgio, professora Ângela Magalhães Vasconcelos, a iniciativa teve como objetivo dar visibilidade à coragem e à resiliência de pessoas refugiadas, que foram obrigadas a se deslocarem por diversos motivos: conflitos, guerras, perseguições e graves violações dos direitos humanos. O evento reafirmou a necessidade da elaboração de políticas públicas eficazes que priorizem o acolhimento, a proteção e atendam às múltiplas demandas destas pessoas, qualificando-as como cidadãos autônomos e portadores de direitos civis e políticos. Os refugiados, segundo  Ângela, deixam seus países de origem de várias maneiras que podem incluir, além do pagamento efetuado aos coiotes (pessoas que cobram para atravessar emigrantes irregulares), também a submissão às práticas violentas diversas impostas pelos traficantes humanos, já no novo país. A data também serviu para sensibilizar sobre uma temática real, que envolve pessoas, perdas e traumas, bem como chamar atenção sobre o crescimento dos fluxos migratórios de homens, mulheres e crianças, que apontam para uma endêmica pobreza apátrida, muitas vezes consequência também dos efeitos climáticos. Na entrevista a seguir, a professora Ângela Vasconcelos, fala sobre o laboratório e políticas públicas para os refugiados.   Quando surgiu e quais são os projetos desenvolvidos pelo Laboratório de Políticas Públicas, Migrações e Refúgio? O laboratório foi formalizado como grupo de pesquisa no CNPq em março de 2017, após três anos de estudos. A partir da realização de um evento na ESS, no início de 2014, com  participação de alunos de sociologia e de relações internacionais sobre o Haiti e o refúgio no Brasil. Aproveitei a estada do pesquisador haitiano, Franck Seguy, da Université d'État d'Haïti, para aprofundar estudos sobre as condições de vida de seu povo e a história do país. Daquele momento em diante passei a participar de grupos de estudos sobre migrações e refúgio, legislações específicas do direito internacional, dos refugiados e direitos humanos. De que forma o laboratório articulou seu trabalho? Por meio do projeto “Políticas Públicas, Migrações e Refúgio”, onde contamos com duas linhas de pesquisa: uma ligada à política de assistência social, migrações e refúgio, com pesquisa comparada, em territórios específicos onde se concentram pessoas refugiadas de quatro municípios do Estado (Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e Duque de Caxias) e a outra sobre as políticas públicas para mulheres refugiadas no Brasil e na América Latina. Parte dessas mulheres foge por conta da violência de gênero e ainda assim as enfrentam no caminho e na chegada, em outros países e territórios. Além disso, desenvolvemos ações de ensino, pesquisa e extensão no laboratório com o objetivo de problematizar a temática das migrações e refúgio, gerando processos e produtos que subsidiem, em curto e médio prazos, ações e políticas públicas descentralizadas, singulares e com qualidade, em especial à assistência social. Há programas assistenciais governamentais para refugiados? Existem programas específicos na rede pública. Entre 2012 e 2013 elaborei um projeto de pesquisa sobre os Programas de Transferência de Renda no Brasil, especificamente o Programa Bolsa Família (PBF). Na ocasião, verifiquei que não havia registro específico no CADÚnico (cadastramento de pessoas de baixa renda para serem beneficiadas por programas sociais) sobre os solicitantes de refúgio ou refugiados. Era um momento em que o mundo e o Brasil observavam um aumento nos fluxos migratórios. Essa realidade continua. Para se desenhar políticas são necessários números e apesar de termos dados sobre pessoas refugiadas da Polícia Federal, IBGE, Conare e aqueles repassados por instituições não governamentais, eles não estão refinados e são insuficientes, principalmente nos municípios e suas regiões. O estado do Rio de Janeiro está preparado para atender aos refugiados? Os refugiados vêm sendo atendidos nas redes públicas de saúde, educação, etc. Entretanto, como todos nós, enfrentam também a precarização dos serviços públicos. Isso tudo agravado pelos problemas na comunicação, pois muitos ainda não dominam a língua portuguesa. Há demandas peculiares que apresentam em virtude dos motivos que os trouxeram para cá e pelo fato de muitos funcionários públicos desconhecerem os direitos dessas pessoas. Existem raríssimas prefeituras investindo em processos de qualificação de gestores e servidores para atender aos refugiados. A questão da moradia também é um sério problema pelo alto custo. Muitas pessoas acabam dividindo o aluguel de espaços pequenos, forçando a migrarem cada vez mais para as periferias, onde os aluguéis são mais baratos. Além disso, eles acabam participando de movimentos por moradia. Isto aparece bem claro no filme “Era o Hotel Cambridge”, de Eliane Caffé. Enfim, a vulnerabilidade também gera integração. Como a UFF está lidando com as demandas dos refugiados? A UFF tem docentes de diferentes cursos desenvolvendo estudos e pesquisas com produções muito qualificadas sobre migração, refúgio e direitos humanos ou que incidem direta ou indiretamente sobre o tema. Acredito ser possível, num futuro próximo, a construção de uma política institucional voltada especificamente ao acesso de solicitantes de refúgio, refugiados, portadores de visto humanitário e apátridas. As dificuldades de ingresso de refugiados no ensino superior são enormes, pois eles não possuem recursos financeiros, documentos, passaram por situações traumáticas, mas têm direito à educação, qualificação e trabalho. Como a população vem acompanhando a chegada dos refugiados em solo brasileiro? De um lado se observa uma xenofobia aos muçulmanos, porque há uma ideia de que eles disseminam terrorismo. Também há o preconceito racial em relação aos negros. Não necessariamente à condição de refugiado. Isto demonstra o quanto o negro é rejeitado na sociedade brasileira. De outro, vejo e vivencio o acolhimento e o compromisso da integração com autonomia e respeito aos aspectos multiculturais. Ainda ouço e vivencio situações de (re)vitimização das pessoas em relação aos refugiados, mas eles têm direitos, compromissos e efetivamente são capazes, com acolhimento, proteção e acompanhamento, de seguir em frente e de construir novas histórias. O que pode ser feito efetivamente para mitigar as consequências desse quadro? Acredito na função social e política das universidades, com destaque para as Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes), que devem desenvolver mecanismos de inclusão diferenciados considerando as condições singulares destas pessoas. Creio que na UFF podemos repensar o processo de revalidação de diplomas de graduação e pós-graduação, criar vagas suplementares nas graduações e nas pós-graduações e potencializar os estudos complementares. Podemos oferecer a esses imigrantes vulneráveis, por meio da extensão universitária, entre outros, o curso de português para estrangeiros, apoio psicológico e assessoria e acompanhamento de processos e demandas jurídicas. Através dos projetos e programas já existentes, como o Prolem (curso de línguas), o SPA (assistência psicológica) e o Cajuff (assistência jurídica), isso me parece viável.
Semana de Comemoração ao dia da (o) Assistente Social.A Escola de Serviço Social vem convidar e informar para toda a comunidade acadêmica da UFF que, do dia 22/05/2017 ao dia 31/05/2017, será realizada a Semana de Comemoração ao Dia da (o) Assistente Social. Haverá palestras, oficinas, mesas-redondas, mini-cursos, dentre outras atividades relacionadas à profissão de Assistente Social. As inscrições podem ser feitas por meio deste link. Todos que participarem das atividades receberão via email um certificado de participação da referida atividade inscrita.  
Programa SOS Mulher no Huap: atendimento às vítimas de violência sexualAngústia, dúvida, medo, vergonha, dores físicas e emocionais. Esses são alguns dos sentimentos que a equipe multidisciplinar do Programa de extensão SOS Mulher busca aliviar nas mulheres que chegam ao Hospital Universitário Antonio Pedro (Huap) após sofrerem algum tipo de violência, principalmente sexual. Em atividade há quase 15 anos, o SOS Mulher atende, 24 horas por dia, a mulheres que chegam ao Serviço de Obstetrícia, comumente chamado de maternidade do hospital. O setor localizado no oitavo andar do Huap funciona tanto como porta de entrada para emergências obstétricas quanto para mulheres em situação de violência sexual. Para ser atendida fora do horário em que a recepção do ambulatório esteja aberta, é preciso acessar a portaria lateral do Huap, onde as equipes são constantemente orientadas a autorizar a entrada das mulheres. Acolhimento é a palavra de ordem do serviço, que é reconhecido como referência pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o Leste Metropolitano (também chamado de Região Metropolitana II, que abrange municípios como São Gonçalo, Itaboraí, Rio Bonito, Maricá, Tanguá e Niterói). É um dos poucos atendimentos que se dá também por demanda espontânea, pois, desde 2008, o Huap adotou a gestão de emergência aberta, referenciada e regulada, no modelo do SUS, cujo encaminhamento se dá pela central de regulação ou pelo próprio ambulatório. Ao acessar a recepção da emergência, a paciente relata suas queixas em uma ficha e recebe encaminhamento para a maternidade, onde há médicos ginecologistas e a equipe de enfermagem de plantão. Todo o atendimento segue as diretrizes do Ministério da Saúde na norma técnica “Prevenção e tratamento dos agravos resultantes da violência sexual contra mulheres e adolescentes”. A norma estabelece os medicamentos, exames e procedimentos de profilaxia indicados para prevenir, por exemplo, uma gravidez indesejada e doenças como HIV-Aids e outras sexualmente transmissíveis. Daí a importância de se buscar ajuda em até 72 horas, de preferência, prazo para que os coquetéis antirretrovirais possam combater rapidamente a ação do vírus. No Huap, a medicação é organizada em kits pelo setor de Farmácia do hospital, em conformidade com as normas do ministério, que são distribuídos às mulheres atendidas. Obstetrícia é a porta de entrada para quem sofre violência sexual A enfermeira Diva Pilotto, integrante do SOS Mulher desde a origem do programa, ressalta que além do tratamento, as usuárias encontram amparo no serviço. “É um lugar onde não necessariamente elas precisam contar a história mais uma vez. Algumas querem ser ouvidas, outras querem só o medicamento. Mas é importante dizer que elas são recebidas depois de vencer uma barreira muito complicada, que é ter coragem para entrar no hospital. É como se fosse o primeiro tempo de um longo caminho, então dizemos a cada uma elas ‘tenha tranquilidade. Você já chegou no lugar que procurava’. É um lugar onde a calmaria tem que se fazer, porque vemos coisas muito difíceis”, conta.  É ali também que os plantonistas examinam a paciente e fazem a primeira testagem do HIV e de DST’s. Isso dá uma visão prévia sobre o quadro de saúde e o panorama de vida antes do ato de violência. Passada a etapa emergencial, a usuária é recomendada ao atendimento que ocorre às quartas-feiras, em diferentes áreas da saúde. Quando necessário, recebe o encaminhamento para o tratamento com antirretrovirais na Infectologia e para uma entrevista junto ao Serviço Social e à Psicologia e para o acompanhamento ginecológico. “Esse atendimento de quarta-feira é super importante para conscientiza-las e incentiva-las à reflexão sobre a importância de seguir o tratamento até a alta. Ficam em acompanhamento médico para definir como será esse seguimento. Os antirretrovirais têm que ser tomados durante 28 dias e podem causar efeitos colaterais desagradáveis, como diarréias e náuseas. E, depois da violência ocorrida, os testes anti-HIV e DST’s são refeitos três vezes. A paciente só recebe alta depois da terceira testagem negativa. Tudo isso é explicado lá como acontece”, afirma a assistente social Leila Guidoreni, uma das fundadoras do programa. Segundo Leila, a equipe do Serviço Social – que é formada por ela e dois estagiários, estudantes da graduação na área – trabalha sob livre demanda. Ou seja, não há a obrigação, por parte da usuária, de passar pela assistente social cada vez que comparecer ao hospital. Porém, muitas voltam porque se forma um vínculo. “Orientamos as pacientes nas necessidades que elas possam ter – seja afastamento do trabalho ou da escola, atendimento jurídico, previdência, leis trabalhistas, benefícios e outros direitos, depende do que cada uma demandar. E muitas delas acabam vindo inclusive por questões que não tem mais a ver com a violência sofrida. Do jeito que a nossa acolhida acontece, acabam voltando pelo vínculo, e também para demonstrar que estão bem”, diz.  A equipe do programa dá atenção especial à privacidade das pacientes. Não apenas o que é dito, como detalhes sobre os procedimentos, são mantidos em sigilo. Nesse sentido, a ginecologista Carmen Athayde, chefe do ambulatório de Ginecologia, expressa a preocupação de não manter muitos profissionais e estudantes nos locais onde as mulheres estiverem. “Em se tratando de violência, uma temática na qual elas têm dificuldade de verbalizar, com uma carga emocional muito forte, não há como colocar um monte de gente no ambulatório sentada ali para assistir. Isso se torna muito invasivo. Por mais que tenhamos o compromisso de formar, também é fundamental pensar no lado da paciente. Tem que haver um rodízio, com no máximo dois residentes ou estudantes por vez”, explica Carmen, que atualmente coordena o SOS Mulher. Graduação em Medicina também é parceira do SOS Mulher Em relação à formação, além de manter estagiários e residentes como parceiros do SOS Mulher, o programa firmou uma parceria com o curso de graduação em Medicina, por meio da disciplina obrigatória “Trabalho de Campo Supervisionado I (TCS I)”, ministrado pelas professoras Elizabeth Clarkson e Sonia Berger a alunos do segundo período. A disciplina tem o eixo temático “Atenção Integral à pessoa em situação de violência”. “Trabalhamos com temas ligados à saúde coletiva, às ciências humanas e sociais, em questões como direito, estudos de gênero. Não olhamos apenas para a violência sexual, mas para os diversos tipos de violência – contra crianças, adolescentes, mulheres, idosos, sob a perspectiva doméstica, sexual, institucional. É uma disciplina que une a teoria, sob o olhar da integralidade, com a prática, buscando conhecer o espaços onde ela se dá. E o SOS Mulher virou um campo de estudo. De 2013 para cá, já foram seis turmas participando”, esclarece Sonia, acrescentando que Leila e os estagiários promovem, a cada semestre, encontros com os estudantes para apresentar o serviço. Eles são divididos em pequenos grupos, acompanhados dos chamados preceptores, que na área da saúde são responsáveis por conduzir e supervisionar o desenvolvimento de internos e residentes nas diversas especialidades de um hospital. Elizabeth Clarkson e Sonia Berger mantém ainda o projeto de pesquisa “Estudo sobre o Acolhimento a pessoas em situação de violência no Hospital Universitário Antônio Pedro”. A pesquisa busca avaliar rotinas e práticas internas da equipe envolvida na assistência e na articulação com a rede intersetorial local, aprofundando a análise sobre a situação das mulheres, especialmente das vítimas de violência sexual, no processo de adesão ao tratamento ofertado. “A partir da sensibilização pela disciplina e com o projeto, os alunos entendem qual é o trabalho do SOS Mulher e, a partir dali, formulam suas próprias questões sobre gênero e violência”, conta Elizabeth, explicando que a pesquisa foi toda construída em parceria com os alunos. Segundo Sonia, o estudo já foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa e os resultados preliminares deverão ser divulgados em março de 2017, por ocasião do mês internacional da mulher. “Fizemos um diagnóstico situacional geral no Huap, por entendermos que a questão da violência é um problema de saúde para todos os setores e pessoas atendidas ali. Mesmo que a pessoa tenha outra demanda que não seja específica sobre violência, quem está internado ou sendo atendido pode ter sofrido maus tratos, violência sexual ou outro tipo de violência. Por isso, o olhar de que quem atende e dos futuros profissionais precisa ser ampliado para identificar os casos e acolher de forma diferenciada”, pontua. Articulação em rede é base para atendimento integral Antes da criação do programa, o campo da violência contra a mulher não recebia uma abordagem específica no Huap, ficando a cargo de serviços que já atendiam à saúde da mulher de forma geral. De acordo com Leila Guidoreni, a criação de atendimentos especializados na área é resultado de uma intensa luta de movimentos sociais, mais especificamente de movimentos organizados de mulheres e entidades locais. “Isso fez com que o governo federal convocasse as secretarias estaduais de saúde e instituições onde já havia um polo de atendimento à saúde da mulher para uma capacitação, entre os anos 2000 e 2001. O objetivo era nos capacitar para implementar um protocolo de organização e sistematização dos atendimentos em rede”. Em 2013, foi lançado o programa federal “Mulher, Viver sem Violência”, com o  propósito de integrar e ampliar os serviços públicos já existentes voltados às mulheres em situação de violência. Dentre os objetivos, está a ampliação do atendimento adequado e humanizado às vítimas de violência sexual e o combate à impunidade dos agressores.  Segundo a assistente social, um dos desafios hoje é a manutenção da integração dessa rede como uma política permanente. Ela conta que o programa busca maior aproximação com órgãos locais onde já há formalmente uma parceria, como o Ministério Público, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), a Coordenadoria de Políticas e Direitos das Mulheres (Codim) da Prefeitura de Niterói, e a OAB Mulher, seccional da Ordem dos Advogados do Brasil. “Dentro do atendimento em saúde, damos, no hospital, tudo o que é possível oferecer. Mas não há como dar conta, por exemplo, da questão legal. Então hoje podemos dizer que, internamente, temos um fluxo estruturado e que ninguém fica sem atendimento”. Ela afirma que estão buscando reforçar a rede de atendimento, com a sensibilização de todos os responsáveis. “Está programado um calendário de reuniões bimestrais, na Codim, para buscar a rearticulação de rede, com todas essas instituições convocadas a atuar. Nem sempre podem estar presentes ou dar uma prioridade à questão, o que depende muito do profissional que estiver à frente no atendimento. Mas não podemos parar, temos que continuar. Por isso estreitamos ao máximo que o contato com as outras instituições”. O atendimento no Serviço Social do ambulatório do Huap para vítimas de violência doméstica ou sexual (não emergenciais) ocorre de segunda à sexta-feira, das 13h às 17h. O telefone é 2629-9073.