Projeto da UFF cria aplicativos que auxiliam no tratamento de doenças cardíacasAtualmente são inúmeros os recursos tecnológicos que podem ser aplicados na área da saúde. Os processos de diagnóstico e tratamento de doenças têm alcançado melhores resultados a partir da utilização de, por exemplo, procedimentos menos invasivos (como as cirurgias robóticas), e a redução do tempo de recuperação dos pacientes a partir de exames mais rápidos e eficazes, que contribuem na melhora da qualidade de vida das pessoas assistidas. A tecnologia garante também maior efetividade ao trabalho de médicos e outros profissionais da área. Na Universidade Federal Fluminense, o projeto Fábrica de Software e Tecnologia para a Saúde (Softecs) reúne pesquisadores de diversas áreas com o objetivo de desenvolver aplicativos que auxiliam na decisão, tanto para o médico como para o paciente, em casos de doenças importantes da cardiologia, complementando o auxílio clínico com ferramentas diagnósticas e terapêuticas mais eficazes. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, cerca de 140 mil pessoas morrem de doenças cardiovasculares no Brasil por ano. Estão envolvidos na pesquisa 10 professores de Ciência da Computação, Engenharia de Telecomunicações, Gestão e Empreendedorismo, Enfermagem, Medicina, Nutrição, Veterinária, e outros departamentos da saúde; e aproximadamente 40 alunos de graduação e pós-graduação desses cursos. Criado em 2017, o Softecs consistiu inicialmente em um trabalho multidisciplinar sobre um sistema de apoio à decisão para o diagnóstico de Demência e Doença de Alzheimer, oriundo da tese de doutorado de Flávio Luiz Seixas, professor do Departamento de Ciência da Computação e atual coordenador da iniciativa — que tem como espaço físico o Laboratório Midiacom, sediado no Instituto de Computação e na Escola de Engenharia. “O  processo de criação dos aplicativos se  inicia com a apresentação de demanda por um professor, aluno ou profissional da saúde. Esta solicitação é recebida por um professor da Computação colaborador do projeto, que convida um aluno da graduação para participar”, explica o pesquisador. A equipe de desenvolvimento é formada por um representante da área de saúde, um professor colaborador da Computação e um aluno da graduação ou pós-graduação em Computação ou áreas tecnológicas afins. Durante a formulação do aplicativo, a equipe poderá consultar outros docentes para sugerir ou avaliar as escolhas tecnológicas. Os aplicativos do Softecs são gerados para resolver problemas reais da saúde. Para os profissionais inseridos no projeto, são exemplos de suas funções: a consulta e atualização do prontuário eletrônico, o apoio à execução de diretrizes clínicas, o suporte ao diagnóstico e tratamento de mazelas. Já para os pacientes, a consulta e exibição de informações sobre a doença, a orientação, além do acompanhamento da prescrição de dieta alimentar são benefícios notáveis. Algumas doenças abordadas são: insuficiência cardíaca, demência do tipo Alzheimer, depressão senil e miocardite periparto. Para grande parte dessas enfermidades, o diagnóstico e o tratamento seguem um conjunto de protocolos. Portanto, a tarefa das equipes envolvidas na criação dos aplicativos se baseia em analisar essas diretrizes clínicas e propor sistemas que apoiem a sua execução, como é o caso do apoio à decisão. Segundo o professor Flávio Luiz, “um benefício para a saúde desses tipos de sistema está relacionado à qualidade da prestação do serviço e segurança do paciente, pois leva ao profissional o conhecimento publicado na literatura médica, exibindo-o em um formato prático e adequado ao contexto clínico”. Uma parte dos aplicativos está em desenvolvimento, enquanto outros estão em fase de testes, quando são apresentados aos usuários finais para uma avaliação da usabilidade e/ou experiência do paciente. Para o aperfeiçoamento dos produtos, o Softecs possui parcerias e projetos com várias instituições, dentre elas: Fundação Oswaldo Cruz, Laboratório Nacional de Computação Científica, RNP, Prefeitura de Niterói, Instituto Nacional de Cardiologia, Labs D’OR e SEBRAE; além de universidades internacionais, dentre elas: Universitá Degli Studi Di Brescia e Amsterdam Universitair Medische Centre. O projeto PET-CT-PREPARATION, que tem como público-alvo pacientes com endocardite infecciosa suscetíveis ao exame de imagem PET-CT (tomografia que avalia o metabolismo das estruturas analisadas), é um exemplo do trabalho realizado pelo Sofetecs. A graduanda de Engenharia de Telecomunicações e integrante da equipe que elabora o aplicativo, Celine Lacerda de Abreu Soares, detalha a necessidade do seu uso: “você tem um exame fatigante para fazer e deve se preparar com antecedência. Não conseguiu absorver todas as indicações feitas pelo seu médico ou profissional de saúde. Com a plataforma, existe a possibilidade do paciente receber o que é preciso durante esse período tão delicado, sendo informado e alertado sobre tudo que deve ingerir durante o preparo do seu exame”, ilustra. “É uma forma de unir paciente e instituição em prol da saúde, através da cooperação mútua e sob as diretrizes de órgãos responsáveis”, Celine Lacerda de Abreu Soares. Para Flávio Luiz, um dos maiores desafios encontrados durante a implementação dos aplicativos consistiu em compreender de forma adequada o problema apresentado pelo representante da saúde, e definir junto com a equipe uma proposta de valor a ser implementada no produto mínimo viável, ou MVP (Minimum Viable Product). De acordo com o docente, “o MVP representa os requisitos de maior valor agregado ao cliente, e com o menor investimento em termos de escopo, custo e prazo”. Um dos objetivos do MVP é validar as funcionalidades do produto com seus usuários. Definir qual dispositivo mais apto para a adesão do aplicativo foi uma dificuldade que o estudante em Sistemas de Informação e membro do Softecs, José Paulo de Mello Gomes, enfrentou durante o projeto. “Primeiro optamos pelo desenvolvimento híbrido — que capacita o aplicativo em diferentes plataformas — para alcançar usuários dos sistemas operacionais Android, iOS e Windows Phone, mas enfrentamos alguns percalços e mudamos para o desenvolvimento nativo Android”, afirma o graduando. José Paulo integrou a equipe responsável pelo CARDI.O, plataforma de acompanhamento dos pacientes com insuficiência cardíaca. Nele, os usuários informam seu estado de saúde durante os dias (batimentos cardíacos, pressão, peso, fadiga). Além disso, também lembra o monitorado de realizar suas atividades como pesar-se, tomar seus medicamentos, exercitar-se, limite de líquidos ingeridos, além de consultas marcadas e informar sobre a doença. “O projeto reforçou minha ideia sobre o curso de Tecnologia da Informação, de ser um meio para um fim, ou seja, uma forma de fornecer uma solução para o problema de alguém e, consequentemente, ter o profissional de TI como um intermediador”, declara o estudante. Além disso, o Softecs auxilia os alunos da instituição a conhecer um importante campo em expansão: a telessaúde, que tem o potencial de não só melhorar a qualidade de vida das pessoas como levar o atendimento para comunidades que nem sempre estão próximas de locais com assistência médica. Já a graduanda Celine chama atenção também para o conforto tanto para os usuários dos aplicativos como para os hospitais envolvidos: “é uma forma de unir paciente e instituição em prol da saúde, através da cooperação mútua e sob as diretrizes de órgãos responsáveis”.
Iniciação Científica: UFF recebe talentos do ensino médio de NiteróiNo intuito de levar conhecimento aos jovens com poucas oportunidades de acesso à ciência e às novas tecnologias, o curso de Pós-Graduação em Ciências Cardiovasculares da UFF, através da determinação dos professores e da universidade, se abre para receber alunos do ensino médio do Colégio Estadual Guilherme Briggs, de Niterói. A aluna do primeiro ano, Vitória Alves Pinheiro, 17 anos, estuda no colégio, que fica localizado no bairro Santa Rosa, em Niterói. Ela é uma das bolsistas do Programa Institucional  de Iniciação Científica Ensino Médio (Pibic-EM) da UFF. O programa foi criado em 2010, quando o atual vice-reitor da UFF, Antonio Claudio da Nóbrega, era pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação. A estudante está entre os alunos do Guilherme Briggs selecionados pelos professores para participar do programa. Ela acompanha uma pesquisa sobre o uso da radioatividade em saúde, ligada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Cardiovasculares, no Hospital Universitário Antônio Pedro. No Huap, ela aprende os elementos básicos do método científico. No futuro, poderá saber técnicas para resolução de problemas e já até criou um banner sobre a aplicação da radiação na saúde. O objetivo do programa da UFF é despertar no aluno do Ensino Médio o interesse para a formação superior em áreas de Ciência e Tecnologia. A bolsa é de um ano e eles recebem um auxílio mensal. “A minha experiência pessoal é de que todo professor de Pós-Graduação deveria orientar alunos do Pibic-EM. A experiência é muito enriquecedora para todos! É difícil saber que muitos alunos com tanto potencial como a Vitória não têm computador ou internet em casa. Esperamos ver esta realidade modificada no futuro”, afirma o médico e coordenador do programa de pós-graduação, Claudio Tinoco, apesar do difícil momento que passa a área de pesquisa no Brasil com os cortes de verbas. Potencial é o que não falta para a aluna Vitória. Ela e outros alunos do Colégio Estadual Guilherme Briggs conquistaram o Prêmio Nacional Itaú-Unicef com o desenvolvimento de um aplicativo que é um mapa digital para facilitar os novos alunos a se deslocarem dentro da escola, que é muito grande. O Mapola, nome que deram ao app, venceu 1600 projetos de todo o país. O aplicativo faz parte de outra parceria do colégio com a ONG Bem TV. “Foi ótimo saber que a ideia do grupo foi desenvolvida e reconhecida. A gente não esperava isso tudo no início. Era só um modo de ajudar os outros”, comemora Vitória. Quando entrou pela primeira vez no Hospital Universitário Antonio Pedro, a estudante constatou a utilidade do Mapola. “Como o meu colégio, o hospital é muito grande. Tem muitos alunos, médicos e funcionários. Senti um frio na barriga”, lembra a estudante. Animada com as novas “descobertas” que está fazendo como bolsista, Vitória já está dividindo essa experiência com os colegas. Durante a Feira de Ciências, ela levou o físico médico especialista em medicina nuclear Fernando Fernandes para conversar com os alunos. “Ele fez uma palestra explicando como funciona o hospital e o que é a medicina nuclear. Foi legal descobrir que os meus colegas também têm interesse no assunto”, afirma a estudante. A UFF mantém parceria com o Colégio Estadual Guilherme Briggs também em outras áreas como  Farmácia e Cinema. “Hoje temos 466 alunos em horário integral. Nossa escola é engajada em ser uma escola pública de qualidade para os nossos alunos. Sabemos que sem oportunidades, é muito difícil”, afirma a diretora Alcinéia Souza. Ela lembra que o colégio tem parceria com a UFF desde 2014 e espera que essa parceria siga em frente. Esse também é o desejo do médico e professor Cláudio Tinoco. “Devemos acreditar nos mais jovens, nos alunos da escola pública brasileira, naqueles que estão à margem do sistema. Imagine se estes alunos tivessem mais oportunidades? Seriam capazes de muito mais. O prêmio é um sinal de esperança!”, reflete. Tinoco afirma ainda que é um dever da universidade continuar com iniciativas como o Pibic-EM e outras do gênero. “Devemos estimular que estes jovens talentos que queiram abraçar as carreiras da ciência e tecnologia tenham essa oportunidade para, assim, terem a chance de mudar o nosso país”, conclui.
Aplicativos para dispositivos móveisCriamos o projeto UFF Mobile com o objetivo de tornar as aplicações da UFF acessíveis também via celular. Hoje, já contamos com um aplicativo, disponível nas plataformas Android eiOS. Estamos estudando a possibilidade de desenvolvê-lo futuramente para outras plataformas. Se você também tem interesse em desenvolver seu sistema em plataforma mobile, entre em contato via atendimento@id.uff.br .