Eduff lança “Trabalho e trabalhadores no Brasil"Em tempos de discussão sobre possíveis reformas trabalhista e previdênciária, a Eduff lança a coletânea “Trabalho e trabalhadores no Brasil: experiências, deslocamentos, modalidades e resistências" (Eduff, 2017), organizada pelos historiadores Cristiana Costa e Norberto Ferreras. Os artigos que compõem o livro debatem a diversidade temática e a pluralidade de leituras sobre os “mundos” do trabalho, a partir de pesquisas desenvolvidas no Programa de Pós-Graduação em História Social da UFF. Os temas abordados abrangem do acesso à propriedade de terra à construção de identidades pelas minorias políticas, incluindo a articulação de mobilizações e organizações políticas na luta por direitos. Com isso, os organizadores ampliam o entendimento da dimensão histórica de inúmeros aspectos das experiências de trabalhadores e das ações do Estado brasileiro em relação ao trabalho. A obra foi dividida em três partes, a partir dos períodos e questões estudadas. A primeira, entitulada “Terra, escravidão e conflitos no Brasil oitocentista”, versa sobre a organização e a dominação dos escravos e dos homens pobres livres no fim do século XIX, com o término do Império e ascensão da República Velha. Compreender a dinâmica desse período auxilia no entendimento sobre a construção do conceito de classe trabalhadora, que viria a se formar no século XX. Já a segunda parte, “Experiência de trabalhadores rurais no Brasil contemporâneo: narrativas, deslocamentos e organização política”, agrega reflexões sobre as redes de solidariedade, os deslocamentos e as inquietudes sobre o acesso à terra e resistência dos trabalhadores rurais no interior do país. A partir das narrativas obtidas pelas técnicas da história oral, ganham destaque os vareiros, os tropeiros, os lavradores e as quebradeiras de coco. “Estado e trabalhadores no Brasil contemporâneo”, última parte do livro, relata as estratégias de controle social dos trabalhadores a partir do Estado, bem como as ideias e práticas de militância para intervir nesse cenário, com o intuito de garantir direitos sociais mínimos. “Trabalho e trabalhadores no Brasil”, que se inicia com aspectos do início de nossa caminhada republicana, é finaliado com análises das diferentes leituras de projetos de formação para o Brasil contemporâneo. Saiba como comprar.    
Escravidão sob a ótica filosófica é tema de pesquisas na UFF de MacaéA escravidão negra no Brasil durou quase 400 anos, deixando marcas terríveis na sociedade. Mesmo assim, a questão ainda é pouco explorada pela academia, apesar de sua relevância na história brasileira. Ao se dar conta da ausência de estudos sobre o assunto, um grupo de pesquisa composto por um professor e alunos do Instituto de Ciências da Sociedade da UFF de Macaé (ICM) buscou integrar a leitura de autores importantes para a Filosofia Política Contemporânea às reflexões sobre a escravatura. O professor Daniel Arruda Nascimento, entendendo que a filosofia pode contribuir para a melhor compreensão e aprofundamento do tema, deu início, junto ao seu grupo de pesquisas, a uma série de projetos abordando a escravidão sob uma ótica filosófica. Nos últimos três anos, o grupo deu sequência a três projetos com os títulos Senzala como campo biopolítico: uma investigação filosófica sob o patrocínio das teses de Giorgio Agamben (2014/2015), Processos e sentidos da escravidão: norte filosófico e sul da história (2015/2016), Filosofia e escravidão, racismo e resistência (2016/2017). Abaixo o professor esclarece aspectos importantes do trabalho que realiza na UFF de Macaé. Professor, o que motivou a série de projetos? Durante o doutorado junto ao Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a pesquisa que realizei teve o intuito de identificar e mapear, na obra ainda em formação do filósofo italiano Giorgio Agamben, do ponto de vista da ética e da filosofia política, o percurso que levava de um conjunto de reflexões em torno da crítica da cultura às incursões decisivas do que denominei de crítica do jurídico. O título da tese buscou dar conta dessa trajetória: Do fim da experiência ao fim do jurídico: percurso de Giorgio Agamben – publicada como livro com o mesmo título pela Editora LiberArs, São Paulo, 2012. No período seguinte, o conceito de biopolítica foi adquirindo cada vez mais espaço nas minhas pesquisas. Conversas com colegas professores chamaram a minha atenção para a amplitude do conceito. Em especial, um texto do professor Castor Bartolomé Ruiz, também estudioso da obra de Giorgio Agamben, me despertou para o fato da escravidão negra brasileira poder ser compreendida através da ótica biopolítica – quando o poder político toma como objeto próprio de domínio a vida humana. A escravidão, longe de ser uma atividade espontânea de indivíduos ou grupos isolados, foi uma política de Estado. Uma rede bastante extensa de países e instituições foi mobilizada para o sustento do tráfego negreiro e da escravidão, não sem o cálculo, a definição, a manipulação e a exploração do que se poderia considerar como vida. Aliás, é possível mesmo afirmar que o estágio no qual se encontra hoje o mundo capitalista não teria se concretizado sem a acumulação de riquezas por países e instituições que espoliaram os continentes africano e americano. Em que etapa se encontra a pesquisa? Para este ano, propomos a concentração da pesquisa sobre os ecos do racismo em nossa sociedade, seja pelo desenvolvimento de um pensamento racista que teima em perdurar, seja pela consideração das malhas do que Michel Foucault denominou de racismo de Estado no curso Em defesa da sociedade, de 1976. Segundo o filósofo francês, o racismo é justamente o que permite que a biopolítica se torne uma tanatopolítica (uma espécie de política que tem como resultado a morte), ou seja, que o poder que calcula e produz a vida se transforme em uma máquina letal. Ao mesmo tempo, propomos a investigação dos meios de resistência, antigos e novos. Reconhecemos assim, em conjunto com autores que procuram revisitar as histórias de resistência na escravidão brasileira – especialmente o historiador Clóvis Moura – a necessidade de se abordar a questão por outro ângulo, que admita o escravo negro brasileiro como protagonista dos processos de resistência contra a escravidão e da abolição da escravatura no Brasil. No trabalho, o senhor analisa a senzala como ancestral do campo. Poderia explicar este conceito? No nosso grupo de pesquisa, procuramos avaliar a hipótese de que, como espaço e símbolo da escravidão na história do nosso país, a senzala pode ser compreendida como um ancestral do campo, isto é, como o espaço em que ele pode ser, virtualmente ou estruturalmente, vislumbrado. No estudo, entendemos como a escravidão e a senzala realizaram, antes do nascimento dos campos do século XX, a conversão do homem em recurso biológico, em vida nua (uma vida genericamente exposta à morte ou, do ponto de vista jurídico, desprovida de direitos), na ondulação da fina linha que se estende da biopolítica à tanatopolítica. Assim, as estruturas do campo e da senzala foram comparadas, permitindo lançar outro olhar sobre a tese de que o campo seja um modelo para a política ocidental contemporânea. Com um trabalho que tem a escravidão como tema, o senhor busca entender melhor a condição do homem moderno? De que modo? Penso não ser possível dissociar a compreensão da condição do homem moderno da compreensão da sociedade em que vivemos. O Brasil sofre ainda os efeitos nefastos de um sistema de escravidão que durou quase 400 anos. Não apenas do ponto de vista socioeconômico, como bem nos informa o sociólogo Florestan Fernandes, por exemplo, mas também do ponto de vista cultural. Há um samba da Estação Primeira de Mangueira de 1988, destes que surgem de tempos em tempos denunciando a nossa indiferença com a diferença, que traz versos muito esclarecedores: “livre do açoite da senzala, preso na miséria da favela”. A Lei Áurea não extinguiu as estruturas socioeconômicas de dominação. Além disso, alguns mitos que persistem entre nós, como o mito da democracia racial ou o mito do bom senhor, causam um estrago difícil de calcular. O racismo escondido, mas endêmico, que orienta o nosso cotidiano é um atestado para tanto. Quais foram os documentos analisados e como o senhor teve acesso a eles? Para além da pesquisa bibliográfica, tivemos acesso no ano passado a processos judiciais do século dezenove que envolviam casos de escravidão na cidade de Macaé e região. Isto foi importante porque os nossos alunos bolsistas pertencem ao curso de Direito, embora a pesquisa tenha amparo na Filosofia. Através de uma parceria com o Solar dos Mellos, instituição que hoje abriga o Museu da Cidade de Macaé, os nossos bolsistas puderam realizar suas pesquisas estudando casos de Ações de Liberdade, Ações Penais e Ações Patrimoniais. O acervo possui atualmente uma ordem de 1.611 processos higienizados e prontos para a consulta, com datas que variam do início do século dezenove ao início do século vinte. A análise dos processos escolhidos pela sua relevância para a discussão proposta repaginou a condição jurídica do escravo no complexo do horizonte biopolítico e investigou os sentidos da escravidão. Os trabalhos realizados pelas alunas e alunos foram apresentados posteriormente na Série Encontros no Solar dos Mellos no primeiro semestre letivo de 2016 para um público de professores e estudantes das universidades, da rede pública municipal e estadual. Como foi a participação dos alunos na pesquisa? Sempre tivemos uma participação muito comprometida de alunas e alunos na pesquisa, através da sua inserção em programas institucionais de iniciação científica, contando com os apoios da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e da Fundação Educacional de Macaé. Com a pesquisa desenvolvida em 2014/2015, tivemos a realização dos seguintes trabalhos pelos discentes bolsistas: A senzala brasileira enquanto campo biopolítico (Patrick Farias Nogueira); A inserção do escravo no ordenamento jurídico brasileiro (Fabianni Mussi de Araújo); Escravidão brasileira: a falácia do bom senhor (Agatha Martins dos Santos); Serena escravidão brasileira: suposta suavidade em relação à escravidão norte-americana no período colonial (Eduardo Roberto de Sales). Com a pesquisa desenvolvida em 2015/2016, surgiram os trabalhos: Condição jurídica do escravo no Brasil (Fabianni Mussi de Araújo); Eugenia e pensamento racista no Brasil (Alana Ozório Fernandes); Um estudo comparativo entre a escravidão brasileira e a norte-americana: crítica às teses da benignidade do senhor e da democracia racial (Eduardo Roberto de Sales). Outros três alunos bolsistas estão desenvolvendo suas pesquisas neste período de 2016/2017, Izabella Vicente de Carvalho, Adryanne Leal de Almeida e Felipe Fernando Abreu Ferreira. E para aqueles que desejarem acompanhar a trajetória do projeto até o momento? Recomendo a leitura de dois textos já publicados por mim sobre os temas aqui expostos: A exceção colonial brasileira: o campo biopolítico e a senzala, apresentado no II Encontro Nacional de Filosofia Política Contemporânea em 2015 e publicado nos Cadernos de Ética e Filosofia Política da Universidade de São Paulo em 2016, e Apontamentos no rastro biopolítico: sobre escravidão brasileira e animalização do homem, apresentado no V Colóquio Latino-Americano de Biopolítica em 2015, realizado na Universidade do Vale do Rio dos Sinos, publicado em seus anais.
Alunos da UFF apresentam pesquisa sobre escravidão em MacaéA escravidão representou um triste momento para sociedade brasileira, que ficou marcado para eternidade na história de nosso povo. Suas manifestações e demonstrações inequívocas da desigualdade na relação de poder e direitos ficaram registrados em diversas fontes e uma delas foram os processos jurídicos da época.                Com o objetivo de trazer conhecimentos e formular novos questionamentos sobre esse período, os alunos do curso de Direito da UFF em Macaé, Alana Osório Fernandes, Eduardo Roberto de Sales e Fabianni Mussi de Araújo pesquisaram os processos judiciais relacionados à escravidão no município e região durante o ano de 2015,.                A pesquisa faz parte do projeto de iniciação científica "Processos e Sentidos da Escravidão: Norte Filosófico e Sul da História", que teve o apoio através da concessão de bolsas de pesquisa pela Universidade Federal Fluminense e Funemac. Fatos significativos registrados nas peças processuais sobre os assuntos relacionados ao cotidiano da escravidão no município e região puderam ser observados durante o trabalho, tais como: mandados de busca e apreensão de fugitivos; registros de compra e venda de escravos; títulos de alforria, dentre outros.                O ponto alto do projeto será na próxima sexta-feira (06/04/2016), às 14h , no Solar dos Mellos, museu da cidade de Macaé, quando serão apresentados os resultados da pesquisa e fatos relevantes durante o processo de busca de informações. A entrada é gratuita e o espaço fica na rua Conde de Araruama, nº 248 no centro da cidade. 
Livros da Eduff são finalistas do Prêmio Jabuti 2015 Os livros “Estranhas Catedrais – as empreiteiras brasileiras e a ditadura civil-militar” e “Palavras e brados – José do Patrocínio e a imprensa abolicionista do Rio de Janeiro” concorrem à 57ª edição do Prêmio Jabuti, o mais tradicional prêmio literário brasileiro. Os finalistas foram selecionados entre 2.575 obras inscritas nas 27 categorias da premiação de 2015. “Estranhas Catedrais – as empreiteiras brasileiras e a ditadura civil-militar” concorre na categoria Economia, Administração, Negócios, Turismo, Hotelaria e Lazer. O livro, de Pedro Henrique Pedreira Campos, historiador e professor de História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), foi publicado em 2014 e ganhará uma segunda edição em breve. A obra aborda o crescimento de grandes empreiteiras no período da ditadura civil-militar no Brasil e sua relação com o Estado. Já “Palavras e brados – José do Patrocínio e a imprensa abolicionista do Rio de Janeiro” é finalista na categoria Comunicação. A obra é de Humberto Fernandes Machado, historiador e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF). Publicado em 2014, o livro apresenta a vida de José do Patrocínio, jornalista negro e figura-chave da luta antiescravista. A apuração da segunda fase do prêmio será no dia 19 de novembro, quando os finalistas serão avaliados e as três obras com maior pontuação ganharão o prêmio de primeiro, segundo e terceiro lugares. O autor do primeiro lugar, além do troféu Jabuti, receberá um prêmio de R$ 3,5 mil. A cerimônia de entrega aos vencedores será no dia 3 de dezembro, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Serviço: “Estranhas Catedrais – as empreiteiras brasileiras e a ditadura civil-militar” Autor: Pedro Henrique Pedreira Campos Editora: Eduff Ano de Lançamento: 2014 Preço: R$ 58 “Palavras e brados – José do Patrocínio e a imprensa abolicionista do Rio de Janeiro” Autor: Humberto Fernandes Machado Editora: Eduff Ano de Lançamento: 2014 Preço: R$ 47 Veja a repercussão dos indicados na mídia: Empreiteira que soube usar a corrupção cresceu mais, diz historiador “Pagamento de propina na Petrobras transcende o PT e o PSDB” Relação promíscua entre empreiteiras e governo começou na ditadura militar Livro analisa proximidade entre construtoras e regime militar O historiador Pedro Campos, autor do livro "Estranhas Catedrais"