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UFF Volta Redonda: aluna de Direito realizará estágio na OEA

A estudante do oitavo período do curso de Direito, Daniele Oliveira Reis Blachi, foi selecionada para estagiar na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), localizada na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington DC, Estados Unidos da América. A experiência inédita entre os estudantes da UFF de Volta Redonda será realizada no período de 6 de setembro a 1º de dezembro deste ano.

Criada em 1959, juntamente com a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CorteIDH), a CIDH foi instalada oficialmente 20 anos depois, em 1979, formando o Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos (SIDH). Autônomo na estrutura organizacional da OEA, o órgão se encarrega de promover e proteger os direitos humanos no continente americano. Além disso, segundo Daniela, a corte está integrada a sete outros setores que desempenham funções estratégicas na defesa da cidadania. “Suas atribuições motivaram definitivamente a minha escolha, já que minha paixão sempre foi direito internacional e direitos humanos”, afirmou.

Para a aluna, direitos humanos são fundamentais até que todas as pessoas possam ter oportunidades iguais e, consequentemente, uma vida digna.“No cenário atual valores como o cuidado com o próximo têm sido sobrepostos por outros desvalores. De forma que diferenças como a cor da pele, a origem territorial ou cultural, a religião, o gênero, dentre tantas outras, criam barreiras à percepção do próximo como igualmente merecedor de uma vida com dignidade”, ressaltou.

Quanto à expectativa em relação ao estágio na OEA, Daniele disse que espera aprender na prática como funciona a organização, bem como realizar estudos de caso para futuros artigos que possa publicar e talvez até mesmo para o seu TCC, além de ter contato com estagiários de outros países e diversas culturas.

A professora de Direito Internacional de Volta Redonda e orientadora de Daniele nesse período, Clarissa Brandão, destacou que a estudante já foi bolsista do Programa de Fomento à Pesquisa das Unidades do Interior ou Fora de Sede (Fopin). Além disso, monitorou disciplinas de Direito Internacional do curso e também estagiou na Defensoria Pública da União, seccional de Volta Redonda. A estudante participou também de vários congressos, inclusive no Chile, onde apresentou artigos e outros trabalhos científicos.

Foi nesse congresso da Sociedade Latino-Americana de Direito Internacional que conheceu a estudante colombiana Viviana Palácio, que também teve a experiência de estagiar na OEA. “Foi ela quem me deu todas as dicas sobre essa oportunidade de estágio e me orientou sobre o que eu precisava fazer para conseguir o mesmo”, contou Daniele.

Segundo o chefe do Departamento de Direito da UFF, professor Marcus Wagner de Seixas, a aluna já vinha desenvolvendo pesquisas na área internacional, focadas em Direitos Humanos, e essa oportunidade veio não só para coroar sua trajetória como certamente será um upgrade em seu currículo. Para a universidade, acrescentou, será sem dúvida um ganho enorme porque leva o nome da instituição para dentro de uma organização muito importante em nosso continente, abrindo portas para futuras parcerias.“Creio, então, que esse pode ser o primeiro de outros estágios na OEA. Devemos pensar em uma nova edição a partir dos contatos que Daniele vai fazer na CIDH. Lá existem vários outros setores, além da Corte, onde ela realizará o estágio, como a Unidade para Promoção da Democracia (UPD), valor tão caro para nossa sociedade”, exemplificou.

Para Seixas, a experiência da estudante vai ao encontro da estratégia do curso de Direito de Volta Redonda, que tem procurado se internacionalizar. “Recentemente uma professora concluiu na Itália, o que chamamos comumente de “doutorado sanduíche” (programa de bolsa de estudo no qual o interessado tem a chance de fazer parte, por alguns meses ou até um ano, do seu curso de doutorado em outra instituição brasileira ou internacional). E a pouco tempo outros dois docentes estiveram se aperfeiçoando na França, assim como outros alunos também já foram selecionados para intercâmbio”, relembrou.

De acordo com Daniele, o único obstáculo em relação ao estágio foi sobre o financiamento, uma vez que a atividade é voluntária, e não existe nenhuma ajuda de custo da CIDH. “Para conseguir algum auxílio financeiro, estou fazendo rifas e também uma vaquinha online”, esclarece. Já a professora Clarisse acrescentou, que a chefia do departamento está ajudando como pode, inclusive financeiramente com as passagens. Para ela, o mais importante é a valorização do esforço e mérito da aluna, que considera corajosa e muito determinada.

A seleção

O criterioso processo seletivo do estágio na CIDH abrangeu candidatos do mundo todo, dos quais somente 33 foram aprovados. Em sua primeira fase, além de preencher questionários, a estudante enviou currículo, histórico escolar, uma carta motivacional e duas cartas de recomendação de profissionais da área com quem já havia trabalhado. Já na segunda etapa da seleção, a estudante foi entrevistada em inglês por um representante da OEA, por  telefone.

Na opinião de Daniele, vários fatores somaram para sua escolha, entre eles os lugares pelos quais passou e os profissionais que conheceu em sua vida acadêmica, assim como os artigos que escreveu e os projetos voluntários que participou.“Também tive a honra de obter as cartas de recomendação, uma das quais escrita pela professora Clarissa Brandão, professora adjunta da UFF, uma das mulheres mais influentes no Direito Internacional, além da colaboração inestimável da estudante colombiana Viviana”, assinalou.

No link a seguir, outras informações sobre a seleção da candidata e as funções que ela vai desempenhar no estágio: http://www.oas.org/es/cidh/empleos/pasantias.asp.

Para contribuir com os custos de moradia, alimentação, etc. da Daniele nos EUA durante o estágio, acesse o link https://www.vakinha.com.br/vaquinha/danizinha-na-onu.

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