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Avaliação institucional: UFF cresce com participação de alunos e docentes

A Comissão Própria de Avaliação (CPA) manterá aberto até o próximo dia 30 de abril o acesso ao questionário de autoavaliação institucional de 2017 para professores e alunos da UFF. Para participar, basta entrar no site IdUFF e responder às perguntas dos seguintes formulários: autoavaliação, avaliação institucional e de disciplinas.

Criado no período de 2004 a 2007, de acordo com as normas estabelecidas pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), o projeto de autoavaliação tem como objetivos principais sensibilizar a comunidade para a importância da avaliação institucional e sua integração com a missão da UFF: produzir, difundir e aplicar conhecimento e cultura de forma crítica e socialmente referenciada.

Segundo a presidente da comissão, professora Virginia Dresch, o dados catalogados servirão de base para estudos que irão aumentar a qualidade dos cursos de graduação oferecidos pela universidade, assim como aprimorar as rotinas de trabalho e desenvolver novas ações por meio do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI).

“A CPA sistematiza e analisa os dados institucionais, produzindo informação fidedigna capaz de subsidiar o planejamento e a gestão institucional; bem como constrói uma metodologia que sedimenta a cultura da avaliação em todos os segmentos da comunidade; além de dar visibilidade à atuação da universidade, ampliando o diálogo com a sociedade civil”, explicou Virgínia Dresch.

Subvalorizar a autoavaliação (...) representa a curto prazo uma baixa nos recursos financeiros que chegam para a universidade e que são tão necessários à nossa atuação", ressalta o diretor da Divisão de Avaliação

As pesquisas organizadas e geridas pela CPA mobilizam professores, alunos e técnicos administrativos, que respondem a questionários sobre o projeto pedagógico da UFF, envolvendo as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Em suas respostas, eles avaliam o apoio que recebem dos laboratórios, a infraestrutura que encontram na universidade e o suporte dado pelas bibliotecas. Para isso,  a coleta de dados é realizada periodicamente, no início do semestre posterior ao avaliado, através do preenchimento de formulário eletrônico disponível no IdUFF e beneficia docentes e estudantes, que estão realizando as inscrições nas disciplinas. O sistema permanece aberto por dois meses.

Já com os técnicos administrativos, a coleta é realizada anualmente em parceria com a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progepe), no segundo semestre letivo, permanecendo o sistema aberto também por dois meses. Os alunos egressos, a cada dois anos, preenchem o questionário disponibilizado no sistema pelo mesmo período.

Os resultados das avaliações estão disponíveis em tempo real no site do Sistema de Avaliação Institucional (SAI), categorizados por unidade, curso ou departamento de ensino. Os resultados obtidos com a avaliação são analisados pela CPA, pelas Comissões de Avaliação Local (CAL) das Unidades Acadêmicas, pelos Departamentos de Ensino e pelas Coordenações de Curso e servem ao processo de reflexão sobre a qualidade do trabalho acadêmico desenvolvido na UFF, gerando informações importantes e necessárias à reformulação dos Projetos Pedagógicos dos Cursos, bem como ao Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). A formação da CAL de cada Unidade, prevista no Projeto de Avaliação Institucional, foi estabelecida pelo Conselho Universitário através da Resolução 223/2013.

Atualmente, nos campi de Niterói, estão formadas comissões de avaliação nas escolas de Arquitetura e Urbanismo, Enfermagem, Engenharia, bem como nas faculdades de Administração e Ciências Contábeis, Farmácia, Nutrição, Odontologia, Veterinária e nos institutos Biomédico, Biologia, Ciências Humanas e Filosofia, Computação, Geociências, Letras, Matemática e Estatística, Psicologia, Química e de Saúde Coletiva. No interior, a CAL mantém avaliadores em diversos cursos nos campi de Volta Redonda, Campos do Goytacazes, Rio das Ostras, Macaé, Angra dos Reis, Santo Antônio de Pádua e Nova Friburgo.

 

Ainda de acordo com a Virgínia Dresch, a CPA se ocupa fundamentalmente dos processos de avaliação interna da universidade. Já a avaliação externa é conduzida pelo MEC, através do INEP (cursos de graduação) e CAPES (cursos de pós-graduação). Na UFF, esclarece a professora, a Divisão de Avaliação da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), dirigida por Marcelo Linhares, acompanha todos os processos de avaliação externa dos cursos de graduação. “O processo de avaliação da qualidade dos cursos de graduação mais importante é o Enade”, concluiu.

Na entrevista a seguir, o diretor da Divisão de Avaliação, Marcelo Moreira Linhares, detalha melhor o sistema de avaliação institucional.

O MEC investe apenas nas “universidades de ponta”, aquelas que apresentam bons resultados?

Não. A matriz orçamentária das Ifes paga às universidades federais, basicamente por número de alunos matriculados e diplomados. Existem políticas que fomentam algumas condições consideradas importantes. Por exemplo, o MEC oferece uma bonificação de 20% para alunos matriculados em cursos noturnos. Ninguém é obrigado a ofertar cursos noturnos, mas quem oferece recebe mais recursos. O mesmo se dá em relação ao Índice Geral de Cursos (IGC). O MEC não diminui o orçamento de quem está com o IGC baixo, mas bonifica quem se destaca. Cabe ressaltar que de modo geral os conceitos das Ifes são pelo menos 4, numa escala de 5. Algumas poucas tem conceito IGC 5 e não necessariamente obtiveram esse indicador por resultados melhores que as demais no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). Um bom resultado no exame pode ajudar já que é um insumo significativo. Ter uma pós-graduação forte e produtiva conta muito também. O que parece óbvio é que o Ministério da Educação pretende dar um incentivo a mais às Ifes para um esforço permanente em alcançar indicadores sempre melhores.

Como desenvolver em alunos e professores a cultura de que participar do Enade é importante, já que algumas universidades tentaram boicotá-lo?

O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) é bastante complexo. O Enade é apenas um de seus braços. Existem avaliações in loco realizadas por especialistas no âmbito de cursos e da instituição, além da autoavaliação institucional e dos diversos conceitos obtidos a partir inclusive do Enade, como o Conceito Preliminar de Cursos (CPC), o Índice de Desenvolvimento Discente (IDD), e o IGC. Tudo isso compõe o Sinaes. Alguns estudantes consideram o Enade um vilão a ser combatido, mas, na verdade, cabe a nós informá-los que o exame é uma das ferramentas de avaliação, que permite o constante crescimento da instituição.

Por que, então, o preconceito?

Muitas vezes tememos o que não conhecemos. Precisamos ter mais acesso às informações e estimular a cultura de avaliação. É necessário não só esclarecer o que é verdade é o que é mito em relação a essa temática, mas mostrar resultados tangíveis a partir das observações dos dados fornecidos pelo Sinaes. Além disso, é importante fazer as pessoas perceberem que a avaliação é apenas um meio para alcançar objetivos. Entendemos que se trata de um árduo caminho de esclarecimento e convencimento a partir de exemplos, fatos e dados que comprovem que todos temos mais a ganhar do que a perder aderindo à avaliação. Ao combatê-la, perdemos mais que ganhamos.

Quanto a UFF perde em recursos quando seus alunos e professores têm desempenho insatisfatório nas autoavaliações?

A UFF deixa de ganhar, na verdade. No caso da autoavaliação, é impossível calcular. Mas se não aderimos suficientemente aos mecanismos de autoavaliação é óbvio que a informação gerada a partir desses dados tende a ser pouco confiável e nos sujeita a erros que podem custar muito caro em termos de decisões acadêmicas e administrativas. Subvalorizar a autoavaliação e não dar a devida atenção aos dados fornecidos representa a curto prazo uma baixa nos recursos financeiros que chegam para a universidade e que são tão necessários à nossa atuação.

De alguma forma, o bom ou mau desempenho de alunos e professores interfere nas avaliações externas e internas?

Temos duas questões distintas nessa pergunta: uma refere-se ao desempenho de alunos, outra de professores. Esses itens são avaliados por mecanismos e momentos distintos. Os estudantes, por exemplo, são avaliados em termos de competências esperadas conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) e adquiridas a partir das execuções do projeto pedagógico do curso a que se vinculam. O mau desempenho do aluno no Enade reduz a nota bruta e o resultado final em favor do curso. Na avaliação in loco por especialistas esse quesito não é observado. O caso dos professores é diferente. O desempenho deles interfere em tudo. Na formação discente, no resultado do Enade, nos indicadores de produção acadêmica da pós-graduação e de qualificação do CPC (componente do IGC) e até nas respostas dos alunos ao questionário de avaliação respondido por ocasião da realização da prova do Enade e no qual se baseia o CPC. Os docentes também são avaliados in loco por especialistas, sendo umas das três dimensões desse tipo de avaliação. No âmbito da autoavaliação, alunos e professores também se submetem voluntariamente às respostas dos questionários no SAI, abordando questões mútuas.

A CPA está localizada no Campus do Gragoatá, Bloco E, 5º andar, Sala 520, em Niterói. Para outras informações, ligue (21) 2629-2726 ou 97657-4824, envie um e-mail para avaliacao@vm.uff.br ou acesse o site www.cpa.sites.uff.br