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Direitos humanos: UFF revalida diploma de engenheiro refugiado

Anas Abdulrjab se formou em Engenharia de Telecomunicações na Líbia

Há 69 anos, no dia 10 de dezembro, era adotada e proclamada a Declaração Universal dos Direitos Humanos pela Assembleia Geral das Nações Unidas, por meio  da resolução 217 A III, que estabeleceu a proteção universal a todos os cidadãos do mundo. No próximo domingo, quando será comemorado o Dia Internacional dos Direitos Humanos, o sírio Anas Abdulrjab poderá celebrar duplamente, por ter encontrado no Brasil o acolhimento necessário para se refugiar e fixar residência e também pela conquista da revalidação do seu diploma de engenheiro pela UFF.

Abdulrjab nasceu na Síria há 32 anos e em 2004 se mudou para a Líbia, onde também se formou em Engenharia de Telecomunicações pela Universidade de Tripoli. Como tantos outros refugiados, que fogem da calamidade, sofrimento, violência, injustiça e discriminação que uma guerra impõe aos cidadãos, Anas viu no nosso país uma oportunidade de sair dessas condições desumanas.

O engenheiro chegou ao Rio de Janeiro em 2015, trabalhou em um café e, em seguida, passou a cozinhar quitutes sírios, uma tradição de sua família. Em agosto de 2016, solicitou revalidação de seu diploma, mas a coordenação do curso de graduação em Engenharia de Telecomunicações indicou a realização de estudos complementares, com base na Resolução do MEC Nº 3, de 22 de junho de 2016, que dispõe sobre normas referentes à validação de diplomas estrangeiros. Anas optou por cursar três disciplinas presenciais na UFF,  no primeiro semestre de 2017, ao invés da realização de provas, como oportunidade de estreitar laços com a comunidade acadêmica e adquirir fluência na língua portuguesa.

Segundo a professora e coordenadora do curso de graduação em Engenharia de Telecomunicações, Paula Brandão Harboe, o refugiado recebeu um número de matrícula para cursar disciplinas isoladas, frequentou a Escola de Engenharia, assistiu aulas, realizou provas e trabalhos acadêmicos como os demais alunos regularmente inscritos nas disciplinas. “Ele interagiu muito bem com os colegas de turma e professores e foi aprovado com sucesso nas três disciplinas cursadas”, explica.

Não se trata de um favor, mas de uma ação institucional com base no direito, no mérito e na solidariedade", Antonio Claudio da Nóbrega.

Nesse período, o vice-chefe do Departamento de Engenharia de Produção, Paulo Pfeil, se voluntariou para ser tutor de Anas na universidade, apresentando os campi universitários, as bibliotecas, bandejões e outros espaços da instituição. “Tenho muito orgulho de ter feito parte desse processo. Do ponto de vista humanitário e social, essa iniciativa da universidade foi um marco muito importante”, destaca.

Segundo o professor, o engenheiro sírio também foi aceito em várias universidades do continente europeu, mas os países não lhe concederam o visto. “O Brasil foi o único país que me acolheu. Na UFF, recebi muito apoio da administração, dos professores e dos outros alunos. Realmente fui bem acolhido nessa universidade, que simplificou o processo para eu revalidar o meu diploma. Só tenho a agradecer essa oportunidade”, afirma Anas.

Na opinião de Pfeil, o engenheiro sírio possui uma formação acadêmica de alto nível e uma vasta bagagem cultural. "Anas é fluente em árabe, inglês e agora português. A universidade também ganha tendo um aluno com esse perfil em sua comunidade universitária e o mercado de trabalho com certeza se abrirá para recebê-lo, já que há grandes oportunidades profissionais no nosso país na área de Engenharia de Produção”, ressalta.

Segundo o vice-reitor da UFF, Antonio Claudio da Nóbrega, é importante abrir as portas da universidade para os refugiados que enfrentam as mesmas dificuldades profissionais de Anas. “Assim como todos que passam por uma guerra, o engenheiro sírio precisava encontrar a paz e ter seus direitos respeitados para seguir em frente na sua área. Não podíamos cruzar os braços e sermos insensíveis à situação dele, que superou as fronteiras continentais em busca de seu sonho. Não se trata de um favor, mas de uma ação institucional com base no direito, no mérito e na solidariedade. Estamos felizes em poder contribuir com sua nova realidade”, conclui.

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