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José Raymundo Martins Romêo

A Universidade representa muito para mim. Foi onde exercitei um trabalho que eu acho de alta significação. Porque não se constrói uma sociedade sem conhecimento. E o conhecimento só tem uma origem: a universidade.

Ex-reitor da UFF

Dois períodos históricos, um reitor: José Raymundo Martins Romêo

Seguindo a tradição familiar de incentivo à formação em Engenharia, o niteroiense José Raymundo Martins Romêo titubeou quando teve que escolher entre a UFF e a UFRJ para cursar a graduação. Preferia a UFF, entretanto, atendeu ao pedido de seu pai que cursou a Escola Nacional de Engenharia da UFRJ e onde também estudara seu avô. Com a reforma curricular e a criação dos institutos nas universidades, Martins Romêo foi convidado para atuar como professor do Instituto de Física em 1968. Consolidou sua carreira na instituição fluminense e gerou um laço extremamente afetivo com a UFF.

Ex-reitor em dois períodos políticos distintos - 1982 a 1986 e 1990 a 1994, o professor, antes diretor do Instituto de Física, em 1975, assumiu a gestão da UFF em meio ao regime militar e a redemocratização. No período em que esteve a frente da Universidade, deu ênfase à melhoria na qualidade do ensino, incentivando a pesquisa e promovendo um ambiente democrático dentro da instituição. “Em 1983, um ano após a posse, foi criado o Programa UFF Debate Brasil. Luiz Carlos Prestes, primeiro palestrante, lotou o auditório e tivemos que colocar televisores no gramado porque uma multidão queria assistir. Toda quarta-feira, às 20h, o Jornal o Globo fazia a cobertura do evento”, relembra Martins Romêo.

Em sua primeira gestão, trouxe a Orquestra Sinfônica Nacional com 90 músicos para a UFF. Nessa época surgiu também o Quarteto de Cordas e o Conjunto de Música Antiga. O então criado DDC (Departamento de Difusão Cultural) passou a ser um foco de atração para a cidade com muitas programações voltadas para a comunidade. “Um aspecto interessante é que a UFF sempre foi muito envolvida com a cidade de Niterói, talvez a Reitoria, em Icaraí, junto a população tenha contribuído”, explica.

A Universidade representa muito para mim. Foi onde exercitei um trabalho que eu acho de alta significação. Porque não se constrói uma sociedade sem conhecimento. E o conhecimento só tem uma origem: a universidade”.

Fora do ambiente administrativo, o ex-reitor participava do time de futebol de salão da Reitoria, junto a quatro professores do Departamento de Educação Física. Jogavam contra o DCE e a ADUFF. Segundo Martins Romêo, o convívio com professores, estudantes, e, sobretudo, funcionários era muito bom e contribuía para um prazeroso ambiente profissional, era convidado com frequência para ser paraninfo e patrono de turmas de graduação.

No segundo mandato, a ênfase maior da gestão de Martins Romêo foi a excelência na qualidade do ensino. Foram realizados concursos que abriram 324 vagas para professores adjuntos e assistentes e 116 para titular. “Foi um marco e mudou muito o perfil da Universidade, em termos de qualificação e qualidade. Consolidação da pós-graduação e da pesquisa. Antes a universidade era ótima em ensino, mas com muito pouca relevância na pesquisa, existiam poucos contratos para financiamento em pesquisas”.

Para a Universidade, outros fatos se destacam na gestão de Martins Romêo, como a criação das pró-reitorias, do Núcleo de Estudos Estratégicos, atual Inest, e a Assessoria de Relações Internacionais, entre outros. No período, a UFF teve um número expressivo de convênios internacionais e o ex-reitor foi convidado para fazer parte do Conselho da Associação Internacional das Universidades.

Para Martins Romêo a UFF de hoje é completamente diferente da UFF de 1982, com maior excelência em pesquisa, tecnologia e um futuro brilhante a seguir. “As universidades ultrapassam o século e tem uma vida própria. As pessoas que participam dessa vida ajudam a direcionar e agregar algo, mas elas crescem independentemente das pessoas”, afirma.

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