Artes Visuais - Centro de Artes UFF

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Atualizado: 1 hora 40 minutos atrás

MOMENTO CORRENTE

ter, 10/12/2019 - 12:51

Deixando descansar a fatigada poética que utiliza como exemplo máximo de passagem a metamorfose da lagarta ao deixar seu casulo, aderimos à exúvia do animal – que não apenas deixa para o mundo a casca que lhe formou mas nela mesmo sua própria forma final. Assim, exposta, não como o próprio bicho que já migrou, mas como o resquício da produção de si. Aqui estão visíveis os esqueletos deixados tanto pelas variações do nosso tempo quanto pelos próprios artistas que as notaram, deixando ao mundo de volta sua formulação outra. Seja pela corrente temporal, pela corrente que censura – da qual o corpo se esforça para mostrar-se sob -, pelo cordel que prende o ritmo do verbo com a finura da linha e não da prisão, pela natureza que condenada devolve seu corpo em forma de toxidade corrente em variadas correntes aquáticas: o momento é esse, de formas nítidas e graves. Não mais nos servimos da metáfora do casulo que esconde, mas de pontas agudas que expõem o percurso do instante.

Abertura 13 de dezembro de 2019
Sexta – 17h
Visitação até 19 de janeiro de 2020
Galeria de Arte UFF
Rua Miguel de Frias, 9 – Icaraí
Entrada Franca

Categorias: Centro de Artes UFF

Arte em Travessia

ter, 29/10/2019 - 12:17

TRAVESSIA não é palavra vã, é palavra em movimento, traz em si a ideia de deslocamento, mudança, viagem, transformação… E a isso nos propomos – transformar e afetar!

TRA-VESSIA forma-se do verbo latino vertere: o dar corpo ao suceder.

Nessa exposição no Centro de Artes UFF, reunimos trabalhos de diferentes pessoas que a sua maneira ocuparam nossas galerias de arte e fazem parte de nossa história, alguns são clientes, outros estudantes de arte, outros já ocupam espaço no mercado das artes, mas por fim são todos artistas.

Rafael Matos
Sergio Simões
Antônio Varela
Vitor Canhamaque
Henrique Resende
Rona Neves
Heleno Bernardi
Pedro Amorim
Elisama Arnaud
Marcelo Valle

O ESPAÇO TRAVESSIA é um lugar de promoção da saúde mental, que utiliza arte e cultura. Em seus ateliês, salões e galerias acontecem diversas atividades como apresentações e oficinas de dança, de música, teatro, contação de histórias, fotografia, alongamento, práticas integrativas de saúde, aulas de inglês, brincadeiras… e muito mais, que de forma incomensurável afeta a vida de muita gente.

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Museu vivo: poéticas da desrazão

ter, 29/10/2019 - 12:03

A montagem desta exposição resulta de um trabalho de aproximação do Centro de Artes UFF com o Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro, numa perspectiva de troca afetiva de saberes e experiências entre as equipes e também do contato com os clientes (forma como a Dra. Nise da Silveira se referia aos pacientes do hospital psiquiátrico), que dão corpo e forma a um transbordamento dos afetos, de uma exacerbação da imaginação, que se descola de uma consensualidade do real, acionando um campo imagético no qual “os inumeráveis estados do ser” são potencializados, em um movimento não-retilíneo, como a experiência de um Museu Vivo.

A melhor maneira de homenagear a mestra se revela divulgando suas ideias e sua prática de liberdade criativa, trocando experiências para a construção de uma visão mais humanizada sobre a loucura. O mais relevante era que os clientes fossem os protagonistas deste evento, exercendo sua liberdade de ir e vir, de criar e conviver, numa demonstração clara da eficiência do método terapêutico preconizado por Nise. Há muitos muros a serem derrubados ainda. É nosso dever para com seu legado, alargar os horizontes do Museu que ela criou e defendeu com tanta garra.

 

Museu de Imagens do Inconsciente
Centro de Artes UFF

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Reservado para pichador amador

qui, 19/09/2019 - 10:17

Em ‘Reservado para Pixador Amador’, Mulambö fala sobre potências. Seja a frase na parede que evita que a cidade deixe sua marca até as marcas que a cidade deixa em nós. A partir do existir periférico e, automaticamente, de resistência no Rio de Janeiro, o artista desenvolve trabalhos de pintura, instalação e objetos que remetem a algumas das forças que constroem o chão que a gente pisa, corre e trabalha. Uma de suas imagens mais conhecidas é a montagem sobre uma foto de Marielle Franco redesenhada como Iansã, com o título “Força da natureza sobre foto de Bárbara Dias da Marielle Franco”, de 2016. 

Mulambö nasceu como João da Motta em 1995 e foi na Praia da Vila, em Saquarema/RJ, que nasceu o artista Mulambö, da necessidade de encontrar um lugar. Um lugar onde se anda descalço e uma arte com os pés no chão, porque não tem museu no mundo como a casa da nossa vó. Em seus trabalhos, o artista fala de gente como ele, usando materiais que encontra nos lugares onde vive. “Na verdade, eu queria mesmo era ser jogador de futebol e antes de ser artista ou qualquer coisa do tipo, sou filho, neto, irmão, padrinho e cabeça de área”, afirma ele.

Galeria de Arte UFF Leuna Guimarães dos Santos
Abertura: Dia 18 de setembro de 2019, às 18h
Visitação até 20 de outubro de 2019
Entrada Franca

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Corpura

qui, 19/09/2019 - 10:14

“Corpura” é uma exposição coletiva que a partir da fotografia aborda os corpos negros e as diversas subjetividades que os atravessam. Composta pelas séries fotográficas “Fardo”, “Pele preta em mundo branco” e “Beleza”, questiona sobre como as estruturas sociais brasileiras – o racismo, as desigualdades sociais e o genocídio – atuam como construtores desses corpos. Os trabalhos são feitos pelos artistas Carla Santana, Mateus Almeida e Thomas Mariano. 

Em “Fardo”, Carla Santana molda o indizível. Transborda as densidades e questões sobrepostas e impostas à sua corporeidade. Utiliza-se da argila como meio de externalizar processos internos e materializar dores. As esculturas saltam das fotografias a fim de corporificar, o peso, o íntimo, o invisível. “Pele preta em mundo branco”, de Mateus Almeida, demanda os impactos da colonização dos corpos negros. O que é possível para a população negra no Brasil? Que lugar esses corpos ocupam? A partir da fotografia o artista nos mostra corpos atravessados pela brancura do mundo. “Beleza”, de Thomas Mariano, a partir do retrato sensível propõe um olhar sobre a pele e corpo negro que subverta os estereótipos, criando imagens que refletem primor, sutileza e exaltação. Segundo Carla Santana, “Corpura afasta a relação do corpo enquanto objeto de análise do outro para reivindicar a construção primordial do Ser. Revelamos aqui, ainda que fragmentados, a necessidade de resgatar e recriar cenas por uma visão essencialmente escurecida”.

Espaço UFF de Fotografia Paulo Duque Estrada
Abertura: Dia 18 de setembro de 2019, às 18h
Visitação até 20 de outubro de 2019
Entrada Franca

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